Há algo de podre na música de hoje, diz ex-Pistols

Fred Shuster

John Lydon tem estado ocupado sendo Rotten.

O cantor e letrista do Sex Pistols, talvez a banda de vida curta mais influente na história do rock, não tem feito muita música ultimamente em público, mas vem abocanhando cada oportunidade - mais recentemente como juiz de talentos na série de realidade "Bodog Music Battle of the Bands", na qual 10 bandas competiram. A fase final do programa, na House of Blues, no Sunset Strip, vai ao ar às 19h hoje, no canal Fuse.

Lydon de 51 anos, cuja banda de vanguarda Public Image Ltd (PIL) seguiu o fim do Pistols e depois perdeu o gás, mora em Los Angeles e mantém um rígido controle do legado do Pistols. Ele e outros ex-membros vivos ajudaram o diretor Julien Temple a fazer o maravilhoso documentário "The Filth and the Fury" ("O Lixo e a Fúria"), que contou a história do grupo punk de uma forma artística.

Nós encontramos Lydon na semana passada.

Jim Bourg/Reuters - 21.ago.2003 
Johnny Rotten diz que há uma maldade e amargura na música reggae feita hoje

Pergunta - Qual é a atração dessa competição Bodog?
Lydon -
Algumas vezes, tenho vontade de pular no palco e juntar-me a eles. A maior parte deles são bons todas as noites. O que mais podemos pedir? Ver eles se apresentarem ao vivo, com todo o pânico e estresse de saber que vão ser vistos por milhões de pessoas na TV. Não é para criticar duramente ou fazer crueldades como o "American Idol". É sobre celebrar a arte de compor músicas.

Pergunta - Qual é o estado das composições hoje?
Lydon -
É horrível. A música se tornou apenas outra escolha de carreira para os jovens. Eles não estão usando qualquer das suas experiências de vida. Essa era a alegria para mim - escrever músicas diretamente relacionadas a minha vida. E isso não está acontecendo mais.

Pergunta - Por que isso?
Lydon -
Está tudo perdido em uma doença de videogames e mamãe e papai comprando tudo. O resultado são esses ditos astros pop se gabando de quanto dinheiro têm. É esse cinismo besta. As pessoas apenas se sentam em seus traseiros preguiçosos computadorizados, reclamando de tudo, dizendo: "Eu quero, eu quero".

Pergunta - Nessa situação, onde a próxima cultura jovem vai brotar? No Iraque talvez?
Lydon -
Sim, com armas de destruição em massa na bateria. Não cabe a mim dizer onde a próxima cultura jovem vai brotar.

Pergunta - Você foi um dos primeiros a apoiar o reggae.
Lydon -
Reggae para mim não é uma afetação. Eu ouvia reggae na minha juventude nos apartamentos do conselho (moradia de baixa renda do Reino Unido). É uma forma de vida, não é entretenimento. Isso dito, a música jamaicana foi arruinada pela influência gangsta rap americana. Há uma maldade e amargura na música hoje. Acho que eles não sabem mais quem é o inimigo.

Pergunta - O trigésimo aniversário do lançamento do álbum do Pistols acaba de passar, e nada foi mencionado pelo selo.
Lydon -
Estamos tendo dificuldades com a Warner Bros. Já foi feito. Não quero empacotar tudo de outra forma ou todo esse absurdo. Está feito. Já foi. Está por aí. Deborah Weinberg

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