Pesquisadores dizem que ainda faltam anos para criação de pílula anticoncepcional masculina

Cherie Black
do Seattle Post-Intelligencer
em Seattle

Nas últimas duas décadas, pesquisadores vêm procurando proporcionar aos homens mais opções em termos de métodos contraceptivos.

As mulheres têm a pílula, dispositivos intra-uterinos, injeções, adesivos, camisinhas femininas e a recentemente relançada esponja.

Já os homens contam basicamente com duas opções: a camisinha ou a vasectomia. Embora os dois métodos funcionem muito bem, ambos têm as suas desvantagens. Muitos pesquisadores dizem que os homens deveriam contar com mais opções e arcar com uma maior divisão de responsabilidades.

A partir desta quinta-feira (27/09), mais de 140 participantes de todo o mundo estarão reunidos em Seattle para falar sobre os últimos desenvolvimentos nas pesquisas e testes com contraceptivos para homens. A conferência internacional de dois dias realizada no Edgewater Hotel é co-patrocinada pela Universidade de Washington, pelo Instituto Nacional de Saúde e pela Organização Mundial de Saúde.

"Creio que trata-se de uma questão de bem-estar social, e que os casais devem contar com uma gama mais ampla de opções", afirma o médico Bill Bremner, diretor do Departamento de Medicina e do centro de pesquisa de contracepção masculina da Universidade de Washington. Um financiamento de US$ 8 bilhões, durante cinco anos, por parte do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano mantém o centro, que é um dos quatro do gênero existentes nos Estados Unidos.

Bremner e os seu colega, o médico John Amory, realizam testes clínicos em homens, a fim de determinar se injeções de hormônio ou cremes reduzem adequadamente a quantidade de espermatozóides até um grau suficiente para evitar a gravidez. Eles usam a testosterona, da mesma forma que o estrógeno é usado para o controle de fertilidade nas mulheres.

Um estudo revelou um índice de sucesso de 98% em casais que utilizaram um contraceptivo hormonal masculino, afirma Bremner. Os efeitos colaterais incluem aumento de peso e acne, diz ele. Outros métodos testados envolveram aplicação de calor, ultra-som e vasectomias reversíveis. Uma opção que está sendo desenvolvida é denominada Intra Vas Device, um conjunto de pequenos implantes que bloqueiam o fluxo de espermatozóides.

Bremner diz que é mais difícil conter a produção de espermatozóides do que a de óvulos. Enquanto as mulheres produzem um óvulo por mês, os homens chegam a produzir 1.000 espermatozóides a cada batida do coração. E não é fácil vender uma fórmula de contraceptivo masculino para as companhias farmacêuticas.

"É necessário contar com homens jovens que não tenham doenças e testar uma droga neles durante anos - esse é um empecilho", diz ele. E não são os homens que correm o risco de engravidar, algo que acarreta certos perigos, o que justifica o teste de contraceptivos em mulheres. O clima litigioso contra os indivíduos que atuam no setor de saúde reprodutiva e a oposição religiosa também se constituem em obstáculos.

"Este país tem uma história de intensa repressão no que diz respeito a métodos anticoncepcionais", explica Bremner.

Mas a grande questão é saber se os homens tomarão uma pílula ou usarão um novo método contraceptivo. E será que as mulheres confiarão neles para evitar a gravidez?

Bremner acha que sim. Segundo ele, 30% da contracepção é controlada pelos homens - metade por meio da camisinha, e metade com a vasectomia, e até 80% de homens entrevistados no mundo inteiro disseram que usariam um anticoncepcional masculino. Cerca de 98% das mulheres que estão em relações monogâmicas afirmaram que confiariam nos seus parceiros.

"Há 20 anos venho dizendo que um anticoncepcional masculino estará disponível entre cinco e sete anos", diz Bremner. "Ainda acredito que isso vá acontecer. É apenas uma questão de tempo".

UOL Cursos Online

Todos os cursos