Brasil se torna principal parceiro comercial da Flórida

David Adams
Do Saint Petersburg Times

Ao longo da última década, o Brasil discretamente se tornou o principal parceiro comercial da Flórida.

O comércio bilateral já atinge impressionantes US$ 11 bilhões. Mas ele em breve poderá se tornar muito maior, quando o governador Charlie Crist partir neste fim de semana para o Brasil em uma missão comercial patrocinada pelo Estado.

O recente interesse do Estado em energia alternativa e mudança climática colocou um novo produto potencialmente imenso, o etanol, no pacote comercial. Logo, não causa surpresa o fato da indústria brasileira de etanol, atrás apenas da dos Estados Unidos, estar no topo da agenda da missão comercial de Crist.

"Nós temos um governador que assumiu a dianteira no desafio de fazer as pessoas de nosso Estado considerarem as implicações da mudança climática e o papel dos biocombustíveis", disse Jorge Arrizurieta, um especialista em comércio da Akerman Senterfitt, uma das maiores firmas de advocacia de Miami. "Agora ele vai ao berço da bioenergia. Ver pessoalmente o que o Brasil fez para se tornar o líder mundial em etanol é importante."
FATOS
Um resumo da viagem
Cerca de 210 pessoas acompanharão o governador Charlie Crist na missão comercial ao Brasil e Chile de 3 a 8 de novembro, incluindo representantes de 57 empresas e dos cinco principais portos do Estado.
A conexão Tampa Bay-Brasil
Apesar de grande parte de tal comércio e investimento estar centrado no sul da Flórida, as empresas brasileiras começaram a demonstrar grande interesse pela área de Tampa Bay e nas plantações de laranja da região central da Flórida.
A subsidiária brasileira Citrosuco North America opera uma fábrica de processamento de suco em Lake Wales, enquanto a Cutrale Citrus Juices USA tem operações semelhantes em Leesburg e Auburndale. Mais de 70% do suco de laranja que passa pelo porto de Tampa vem do Brasil, disseram autoridades do porto.
A gigante brasileira de construção, a Odebrecht, está negociando com o Porto de Tampa a construção de tanques de armazenamento de etanol.
Outro grande conglomerado brasileiro, a Votorantim, abriu recentemente um negócio de cimento e agregado e alugou 7,5 hectares no porto de Tampa para um terminal. A gigante de aço brasileira Gerdau comprou a Ameristeel, com sede em Tampa, em 1999, e a nova empresa Gerdau-Ameristeel atualmente é a quarta maior empresa de aço na América do Norte. Seus escritórios executivos continuam em Tampa.


A agenda de Crist no Brasil inclui uma visita à usina de etanol de Barra Bonita, a maior instalação de produção de biocombustíveis do mundo, assim como participará de uma mesa redonda com especialistas brasileiros em biocombustíveis.

Cerca de 210 pessoas acompanharão Crist na missão comercial ao Brasil e Chile, incluindo representantes de 57 empresas e dos cinco principais portos do Estado, incluindo Tampa.

Crist está ávido para aprender como o Brasil transformou sua indústria de cana-de-açúcar em uma fonte próspera de etanol e se tal modelo pode ser aplicado na Flórida, também uma grande produtora de cana-de-açúcar.

"É minha meta enquanto estiver no Brasil forjar novas alianças e desenvolver novas parcerias para promover o comércio neste hemisfério", disse Crist. "Flórida e Brasil podem colaborar de forma inovadora tanto em pesquisa quanto em desenvolvimento."

A Florida Crystals, a maior produtora de cana-de-açúcar do Estado, não produz etanol porque obtém melhor preço produzindo açúcar. Mas a empresa está explorando nova tecnologia de celulose para produção de etanol a partir do bagaço descartado da cana.

"Nós acreditamos bastante em energia renovável", disse Gaston Cantens, porta-voz da Florida Crystals, notando que a empresa já produz sua própria eletricidade a partir da queima do bagaço. O vice-presidente da empresa, Jose Fanjul Jr. acompanhará Crist ao Brasil. "O etanol é a próxima fronteira. Nós acreditamos nisto e queremos fazer parte disto."

Crist também visitará a sede da Petrobras, a empresa estatal brasileira de petróleo e gás, que é a maior distribuidora de varejo de gasolina misturada com etanol no Brasil.

Como parte do novo plano de energia do Estado, Crist está estudando a possibilidade de importar etanol do Brasil. A Flórida atualmente não produz etanol, apesar de vários projetos estarem em diferentes estágios de desenvolvimento. A Atlantic Alcohol, com sede no Aeroporto Albert Whitted em Saint Petersburg, já está fechando acordos com produtores brasileiros de etanol para importar etanol para o mercado da Flórida.

Autoridades estaduais de agricultura querem promover a produção doméstica de biocombustíveis, argumentando que a Flórida pode produzir 40% de suas necessidades de biocombustível com a emergente tecnologia de etanol de celulose que pode produzir combustível a partir de lascas de madeira, grama e sorgo.

Crist também visitará a empresa aeronáutica brasileira Embraer, a quarta maior fabricante de aviões de passageiros do mundo, que vende para várias companhias aéreas americanas. A empresa tem uma grande instalação em Fort Lauderdale com 282 funcionários, com planos para contratar pelo menos mais 50 nos próximos três anos. A demanda pelos jatos de médio porte produzidos pela Embraer aumentou acentuadamente nos Estados Unidos, à medida que as companhias mudam suas frotas regionais para jatos de médio porte que consomem menos combustível.

O Brasil é o maior parceiro comercial do Estado nos últimos 10 anos. Mas enquanto o comércio com outros países permanece inalterado, os laços comerciais com o Brasil cresceram. Grande parte do crescimento foi a favor da Flórida.

O comércio bilateral ultrapassou US$ 11 bilhões no ano passado, à frente do Canadá e Japão. Desses, cerca de US$ 7,7 bilhões são exportações da Florida, em comparação a apenas US$ 3,5 bilhões em importações.

"A missão ajudará o comércio para ambos os lados", disse o cônsul-geral do Brasil em Miami, João Almino. "Além de ser bom para as empresas da Flórida, ela ajudará os exportadores brasileiros a notarem o mercado da Flórida."

O Brasil é chave para o crescimento de alguns dos setores de alta tecnologia que mais crescem no Estado, incluindo aviação, telecomunicações, partes de motores de veículos e equipamento médico. As importações do Brasil também incluem calçados, café, carne, madeira, móveis e suco de fruta.

Especialistas em comércio apontam que apesar de nem todos os bens exportados pela Flórida serem produzidos ali, o tráfego ajuda a gerar empregos nos aeroportos e portos do Estado, assim como serviços auxiliares.

"A Flórida é mais do que apenas um portão para o comércio", disse Manny Mencia, chefe da International Trade & Business Development at Enterprise Florida, uma parceria público-privada que organizou a missão comercial. "É um entreposto, um centro comercial onde os acordos são fechados e financiados." George El Khouri Andolfato

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