Na Coréia, um acampamento militar para curar a obsessão pela Internet

De Martin Fackler
Em Mokcheon, Coréia do Sul

O complexo —parte acampamento militar, parte centro de reabilitação— lembra os programas de toda a parte do mundo para jovens com problemas. Instrutores orientam os homens jovens por pistas de obstáculos ao estilo militar, conselheiros realizam sessões em grupo e até mesmo há oficinas terapêuticas de artesanato e música.

Mas estes jovens não estão combatendo o álcool ou as drogas. Em vez disso, eles apresentam casos severos do que muitos neste país acreditam ser um novo vício potencialmente mortal: o ciberespaço.

Eles vêm para cá, para a Jump Up Internet Rescue School, o primeiro acampamento do gênero na Coréia do Sul e possivelmente do mundo, para serem curados.

Seokyong Lee/The New York Times
Local lembra um acampamento tradicional, com tarefas físicas e muita disciplina, como tantos outros espalhados pelo mundo...
Seokyong Lee/The New York Times
... mas aqui, os internos estão sob constante vigilância, mesmo ao dormir, para evitar abusos da relação com o mundo virtual
A Coréia do Sul se gaba de ser o país mais conectado do planeta. De fato, talvez nenhum país tenha abraçado tão plenamente a Internet: 90% dos lares estão conectados a banda larga de alta velocidade barata, jogos online são um esporte profissional e a vida social dos jovens gira em torno dos "PC bang", cafés de Internet indistintos situados em praticamente toda esquina.

Mas tal acesso fácil à Internet tem um preço, com legiões de usuários obcecados que não conseguem desgrudar da frente de suas telas de computador.

Isto se tornou um problema nacional nos últimos anos, à medida que usuários começaram a cair mortos de exaustão após jogarem jogos online por dias ininterruptos. Um crescente número de estudantes falta na escola para permanecer online, um comportamento chocantemente autodestrutivo nesta sociedade altamente competitiva.

Eles passam pelo menos duas horas por dia online, geralmente jogando ou
batendo papo. Entre estes, até um quarto de milhão provavelmente exibe
sinais de vício de fato, como incapacidade de deixar de usar o computador, níveis crescentes de tolerância que os levam a ficar conectados por períodos cada vez mais longos, e sintomas de abstinência como raiva e ansiedade quando impedidos de se conectarem.

O acampamento de resgate, em uma área de floresta a cerca de uma hora ao sul de Seul, foi criado para tratar dos casos mais severos. Neste ano, o
acampamento realizou suas primeiras sessões de 12 dias, com entre 16 a 18 participantes do sexo masculino de cada vez.

(Pesquisadores sul-coreanos dizem que a grande maioria dos usuários compulsivos de computador são do sexo masculino.)

Os participantes moram no acampamento, onde não têm acesso ao computador e só têm direito a uma hora de ligação de celular por dia, para impedi-los de jogarem pelo telefone. Eles também seguem um regime rigoroso de exercício físico e atividades de grupo, como passeios a cavalo. O objetivo: estabelecer laços emocionais com o mundo real e enfraquecer os laços com o virtual. George El Khouri Andolfato

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