Hotéis e aeroportos criam serviços para quem trabalha a qualquer hora e em qualquer lugar

Susan Stellin

Um desafio para quem tem como estilo de vida o trabalho em qualquer lugar é que nem todo lugar é planejado para pessoas que precisam trabalhar.

É por este motivo que se vê mulheres de saia sentadas desajeitadamente no carpete de uma sala de embarque de aeroporto, equilibrando laptops ligados em poucas e preciosas tomadas. Ou ouvir sobre homens que montam uma pilha de travesseiros para improvisar uma mesa em uma cama de hotel.

Mas os hotéis e aeroportos estão gradualmente se ajustando ao fato de que os trabalhadores em trânsito precisam de mais ajuda para realizarem seu trabalho na estrada. Hotéis que atendem os viajantes que carregam laptops estão se esforçando para adicionar tomadas elétricas em lugares de fácil acesso, instalar melhor iluminação e projetar cadeiras com braços planos que possam servir como mesas.

Estão colocando pés com rodízio em mesas para que possam ser facilmente empurradas para a frente da televisão ou se estenderem sobre a cama. E talvez o mais importante para aqueles que viajam a negócios, algumas redes de hotéis estão instalando tecnologia para tornar seu serviço de Internet mais confiável ou contratando funcionários para oferecerem melhor suporte quando os hóspedes pedem ajuda.

Os aeroportos não fizeram tantas mudanças, apesar de alguns estarem acrescentando quiosques onde os passageiros podem recarregar os aparelhos, checar mensagens de e-mail ou comprar um flash drive para substituir aquele que esqueceram.

Não que se espere que aeroportos e hotéis ofereçam os mesmos serviços que as sedes das corporações, mas muitos dos que viajam a negócios apreciariam um maior foco em tarefas relacionadas ao trabalho.

"Há coisas que podem ser feitas, coisas que devem ser feitas e coisas que estão totalmente fora do controle deles", disse Henry H. Harteveldt, um analista da Forrester Research, em San Francisco, acrescentando que acesso confiável à Internet é a principal comodidade exigida pelos viajantes a negócios.

"A questão do suporte técnico é algo que os hotéis precisam melhorar", ele disse. "Se você faz o check in em um hotel cinco estrelas e precisa esperar 20 minutos para falar com alguém sobre um problema de suporte técnico e tal pessoa não pode ajudá-lo, isto cai mal para o hotel."

Tendo tais situações em mente, a Hilton Hotels Corporation está formando um suporte técnico interno, contratando cerca de 40 funcionários para lidar com as chamadas dos hóspedes dos 215 hotéis já convertidos ao seu programa "Stay Connected@Hilton", que também envolve atualizações de hardware e rede. A meta é que todos os hotéis norte-americanos da Hilton já estejam participando até o final do próximo ano.

"Ninguém entende melhor de servir nossos hóspedes do que nossos funcionários", disse David Byerly, o diretor sênior de suporte global da Hilton, explicando que permitir que os hotéis escolhessem seus próprios prestadores de serviço levou a um serviço inconsistente.

A rede de hotéis W da Starwood Hotels and Resorts está trabalhando com o Geek Squad da Best Buy para lidar com os problemas de tecnologia de seus hóspedes que seus funcionários não conseguem resolver, e a Marriott International está gradualmente substituindo os cabos de modems nos quartos por novas caixas capazes de lidar com mais dados com menos problemas.

Até mesmo as tomadas elétricas estão recebendo muito mais atenção atualmente.

"Ninguém mais quer se arrastar pelo chão à procura de tomadas", disse Ross A. Klein, presidente do Starwood Luxury Brands Group. O Starwood planeja instalar tomadas nas mesas ou perto delas em seus hotéis W e Aloft.

O Marriott também está incorporando tomadas em suas mesas, cabeceiras e abajures, assim como instalando luminárias próximas -reconhecendo que muitos viajantes trabalham em seus computadores na cama.

John Wolf, um porta-voz do Marriott, disse que a empresa tropeçou em outra revelação que no final levou à criação de mesas móveis para seus hotéis Courtyard by Marriott e TownePlace Suites.

"Quando testamos nossa nova roupa de cama, nós descobrimos que as pessoas estavam pegando os travesseiros decorativos e os estavam usando para se acomodarem e apoiarem seu laptop", disse Wolf. "Elas estavam usando os travesseiros para criar uma mesa."

O hábito moderno de trabalhar em qualquer lugar exceto em uma cadeira em frente a uma mesa tradicional levou a algumas soluções criativas no setor hoteleiro.

O Holiday Inn Express Fifth Avenue, na Rua 45, perto da 5ª Avenida em Manhattan, fornece aos hóspedes uma mesa de cama para que possam trabalhar na cama, uma comodidade também oferecida pelos hotéis Hampton Inn.

O InterContinental criou uma poltrona estilo Adirondack para sua rede Hotel Indigo, que possui braços grandes e planos que podem equilibrar um laptop de um lado e uma bebida ou refeição do outro. E os Wyndham Hotels desenvolveram sua própria "poltrona inteligente", que oferece superfícies planas giratórias nos braços, assim como tomada e acesso a Internet embutidos na poltrona.

Apesar de os aeroportos estarem atrás dos hotéis no departamento de comodidade, alguns serviços estão surgindo, o que sugere uma maior conscientização dos desafios do escritório móvel para quem viaja a negócios.

A Samsung, por exemplo, está patrocinando dezenas de estações de recarga para eletrônicos nos aeroportos Dallas-Fort Worth, John F. Kennedy e Los Angeles International, e a Southwest Airlines adicionou mais tomadas e cadeiras para trabalhar como parte da reforma de sua área de embarque no Love Field, em Dallas.

Os passageiros geralmente podem recarregar seus aparelhos gratuitamente nestas estações, e em Dallas-Fort Worth há até mesmo alguns quiosques para checagem de e-mail sem a necessidade de pagar uma taxa.

Ainda assim, Kenneth Buchanan, vice-presidente executivo de administração de renda do Dallas-Fort Worth, disse que a pesquisa do aeroporto mostrou que os viajantes a negócios estão dispostos a pagar por acesso seguro e confiável à Internet. (Todo o aeroporto conta com cobertura Wi-Fi por meio de uma parceria com a T-Mobile; o acesso custa US$ 9,99 - R$ 17,6 - por 24 horas.)

O Dallas-Fort Worth também oferece máquinas que vendem fones de ouvido para eliminação de barulho, cabos e outros dispositivos, e o aeroporto planeja modernizar suas áreas de embarque para oferecer mais tomadas próximas dos assentos -um projeto grande, disse Buchanan, dado o tamanho e idade do aeroporto.

"Há 35 anos, não havia os aparelhos eletrônicos móveis que existem atualmente", ele explicou. "Nós precisamos nos adaptar às necessidades atuais dos usuários." George El Khouri Andolfato

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