O circo chega à cidade. Na verdade, seis deles

Glen Collins
New York Times News Service
Nova York

Durante três décadas, o Big Apple Circus praticamente foi dono da temporada circense de Natal de Nova York e apresenta seu espetáculo de um picadeiro no Damrosch Park do Lincoln Center desde 1980, após três anos em locais consideravelmente menos emblemáticos.

Em novembro de 2006, o Cirque du Soleil anunciou a criação de um novo show no Madison Square Garden e logo surgiram as comparações do tipo Davi versus Golias. O Cirque - o gigantesco e lucrativo circo com sede em Montreal que atualmente apresenta 15 espetáculos em todo mundo - estava entrando no território doméstico dos eventos beneficentes.

Mas este ano, em seu 30º aniversário, o Big Apple tornou-se inesperadamente apenas um dos circos, entre um número recorde de seis. O improvisado festival circense da cidade tem como atrações o show de US$ 20 milhões do Cirque du Soleil, "Wintuk"; um novo espetáculo do Apollo Circus of Soul no Harlem; o novo New Shangai Circus na West 42nd Street; o Circo Hermanos Vazquez em um estacionamento no Queens; e até mesmo um circo de felinos ("35 gatos! 1 cão! 5 palhaços!") chamado Moscow Cats Theather em TriBeCa.

"Nunca tivemos tantos circos nessa época", disse Daryl Roth, ex-integrante do conselho de direção do Big Apple que é o produtor de "Courtains" e "August: Ousage County,", ambos suspensos por causa da greve dos teatros da Broadway.

Mas será que existem tantos nova-iorquinos amantes de circo e compradores de ingressos que anseiam pelo que parece a chegada de milhares de palhaços?

Gay Dunning, diretor executivo do Big Apple, afirma que só o tempo dará a resposta, uma vez que o gênero de circo familiar "é um mercado muito competitivo, e existem cerca de 400 mil outros ingressos à venda agora", graças a "Wintuk" e aos outros circos. Certamente, para esse nicho, a prolongada greve da Broadway só pode representar uma boa notícia. Turistas decepcionados, no final das contas, ficam com limitadas opções de entretenimento.

O Big Apple estendeu sua lona com 1.609 lugares no mês passado, como de costume, e conquistou críticas entusiasmadas pelo show "Celebrate!". Grandma, o veterano palhaço do espetáculo, comanda um programa familiar, apresentando um gato, 9 cães, 7 cavalos e 42 pessoas que incluem contorcionistas, equilibristas, malabaristas, artistas que se equilibram na corda bamba e em gangorras. O preço dos ingressos vai de US$ 28 a US$ 84, com alguns lugares especiais a US$ 125.

O "Wintuk" começou sua temporada este mês com críticas variadas no WaMu Theater no Madison Square Garden. O vasto espaço teve sua capacidade reduzida em mil lugares por causa da extensão do palco de 51 metros de largura do "Wintuk" e agora está com 4.500 assentos. Os patrocinadores estão pagando de US$ 40 a US$ 120 e os lugares mais caros saem US$ 200.

O espetáculo apresenta telas de fundo com animação computadorizada, seis peludos filhotes brancos de "cães de neve," um coro de postes cantantes e dançarinos de quase quatrometros de altura, e ameaçadores gigantes de gelo de 4,2 metros de altura. Além de uma equipe de apoio de 100 pessoas, o elenco de 48 inclui 16 marionetes, contorcionistas, equilibristas, acrobatas, malabaristas, skateboarders e patinadores - sem falar nos 100 milhões de flocos de neve de papel que deverão ser despejados durante as 10 semanas em que durará a temporada.

Os US$ 20 milhões gastos na criação do "Wintuk" são modestos, em comparação com os US$ 100 a US$ 200 milhões que a companhia gasta para os shows de Las Vegas, mas representa oito vezes mais que os US$ 2,5 milhões que o Big Apple gastou na sua produção.

Na outra ponta do espectro, o Circo Hermanos Vazquez é um espetáculo ambulante com 30 integrantes e tem 10 cães, 2 cavalos, 2 camelos e 2 zebras, e montou sua lona em um estacionamento perto da estação de metrô do Shea Stadium no Queens. Encerrou no sábado a sua temporada de cinco semanas.

E atualmente, seguindo as pegadas de seus gatos, o Moscow Cats Theather apresenta felinos acrobatas balançando, dançando, saltando, escalando e pilotando uma corda bamba de um metro e meio. Também há palhaços, humanos; todos se apresentam no TriBeCa Performing Arts Center, com 262 lugares, no mínimo até o final de dezembro.

Outro concorrente acaba de iniciar suas apresentações e um novo virá em breve. O Apollo Circus of Soul, que fez sua estréia no Apollo Theather na 125th Street no dia 23 de novembro, tem 45 artistas, incluindo 6 músicos. "Desta vez, esperamos que essa diversão de alto astral para a família dê às pessoas uma razão para vir ao Harlem," disse Cal Dupree, co-produtor e animador circense, cujo mantra é "Get your circus on!" (algo como "vista seu circo!").

A produção de US$ 1 milhão tem acrobatas hip-hop, dançarinos africanos e tambores, saltadores de cordas e trapezistas.

E na sexta-feira, o New Shangai Circus vai estrear no New Victory Theather na West 42nd Street.

Os 20 acrobatas da troupe, trapezistas, equilibristas de corda bamba, malabaristas, contorcionistas e especialistas em artes marciais "são atletas altamente preparados e os melhores artistas de todas as companhias acrobáticas chinesas que já vimos", disse Mary Rose Lloyd, a diretora de programação do teatro.

Os adeptos do Big Apple não estão afirmando que o Cirque du Soleil seja um estraga-prazeres por ir a Nova York no Natal. "A concorrência é inevitável", disse Roth. Mas a comerciante mais importante do Big Apple, Nancy Coyne, principal executiva da Serino Coyne Inc., defende firmemente a atuação do Big Apple, "que não é uma máquina de circo,", diz. "Nosso espetáculo não é uma produção em massa," afirma Coyne.

Gilles Ste-Croix, membro fundador do Cirque du Soleil e vice-presidente sênior, refuta idéia de que sua trupe estava visando o domínio do Big Apple no Natal e acrescentou que "nosso show é um acontecimento teatral, e nós não temos picadeiro e isso é muito diferente do que se ver o circo sob a lona."

"O Big Apple é realmente uma produção de boa qualidade," diz, "e acho que um complementa o outro."

O Apollo Circus of Soul também nega qualquer intenção de concorrência. "Não acreditamos estar desafiando o Big Apple," disse Cornell Nicholas, co-produtor do espetáculo, "porque no Apollo Theather, nós temos o nosso próprio nicho."... Claudia Dall'Antonia

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