Empresas oferecem investigação de DNA ao público

Eric Berger
do The New York Times News Service

Jack Grayson acaba de fazer 83 anos. Isso é ótimo, diz o bem-sucedido empresário de Houston, que supervisionou controles de preços no governo do presidente Richard Nixon. Grayson diz que quer viver até os 113 anos, e acredita que pode ir além de seu centenário com o uso de exames genéticos para descobrir quais são as doenças às quais ele é mais vulnerável.

Então, no ano passado, tornou-se o primeiro cliente da deCODEme, uma empresa com sede na Islândia, que oferece informações sobre a predisposição genética de uma pessoa frente 18 doenças, tais como diabetes tipo 2 e Alzheimer. O serviço custa US$ 985.

"Acho que estamos a um passo de um grande avanço para realmente saber mais a respeito de nós mesmos," disse Grayson. "Isso me dá a possibilidade de influir sobre o que acontecerá na minha vida."

Os custos cada vez mais baixos do seqüenciamento genético permitem que os consumidores, pela primeira vez, possam ter acesso às informações existentes dentro de suas células, que venham a dar pistas sobre quais as doenças que poderão afligi-los mais tarde na vida.

Desde o final de 2007, uma série de empresas tais como a deCODEme estão oferecendo o serviço. Duas empresas de Houston, SeqWright e Family Tree DNA, devem unir-se a ela daqui a algumas semanas.

"Realmente acredito que o mercado esteja pronto para esse tipo de serviço," disse o Dr. Fei Lu, principal executivo da SeqWright, fundada há uma década pelos geneticistas da Faculdade de Medicina Baylor.

Até agora, a empresa forneceu serviços de seqüenciamento para acadêmicos e clientes empresariais.O mercado de consumo pode na verdade estar pronto, mas alguns médicos reagiram com cautela.

A avaliação publicada na edição de 10 de janeiro do New England Journal of Medicine, que tem como co-autor o editor-chefe, Dr. Jeffrey Drazen, sugere que os médicos aconselham os pacientes preocupados com sua saúde a gastar seu dinheiro matriculando-se em uma academia de ginástica em vez de fazer testes genéticos.

"Para o paciente que indaga se tais serviços fornecem informações úteis para evitar doenças, a resposta prudente é: 'Não por enquanto - pergunte daqui a alguns anos'", diz o artigo.

As empresas de DNA dirigidas aos consumidores, que de modo geral não são regulamentadas pelo FDA (Food and Drug Administration, departamento que regulamenta a liberação de remédios e tratamentos nos EUA), também cometem erros em suas análises, acrescenta o artigo.

A Dra. Hope Northrup, que dirige o setor de genética pediátrica na Faculdade de Medicina da Universidade do Texas, em Houston, concorda. "Isso é realmente prematuro," ela afirma.

O problema, diz Northrup é que a capacidade de seqüenciar o DNA humano - ou seja, ler as 3 bilhões de "letras" que formam nossos genomas - ultrapassou a capacidade dos cientistas de interpretar o que toda essa informação genética representa.

Para os testes atuais, os pacientes retiram uma amostra de sua saliva e a enviam para a empresa de DNA. Um técnico coloca a amostra em um chip que "lê" mais de 1 milhão de letras do DNA, ou apenas uma em cada 3.000 letras do genoma humano inteiro. Para conter os custos, apenas uma pequena amostra é testada.

Pelo menos uma das empresas - a Knome, de Cambridge, Massachusetts - se oferece para decodificar o genoma inteiro de um paciente, por US$ 350.000. A SeqWright pretende em breve oferecer o mesmo serviço a um custo semelhante.

Mas por enquanto, uma pequena porção do genoma é uma amostra bastante grande, dizem as empresas, porque as letras do DNA que eles lêem são as que trabalhos científicos anteriores identificaram como sendo importantes para as doenças humanas.

Dessa forma, tais resultados, quando comparados com o banco de dados mantido e atualizado pela empresa, pode dar aos pacientes uma idéia do risco relativo sob condições específicas. Por exemplo, um paciente pode ter uma chance de 8% de desenvolver o mal de Alzheimer, em comparação com a média de 6% para a população em geral.

Mas os cientistas identificaram apenas um punhado dos defeitos genéticos que contribuem para o Alzheimer e as outras importantes doenças mais comuns, disse o Dr. John Belmont, professor de Genética na Faculdade de Medicina Baylor.

Juntar as peças do papel dos genes e as doenças humanas, portanto, continua sendo um enigma que os cientistas ainda precisam solucionar. E os genes que nós acreditamos serem importantes hoje, quando se trata de certas doenças, podem mostrar-se relativamente triviais.

Na verdade, os cientistas acreditam que dentro de cinco ou 10 anos estarão em uma posição muito melhor para fornecer resultados clínicos expressivos a partir de exames genéticos. "Obviamente, a interpretação de todos esses dados genéticos será a parte difícil, e temos muito trabalho à frente," disse Belmont.

"Eu tenho preocupações razoáveis de que a informação atualmente disponível possa ser mal interpretada, e precisamos deixar claro que os exames não são diagnósticos médicos," ele disse. "Ainda não chegamos lá, e não quero que as pessoas sejam seduzidas por anúncios de vendas que prometem coisas demais."

Um ceticismo semelhante deu as boas-vindas à primeira corrida real a empresas de análise de DNA para consumidores quando elas começaram a oferecer testes limitados com fins genealógicos, no início dessa década.

A empresa de Houston, Family Tree DNA, estava entre as primeiras a fazer isso, tendo iniciado seus negócios em 2000, e agora provavelmente é a maior empresa de análise de DNA de ancestrais. A empresa oferece serviços para pessoas que querem reconstituir suas árvores genealógicas. Com o tempo virá a aceitação da parte dos consumidores, disse Bennett Greenspan, presidente e principal executivo da empresa.

"Nossos clientes foram do ceticismo clássico à corajosa realização de exames" ele diz. "O teste tornou-se algo que é reconhecido como uma ferramenta para todo genealogista e para qualquer pessoa que queira ter uma conversação diferenciada num coquetel."

A empresa diz que testou o DNA de 340.000 pessoas e está apostando que a demanda do público vai explodir também para questões de saúde, apesar do ceticismo de alguns médicos. Greenspan disse que a Family Tree vai começar a fazer exames para genes de doenças específicas dentro de um ou dois meses. "Temos sido bombardeados por pedidos de nossos clientes para esse tipo de serviço nos últimos 18 meses", disse. Islandesa deCODEme faz exames genéticos para pessoas comuns; com o seqüenciamento do DNA clientes pode ter pistas sobre doenças. Outras empresas devem prestar o mesmo serviço em breve Tradução: Claudia Dall'Antonia

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