Agência de Proteção Ambiental dos EUA propõe novo limite para chumbo na atmosfera

De Matthew L. Wald
Em Washington

Pela primeira vez em 30 anos, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos propôs um novo limite para as concentrações de chumbo no ar. A agência recebeu ordem do judiciário para concluir a formulação de uma nova regra até 1° de setembro, devido a uma ação movida por ambientalistas.

No entanto, o ar deixou de ser a fonte mais comum de exposição ao chumbo, que pode provocar perda de QI, lesões nos rins e outros graves problemas de saúde. Em muitas localidades, a água e as tintas são fontes mais preocupantes deste elemento tóxico.

As emissões de chumbo na atmosfera caíram mais de 97% nos últimos 30 anos porque os Estados Unidos proibiram o chumbo como aditivo na gasolina. Essa medida foi tomada para permitir que os carros fossem dotados de conversores catalíticos que reduzem os ingredientes da poluição atmosférica e, como benefício extra, diminuem a quantidade de chumbo no ar.

Mesmo assim, altas concentrações de chumbo existem em certas áreas nas quais há usinas de aço, fundições de cobre, operações de mineração, incineradores de lixo e usinas de cimento, de acordo com Lydia Wegman, especialista do Departamento de Planejamento e Padrões da Qualidade do Ar. Além disso, ela afirma que gasolina com chumbo ainda é utilizada em pequenas aeronaves.

Dependendo do novo padrão estabelecido, as autoridades são capazes de identificar 24 condados que não estariam cumprindo a legislação. Mas elas não sabem ao certo quantos outros condados poderiam também ficar aquém das novas exigências, já que a rede de estações de monitoramento foi reduzida.

Dois condados -Jefferson, em Missouri, e Delaware, em Indiana- ainda violam o antigo padrão, que é de 1,5 micrograma por metro cúbico de ar.

Na última quinta-feira, a Agência de Proteção Ambiental propôs um novo padrão entre 0,1 e 0,3 microgramas por metro cúbico, um valor que fica entre um quinto e um quinze avos do nível anterior.

Robert J. Meyers, administrador para questões do ar e radiação, afirma que o padrão foi reexaminado no início da década de noventa, sem ter sido no entanto reformulado. No ano passado a Agência de Proteção Ambiental cogitou eliminar completamente esse padrão.

Avinash Kar, um advogado do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, diz que o seu grupo está satisfeito com o fato de a agência ter abandonado a idéia de abolir esse padrão. Mas ele afirma que o nível mais alto da faixa proposta, 0,3 microgramas, está acima daquele que é unanimemente recomendado pelo painel de assessores científicos externos da agência.

"De maneira geral, trata-se de um passo na direção certa, mas ainda há deficiências", diz Kar.

A senadora Barbara Boxer, a democrata da Califórnia que é presidente do Comitê de Meio-Ambiente e Obras Públicas no Senado dos Estados Unidos diz que o nível proposto é muito baixo para proteger as crianças. "Mais uma vez o governo Bush não deu atenção aos cientistas", critica Boxer. UOL

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