China vai retomar as negociações com o dalai-lama

New York Times News Service
Em Xangai (China)

A China anunciou no domingo que em breve retomará as conversações com os representantes do dalai-lama, semanas antes do início dos Jogos Olímpicos.

Segundo a agência noticiosa estatal Xinhua, o acordo para o reinício do diálogo no início de julho é resultado de um pedido do líder espiritual tibetano no exílio.

"Nossa porta sempre estará aberta para o diálogo com o Dalai Lama", afirma a agência, citando como fonte um porta-voz do governo. "O governo disse esperar que o dalai-lama aprecie muito essa oportunidade e dê uma resposta positiva às exigências das autoridades centrais", disse a Xinhua.

As negociações foram marcadas entre os dois lados no início de junho, mas foram canceladas depois do terremoto que atingiu a província de Sichuan no dia 12 de maio. As datas das novas conversações foram anunciadas durante a visita à China da secretária de Estado Condoleezza Rice. Os Estados Unidos e muitos outros países recomendaram à China que restabelecesse as discussões políticas com o dalai-lama para dar uma solução à crise tibetana.

Em março, rebeliões e tumultos alastraram-se pelo Tibete e províncias vizinhas depois da prisão em Lhasa, capital tibetana, dos monges que participaram de manifestações em busca do retorno do dalai-lama.

O governo da China respondeu a tais incidentes com uma severa repressão, na qual um número não determinado de pessoas foram mortas, feridas e presas.

Ante a deflagração do tumulto, o governo imediatamente fechou a província aos estrangeiros, incluindo jornalistas e outros observadores independentes. Na semana passada, o governo anunciou o reinício das visitas de turistas estrangeiros.

Altos funcionários chineses também parecem ansiosos em apresentar uma imagem de normalidade ao mundo exterior, com a proximidade do início dos Jogos Olímpicos em Pequim, no dia 8 de agosto. Após a repressão, vários líderes estrangeiros disseram que não iriam aos Jogos, a menos que houvesse uma substancial melhora na situação política no Tibete.

A China tem enfrentado uma oposição sistemática ao seu domínio sobre o Tibete desde que o dalai-lama fugiu para o exílio na Índia em 1959, após uma fracassada insurreição dos tibetanos.

Os grupos internacionais de defesa dos direitos humanos dizem que a China tem restringido severamente as liberdades religiosas no Tibete e colocou em vigor outras políticas que ameaçam a cultura nativa da região. Muitos tibetanos queixam-se de que os planos econômicos de Pequim para a província, oficialmente conhecida como uma "região autônoma", são baseados na migração acelerada para o Tibete de membros da etnia Han, majoritária na China.

O governo chinês acusa o dalai-lama de buscar a separação do país e dessa forma "dividir" a China. Autoridades chinesas também acusaram o Dalai Lama de arquitetar a insurreição de maio, uma acusação que o exilado líder tibetano nega. O dalai-lama também nega repetidamente que busque a independência para a província, insistindo que em vez disso defende uma "real e expressiva autonomia". Claudia Dall'Antonia

UOL Cursos Online

Todos os cursos