Autenticidade é uma prioridade para Michelle Obama

Suzanne S. Brown e Dana Coffield
Do Denver Post

Michelle Obama é tão dedicada às suas filhas quanto às aspirações presidenciais do marido.

Então, apesar de fazer campanha pelo país em nome do provável candidato democrata Barack Obama, ela tenta não passar mais do que uma noite longe de suas filhas, Malia, de sete anos, e Sasha, de dez anos, e prefere participar das viagens de um só dia.

Kathryn Scott Osler/The Denver Post 
Michelle Obama chega a Denver para mais um evento da campanha de seu marido

"Faço café da manhã para elas e as coloco na cama quando chego em casa. Elas não sabem onde eu fui e de fato não se importam", disse Michelle na quarta-feira (16) antes de um evento de 15 minutos com os doadores de Colorado que pagaram US$ 10 mil (em torno de R$ 16 mil) por pessoa pelo privilégio.

O evento, organizado no antigo Pinnacle Club, 37 andares acima da cidade, foi seguido de um coquetel que atraiu mulheres respeitadas na política e outros que contribuíram US$ 1.000 (cerca de R$ 1.600) cada para a campanha de Obama.

E, assim, a advogada de 44 anos formada em Princeton e Harvard e criada no lado sul de Chicago se vê ombro a ombro com altos círculos políticos enquanto tenta manter alguma normalidade para sua família - jogos de futebol inclusive.

"O engraçado é que o mundo se ajusta em torno das suas prioridades", diz ela. "Simplesmente temos que continuar vivendo nossas vidas. Porque Barack pode ir ao futebol (das meninas). Se não pedíssemos espaço, ele passaria o jogo inteiro tirando fotos e dando autógrafos, mas quando você fala com as pessoas, elas entendem."

Apesar de Michelle Obama se recusar a dar respostas de questões políticas, ela diz que aceitaria com prazer o papel de palestrante durante a Convenção Nacional Democrata em Denver no próximo mês. Contudo, até agora não foi convidada.

"Ainda não discutimos os detalhes", diz ela. "Mas farei o que puder para ajudar".

Caso se torne primeira dama em janeiro, ela afirma que se concentrará em criar as filhas e advogar por um equilíbrio mais humano entre o trabalho e a vida em família para milhões de famílias americanas em dificuldades.

Em mesas redondas em torno do país, as mulheres dizem que estão trabalhando mais duro do que nunca. Ainda assim, aponta ela, "não conseguem pagar a mercearia e não conseguem colocar gasolina em seus carros e não sabem como vão sair dessa situação. Eu acredito que é com isso que o povo americano está se preocupando o hoje."

"Para mim, essas são questões que transcendem raça, classe sócio-econômica e religião", fala. "Se pudermos unir as mulheres e admitir como as coisas ficaram difíceis, então talvez poderemos começar a encontrar algumas soluções."

A vida de Michelle Obama como esposa política contemporânea algumas vezes foi difícil. Sua carreira foi toda avaliada. Os artigos que escreveu na faculdade foram analisados; o soquinho amigável que algumas vezes da em seu marido no palco foi julgado. E, nesta semana, ela e Barack Obama foram caricaturados na capa da "New Yorker" como um casal de terroristas.

Durante todo esse tempo, ela relutou em mudar de tom.

"Seria difícil para mim me editar e ainda ser eu mesma", diz ela. "E acho que, no final, é isso que os eleitores merecem e é o que querem. Sinto que é meu dever assegurar que as pessoas saibam quem eu sou e depois fazerem uma decisão clara e informada, baseada na verdade de quem eu sou."

Ela diz que espera que sua autenticidade seja sentida na campanha.

"O que eu acho que as pessoas devem saber sobre eu e Barack é que o que vêem quando nos encontram é realmente quem somos. Quando eu vejo Barack na televisão e nas entrevistas, vejo sua decência e humor. E penso: 'Esse é o meu marido. Eu o reconheço'. É isso que eu tento fazer, quero que meus amigos e minha família me reconheçam."

"Acho que quando me sento em uma sala com as pessoas, ou quando estou falando, seja para uma grande multidão ou para um pequeno grupo, as pessoas saem com uma sensação de que me conhecem - não apenas como Michelle Obama, mas como uma pessoa com quem cresceram juntos e cujos valores reconhecem, cujas lutas reconhecem." Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos