Momentos olímpicos: o que acontece depois?

Vincent M. Mallozzi

Lisa Lax e Nancy Stern passaram os últimos 14 meses se preparando para um evento de 45 minutos nos Jogos Olímpicos de Beijing. "Considerando todos os atletas envolvidos, transformar esse sonho em realidade foi uma tarefa acima de tudo intimidante", disse Stern, com os olhos pesados de cansaço.

Lax e Stern, gêmeas idênticas de 43 anos de idade, passaram a maior parte da semana passada resolvendo os últimos detalhes de um documentário que elas dirigiram, "Let It Out: The Movie". Ele cobre alguns dos momentos mais dramáticos e dolorosos da história olímpica, e conta como esses momentos afetaram as vidas dos atletas, de suas famílias, e dos fãs que torciam por eles.

A estréia do documentário está marcada para 11 de agosto no centro de negócios e hospitalidade do Comitê Olímpico dos EUA em Beijing. Ele será exibido em 13 de agosto em apenas 25 cinemas dos Estados Unidos, e a partir do dia 14 de agosto, poderá ser visto com exclusividade no site letitout.com.

"Quando Eruzione saiu do canto para marcar aquele gol, foi como um foguete disparado do meio do gelo", diz um fã de hóquei no filme, referindo-se a Mike Eruzione, que levantou os Estados Unidos para derrotar os soviéticos em 1980 em Lake Placid, Nova York.

Lax e Stern, co-fundadoras da Lookalike Productions, dividem a mesma visão sobre o documentário. "Queríamos contar essas histórias de uma forma diferente e criativa", disse Lax. "Então escolhemos contá-las do ponto de vista dos fãs, e dos próprios atletas enquanto fãs. Acho que não há nenhum outro filme parecido com esse".

Na segunda-feira passada, as irmãs saíram de uma pequena sala de produção em Lower Manhattan cheia de telas de TV e editores. Lax usava óculos e Stern não, o que tornou mais fácil saber quem era quem. "Depois de assistir cerca de 300 horas de histórias, estamos apenas dando os toques finais ao filme", disse Stern. "Esperamos que quando estréie ele sirva como uma grande fonte de inspiração."

"Let It Out" inclui entrevistas com 12 fãs e 16 atletas, entre eles Julie Foudy, que ajudou o time de futebol dos EUA a ganhar a medalha de ouro olímpica em 1996 e 2004.

"É com ter uma perspectiva em primeira mão de alguém que viveu aqueles momentos, só que anos depois", disse Foudy. "Espero que todos os que assistirem fiquem inspirados o suficiente para superar obstáculos em suas vidas e sonhar mais alto do que jamais sonharam."

No documentário, Foudy, Mia Hamm, Kristine Lilly, Joy Fawcett e Shannon MacMillan descrevem seus altos e baixos emocionais - elas ganharam apenas uma medalha de prata em 2000 - e as ligações que formaram ao longo dos anos.

"Todas essas mulheres, durante quase uma década, influenciaram minha vida doméstica", disse uma fã de futebol feminino acompanhada de suas duas filhas pequenas.

Outras memórias que causam emoção - a fabricante de lenços de papel Kleenex, apropriadamente, é dona do filme - envolvem a ginasta Kerri Strug, que foi bem sucedida em seu segundo salto apesar de um tornozelo machucado nos jogos de Atlanta em 1996, e os irmãos Jackie Joyner-Kersee e Al Joyner, que saíram da pobreza para se tornar atletas olímpicos consagrados.

O filme também mostra uma enfermeira que compara o ato de guiar uma mulher grávida durante o parto ao trabalho de treinar atletas olímpicos para a vitória, e uma sobrevivente de câncer nos seios que discute como o pensamento positivo pode ajudar uma pessoa a passar pelos desafios mais difíceis, seja a luta contra o câncer ou uma medalha de ouro.

Talvez a cena mais dolorosa seja um close de Tonie Campbell, medalhista de bronze nos 110 metros com barreira em 1988 em Seul, na Coréia do Sul. Para ele, o maior momento olímpico veio depois que o corredor britânico Derek Redmond parou no meio da corrida por causa de uma lesão muscular durante a semifinal dos 400 metros em 1992.

"O pai dele chegou para ele e disse, 'Sou eu, filho, estou do seu lado'", disse Campbell no filme, segurando o choro. "Ele disse, 'Vamos fazer isso juntos', e os dois terminaram a corrida juntos. Esse foi o momento."

Lax e Stern são ambas casadas, têm filhos e vivem em Nova Jersey. As duas foram jogadoras amadoras de lacrosse (esporte americano com
raquetes) na Universidade Tufts, onde também jogaram squash e tênis. Fizeram carreira na indústria audiovisual, Lax como produtora e diretora da NBC e Stern como produtora e diretora de filmes e produtora de eventos ao vivo. Juntas já ganharam 16 prêmios Emmy.

"Somos duas fãs de esporte, e grandes fãs das Olimpíadas, que por acaso gostam muito de fazer filmes", disse Lax. "Existe alguma forma melhor de juntar tudo o que mais gostamos do que fazer um filme como esse?" Eloise De Vylder

UOL Cursos Online

Todos os cursos