Alguns republicanos afro-americanos dizem apoiar McCain

Jonathan Gurwitz, do San Antonio Express-News
Em St. Paul (Minnesota)

Durante a era P.S.P. (pré-Sarah Palin), a campanha de 2008 para a Casa Branca era a corrida que não estava ligada à raça. Lembra-se do pastor Jeremiah Wright - e de sua eventual rejeição por Barack Obama? Ou das reputações prejudicadas de Geraldine Ferraro e Bill Clinton, que sofreram por causa de comentários considerados pelos críticos racialmente insensíveis?

Apenas uma semana atrás, os lados de McCain e Obama trocaram acusações sobre dar a cartada da raça.

Antes da histórica e polêmica nomeação de Sarah Palin para a vice-presidência, havia a nomeação presidencial histórica, embora menos polêmica, de Barack Obama. E sugados para o remoinho racial da candidatura pioneira de Obama estão os negros republicanos.

Michael Williams, o popular presidente da Comissão Ferroviária do Texas, vem maravilhando as multidões republicanas em todo o Estado da Estrela Solitária há mais de uma década. Ele foi o primeiro afro-americano na história do Texas de qualquer partido a se eleger para um cargo executivo estadual. Na quarta-feira à noite, teve o privilégio de nomear formalmente John McCain candidato a presidente dos EUA na Convenção Republicana Nacional.

Williams, falando em uma entrevista prévia, admitiu que os afro-americanos votarão majoritariamente em Obama. "Embora eu também esteja enormemente orgulhoso do que o senador Obama fez, e reconheço a natureza histórica de sua candidatura, as campanhas vão além da política de identidade. Elas são sobre idéias e valores."

Nesse sentido, Williams diz que um abismo o separa do candidato democrata.

As mesmas idéias e valores conservadores foram o que atraiu Johnny Lovejoy para o Partido Republicano. Como estudante colegial em Vermont, Lovejoy aderiu à revolução de Reagan. Um período na Força Aérea o levou a San Antonio, onde ganhou a eleição para a Comissão Executiva Republicana estadual.

Por que ele apóia McCain? "Óbvio - porque ele não é Barack Obama."

Lovejoy está irritado com a suposição de que por ser afro-americano deveria votar em Obama, um sentimento manifestado por outros negros republicanos.

Quando ele expressa seu apoio a McCain, Lovejoy diz que a reação que costuma receber é de "ódio total".

Bill Calhoun, de Houston, enfrenta o mesmo estereótipo. Ele é presidente da Federação Texana de Republicanos Negros, que possui mais de mil membros em todo o estado. Mas afirma ser imune ao veneno que muitos membros de sua organização costumam encontrar.

Calhoun é um antigo membro da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês), freqüentou o Prairie View A&M, uma faculdade historicamente afro-americana, serviu no conselho do único banco de propriedade de afro-americanos no Estado e está profundamente envolvido em atividades comunitárias.

Quando as pessoas desafiam sua política, ele conta uma história pessoal.

"Eu vejo a coisa do ponto de vista de como meu pai me criou. Meu pai era um meeiro no condado de Kaufman, Texas. Eu cresci em uma cidade segregada de cerca de 200 pessoas. Mas a neta dele está fazendo mestrado em Harvard. Isso aconteceu porque meu pai me incutiu um sentido de independência no qual eu ainda vivo. Seria um sinal de desrespeito por tudo o que meu pai me ensinou... um desserviço ao meu pai apoiar as políticas de Barack Obama só porque ele é negro."

A vasta maioria dos eleitores negros em 2008 tomará a decisão a favor de Obama. Mas Calhoun diz que alguns o farão pelo motivo errado. "Estou mais interessado em ser o filho do meu pai do que em ser o irmão de Obama", ele diz. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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