Democratas foram magistrais na conquista do voto latino

Gary J. Andrés
Em Washington (EUA)

Comparando os mapas eleitorais de 2004 e 2008, parece que a cor azul dos democratas está se espalhando da Costa do Pacífico para o leste.

Há quatro anos, as Rochosas formavam um paredão vermelho - um reduto republicano separando as montanhas do Oeste da tradicional faixa azul de força democrata que se estendia do Estado de Washington até o sul da Califórnia. Mas agora parece que alguém abriu um buraco na Divisão Continental - espalhando a tinta política através do granito e mudando Estados como o Colorado, Novo México e Nevada de vermelho para azul, custando aos republicanos 19 votos muito necessários.

Mesmo que todos os demais Estados votassem da mesma forma que em 2004, a vitória nesses três Estados bastaria para garantir a vitória de Barack Obama no Colégio Eleitoral. (Os democratas receberam 252 votos eleitorais em 2004; o acréscimo destes três Estados elevaria o total a 271.) No outro lado, no Leste, em Estados como Flórida, Virgínia e Carolina do Norte, a tinta azul também se infiltrou do Atlântico, transformando o que poderia ser uma disputa acirrada em uma vitória folgada no Colégio Eleitoral.

Os latinos - particularmente os novos eleitores imigrantes - representaram um denominador comum por trás da vitória de Obama em todos esses Estados. Mas seu sucesso não foi acidental e nem mágico. Uma estratégia bem coordenada por grupos independentes, atuando ao longo dos últimos anos, contribuiu para estes ganhos.

Os democratas merecem crédito por aumentarem suas margens entre todos os segmentos de eleitores em comparação a 2004. Ricos, pobres, urbanos, rurais, conservadores, liberais e moderados, todos apoiaram a chapa democrata em percentuais maiores do que há quatro anos. Mas nenhum grupo cresceu mais em prol de Obama do que os latinos. Segundo a Pesquisa Pew, Obama aumentou seu percentual de votos dentro da comunidade em espantosos 13 pontos em comparação a John Kerry há quatro anos - o maior ganho dentro de qualquer grupo demográfico.

Uma organização que reivindica crédito por aumentar o comparecimento dos latinos e imigrantes é a We Are America Alliance - uma coalizão de 14 parceiros nacionais coordenando um extenso esforço de mobilização das bases concentrado em cidadania, registro de eleitores e programas para estimular o comparecimento dos eleitores para votar. Alguns grupos envolvidos na parceria incluem a Associação Nacional das Autoridades Latinas Eleitas e Nomeadas, a Iniciativa Latina do Colorado, o Fundo Educacional Mia Familia e o Democracia USA.

A aliança realizou uma coletiva de imprensa por telefone na semana passada para divulgar seu sucesso. Ouvir sobre suas táticas e os recursos que dedicaram a esta campanha deveria preocupar os republicanos. O Partido Republicano não possui nada que se aproxime dos esforços desta coalizão - e os resultados eleitorais comprovam.

Este é um esforço de longo prazo altamente sofisticado. A aliança encoraja seus parceiros a participarem diretamente na comunidade latina, a se envolverem nas questões locais para desenvolver a confiança daqueles que normalmente estão desligados do processo político. Uma tática comum é registrar os eleitores quando saem das cerimônias de naturalização, como um participante notou na teleconferência. Outro argumentou que os eleitores imigrantes e latinos confiavam nos membros da aliança porque viram sua informação circulando na comunidade.

"Nós visamos as pessoas desde cedo", disse Dusti Gurule, diretora executiva da Iniciativa Latina no Colorado, na teleconferência. "Nós temos programas para pessoas com 14 anos. Elas não podem votar, mas seus pais e parentes podem." Os resultados da aliança foram particularmente impressionantes em Estados-chave indefinidos.

Considere quatro Estados onde Bush venceu em 2004 e Obama neste ano.

No Colorado, o percentual dos latinos no eleitorado geral aumentou de 8% em 2004 para 13% em 2008.

No Novo México, o percentual saltou de 32% para 41%. Nevada revela um padrão semelhante, onde a fatia do eleitorado representada pelos latinos aumentou de 10% em 2004 para 15%.

Na Virgínia, os latinos foram responsáveis por 5% do eleitorado total no Estado; eles representavam um percentual insignificante em 2004.

No geral, a aliança diz que gastou mais de US$ 16 milhões em eleitores imigrantes e com baixa propensão de votar e, ao fazê-lo, mudou a natureza do mapa eleitoral.

Elaborar uma mensagem mais atraente para os latinos no futuro é um assunto que merece debate detalhado. Mas também está claro que os republicanos foram vítimas de um golpe organizacional bem orquestrado que minou ainda mais o sucesso do partido juntos aos eleitores latinos. Os republicanos foram pioneiros nos esforços para uso da tecnologia que chamaram de microdirecionamento para identificar, registrar e mobilizar eleitores ao longo da última década. Os democratas e seus grupos aliados agora tiraram o atraso.

Para seu crédito, eles escolheram um grupo demográfico localizado estrategicamente em Estados indefinidos - uma tática que mudou a imagem do mapa eleitoral e elegeu Obama. George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos