Rússia passa por maré baixa na produção de bons patinadores

John Henderson Do The Denver Post Em Los Angeles

O Yubileyny Sports Palace em São Petesburgo, Rússia, é uma pilha redonda de concreto que simboliza tanto a antiga União Soviética quanto a foice e o martelo.

Ele foi construído em 1967 como um presente da Federação dos Sindicatos para a cidade, no 50º aniversário do poder soviético.

Nos tempos soviéticos, o esporte era o tapete vermelho do comunismo e a patinação no gelo era sua bela anfitriã. Se todos os grandes campeões que patinaram e treinaram no Yubileyny se reunissem lá ao mesmo tempo, o gelo ficaria lotado.

Mas numa manhã gelada há dois meses, o gelo do Yubileyny era um símbolo apenas do passado e do futuro da patinação, e não do seu presente. Lá estava Evgeni Plushenko, campeão olímpico e três vezes campeão mundial de 26 anos, fazendo saltos triplos. Ao redor dele havia um grupo de crianças russas de 5 a 15 anos, fazendo piruetas com uma diversidade de habilidade e beleza.

Os patinadores adolescentes e de vinte e poucos anos, que deveriam estar competindo por mais títulos naŽultima semana no Campeonato Mundial em Los Angeles, não estavam por ali.

Desde as Olimpíadas de Inverno de Turin em 2006, os patinadores russos parecem ter ido para o exílio. O país que dominou o esporte por décadas agora está tentando se recuperar. A saber:

- Patinadores russos ou soviéticos ganharam as últimas cinco medalhas de ouro olímpicas, mas não conseguiram ficar acima do 15º lugar nos dois últimos campeonatos mundiais. Seu melhor patinador em Los Angeles é Sergie Vornov, em 13º lugar.

- Nas últimas quatro Olimpíadas, patinadoras russas ou ucranianas ganharam medalhas de ouro, prata e bronze, mas a russa melhor colocada nos dois últimos campeonatos mundiais ficou em 13º lugar. Alena Leonova, que tem atualmente o 13º lugar, é a russa mais bem colocada hoje e a única entre as 20 melhores.

- As duplas russas ganharam medalha de ouro nas últimas 12 olimpíadas.
Mas nos dois últimos campeonatos mundiais, ficaram com apenas uma medalha. O país não tem nenhuma dupla acima da quarta posição.

- Os patinadores artísticos russos ganharam cinco dos últimos seis ouros olímpicos, mas só uma medalha nos dois últimos campeonatos mundiais. Os segundos do ranking, Oksana Domnina e Maxim Shabalin, que ficaram em primeiro lugar depois da dança compulsória de terça-feira, são os únicos russos favoritos para a medalha esta semana.

"É muito triste", diz Oleg Vasiliev, que treinou Tatiana Totmianina e Maxim Marinin para o ouro na prova de casais na Olimpíada de Turin.
"Nos últimos 40-50 anos, a patinação artística russa foi dominante.
Fico constrangido quando nossos patinadores lutam por um lugar entre os dez melhores".

O desempenho fraco é um resultado direto dos problemas econômicos.
Quando a Perestroika concluiu a passagem do comunismo para o capitalismo em 1991, a economia russa caiu vertiginosamente. Em 1994, a inflação havia subido para 224% e o rublo havia caído 27%.

Os técnicos russos, como Vasiliev, foram para o exterior para ganhar a vida.

"Não é possível separar o esporte do resto da vida na sociedade", diz Alexei Mishin, que treinou três campeões olímpicos russos. "Quando há problemas econômicos na sociedade, o esporte também enfrenta problemas".

A vida de nenhum outro atleta russo mudou mais do que a dos patinadores artísticos. Junto com a equitação, é o esporte mais caro nas Olimpíadas. Elena Garanina, patinadora artística da URSS nos anos 70 e 80, disse: "Quando eu patinava, tudo era de graça. Gelo de graça.
Patins de graça. Roupas de graça. Agora é diferente. Eles têm de pagar por tudo. Quando ganham uma medalha, só então ganham dinheiro".

Quão profundo é o vazio na patinação russa de hoje? A russa que está em quarto lugar no ranking de duplas chama-se Yuko Kawaguchi.

"Perdemos seis ou sete anos de jovens patinadores", disse Vasiliev.
"Perdemos uma geração... Agora temos que convidar patinadores de fora para cobrir o buraco."

Entretanto, os russos dizem que os sinais indicam uma virada. Depois que quase venceram as Olimpíadas de Inverno de Turin, os programas de patinação invadiram a televisão russa. As mães começaram a levar seus filhos para os rinques de novo. A Rus Telecom assinou contrato como principal patrocinadora. O primeiro-ministro Vladimir Putin prometeu mais dinheiro.

E o talento jovem está no horizonte. Liza Elizabet Tuktamasheva ficou em segundo lugar no campeonato nacional russo em dezembro. Ela tem 12 anos.

"O futuro é promissor", diz Tamara Moskvina, que treinou quatro campeões olímpicos. "Há muitos patinadores indo para o rinque. O governo está construindo rinques. A quantidade será transformada em qualidade".

Tradução: Eloise De Vylder

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