Norte-americanos devem menos, mas isso não é totalmente uma boa notícia

Floyd Norris

Os consumidores americanos estão devendo menos do que há um ano. Antes da atual crise financeira, isso seria impensável.

Os números divulgados nesta semana pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostraram que os americanos deviam US$ 10,8 trilhões em hipotecas no final do terceiro trimestre, uma redução de 2,2% em comparação ao ano anterior e o nível mais baixo desde meados de 2007.

De forma semelhante, o Fed disse que as dívidas ativas em cartão de crédito totalizavam em outubro US$ 888 bilhões, uma redução de 8,5% em comparação ao ano passado. Esse número é o mais baixo desde março de 2007.

Mas essas tendências não necessariamente indicam que os americanos pagaram suas dívidas e estão começando a levar as vidas mais frugais recomendadas por alguns planejadores financeiros há anos. Sem dúvida ocorreu um pouco disso, mas os declínios também indicam que os bancos foram forçados a cancelar muitas dívidas ruins e se tornaram mais rígidos na concessão de crédito.

O cancelamento de cartões de crédito pelos bancos aumentaram, para uma taxa anual de 10,2% no terceiro trimestre deste ano.

E a Associação dos Banqueiros Hipotecários informou que, no final do terceiro trimestre, 4,5% de todas as hipotecas foram executadas -uma entre 22 hipotecas. Ela disse que outras 6,1% -uma entre 16- estão com pelo menos dois meses de pagamento atrasados. Esses números são para todas as hipotecas, não apenas para as subprime (de risco).

Até que ponto os americanos estão realmente cortando suas despesas poderá ficar claro nesta temporada de compras de fim de ano, quando decidirem quanto dinheiro gastar. E se confiarmos no que dizem as pesquisas, eles vão gastar menos.

Uma pesquisa envolvendo 7.500 americanos em novembro, realizada para a Alix Partners, uma firma de consultoria de negócios, revelou que as pessoas esperam poupar 15% de sua renda ao término da recessão. Isso representa três vezes mais do que a atual taxa de poupança, como refletido nos números do governo. Ao serem perguntados sobre qual era sua maior preocupação financeira, 18% citaram a redução de sua dívida, mais do que qualquer outra opção.

Para algumas pessoas, gastar menos ocorrerá simplesmente porque agora elas dispõem de menos crédito. Coletivamente, os americanos ainda têm acesso a trilhões de dólares, mas os números caíram à medida que os bancos reduziram ou eliminaram linhas de crédito para muitos clientes.

Os bancos, coletivamente, relataram US$ 3,4 trilhões em linhas de crédito não utilizadas no final de setembro, segundo um levantamento pela Foresight Analytics dos relatórios dos bancos ao Seguro Federal de Depósitos Bancários. Isso representa uma redução de 28% em relação ao pico de US$ 4,7 trilhões, atingido em meados de 2008.

Os bancos informaram que os empréstimos imobiliários ativos caíram apenas 1% em relação ao pico, para US$ 667 bilhões. Mas as linhas não utilizadas de crédito imobiliário chegaram a US$ 539 bilhões, o mais baixo desde 2005 e uma queda de 25% em relação ao pico atingido no final de 2007.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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