Após tentativa de atentado, cidadãos vivem estado de alerta máximo em Nova York

Michael M. Grynbaum e Michael S. Schmidt

  • AP

    Policial examina carro-bomba abandonado na Times Square, local de grande movimento em NY

    Policial examina carro-bomba abandonado na Times Square, local de grande movimento em NY

O cheiro acre significava que algo estava errado, talvez perigosamente errado, e John Schneider, sentado à mesa do seu superintendente, na segunda-feira, em um prédio comercial na Rua 40 Oeste, bem perto de Times Square, imediatamente olhou para fora. De um bueiro aberto subiam chamas até a altura de um prédio de três andares.

A primeira coisa que passou pela cabeça de Schneider foi como garantir a segurança dos locadores dos escritórios do prédio. A segunda coisa foi: “Isso é interessante, especialmente depois daquilo pelo qual passamos no fim de semana”, disse ele mais tarde.

Menos de 48 horas antes, um veículo Nissan Pathfinder foi encontrado cinco quarteirões ao norte do edifício de Schneider, contendo na parte traseira uma bomba improvisada e tosca. E, embora a explosão do bueiro na segunda-feira tivesse sido provocada por um cabo elétrico defeituoso, o fato demonstra o nível de alerta dos novaiorquinos ao retornarem, talvez um pouco intranquilos, às suas rotinas.

“Não estamos acostumados a isso, mas a gente acaba se acostumando”, disse Schneider, um nativo de Nova York, no lobby do seu prédio, na Rua 40 Oeste, Nº 218, que foi evacuado. “A gente não se desespera mais. Apenas tentamos nos adaptar a qualquer que seja a situação”.

Na segunda-feira, as medidas de segurança foram intensificadas em aeroportos, estádios, sistemas de trânsito e na Times Square, à medida que os investigadores continuavam procurando um perpetrador, e os novaiorquinos, acostumados a interrupções, seguiam com as suas tarefas diárias.

Na esquina da Rua 45 Oeste com a Broadway, onde o carro-bomba foi encontrado, alguns policiais podiam ser vistos, mas em uma quantidade que não era superior àquela que pode ser presenciada no local em uma tarde típica de segunda-feira.

Mas, por trás dos bastidores, havia pequenos indícios do trabalho mais amplo que estava sendo conduzido. No mesmo quarteirão, o atendente de um pátio de estacionamento tinha uma nova responsabilidade. Segundo ele, por ordens da polícia, o porta-malas de cada carro estava sendo revistado.

“É a primeira vez que isto ocorre desde 11 de setembro de 2001”, disse o atendente, que não quis fornecer o seu nome.

Passageiros de trens que vinham de Connecticut e de Westchester County, lendo as notícias sobre o carro-bomba durante a viagem matutina até Midtown, foram solicitados pela Metro-North Railroad a fazerem a sua parte. “Ao saírem, removam jornais e lixo dos trens”, podia-se ler em um letreiro eletrônico. “Assim, nós seremos capazes de identificar mais rapidamente qualquer objeto suspeito”.

Os condutores de trens foram instruídos a ler a mensagem durante a hora do rush matutino.

“Esse é o aviso usual, e ele parece ser muito oportuno”, disse Marjorie Anders, uma porta-voz da companhia ferroviária (os condutores da Long Island Rail Road mantiveram-se em silêncio quanto ao assunto).

Medidas de segurança mais rigorosas foram introduzidas nos portões de embarque dos aeroportos ao longo da costa leste dos Estados Unidos. As autoridades descreveram as novas medidas como aleatórias. Algumas eram facilmente percebidas, outras não.

Os passageiros que chegavam no Aeroporto Internacional Kennedy na tarde da segunda-feira vindos de Boston, no entanto, não tinham dúvidas de que estavam presenciando algumas das medidas de segurança mais estritas já aplicadas.

Jim Stevens, 40, um especialista em softwares que mora em Boston e que tinha acabado de desembarcar de um avião da JetBlue, contou que os seguranças do aeroporto confiscaram a garrafa de xampu de 280 ml que ele levou consigo em quase 20 voos nos últimos quatro meses. Ele nunca antes teve problemas com isso.

“Não foi nada demais”, disse Stevens. “Foi apenas um fato incomum”.

Seguranças vasculharam a bagagem de mão de Fernanda Torres, uma jornalista brasileira, após identificarem um objeto suspeito (o objeto era uma tijela de vidro). E eles também conduziram um cão pastor alemão até uma área de recuperação de bagagens para que o animal farejasse uma mochilha que fora deixada em um banco.

Após a noite de sábado, o Departamento de Polícia de Nova York enviou mais policiais para Times Square, Midtown e o sistema de metrô, segundo Paul J. Browne, o porta-voz do departamento.

“Isso foi feito com o objetivo de tranquilizar a população, e não devido a qualquer dado específico de inteligência”, disse Browne.

Imediatamente após a polícia ter descoberto a bomba em Times Square, centenas de policiais foram enviados aos monumentos da cidade e aos locais que foram alvos de ameaças no passado, incluindo o Empire State Building, o Yankee Stadium e a Bolsa de Valores de Nova York, para procurarem outros carros-bombas, disse Browne.

No domingo, havia policiais adicionais no Yankee Stadium para o jogo da equipe local contra o Chicago White Sox, segundo uma fonte. Não se sabe se havia mais policiais do que o comum no estádio para o jogo da noite de segunda-feira contra o Baltimore.

Não havia nenhuma sensação perceptível de uma preocupação fora do comum em Times Square na segunda-feira, embora o prefeito Michael R. Bloomberg tivesse dito em uma coletiva à imprensa ao meio-dia que um número de policiais superior ao normal se encontrava na área.

Isso ficou evidente às 16h, quando dezenas de carros de polícia, com as luzes piscando, estacionaram à beira das calçadas na Broadway e da Rua 42 Oeste. Dois agentes de contra-terrorismo conversavam com outros policiais na calçada.

Irvin Lassiter, 38, um auxiliar de escritório do Brooklyn, que viu o trabalho dos bombeiros no bueiro em chamas da Rua 40, disse que se encontra bastante nervoso desde a tentativa de atentado no sábado.

“A cidade é grande demais para que eles consigam prevenir tudo”, disse Lassiter. “Nós temos que ser vigilantes, conforme disseram as autoridades. Todos nós temos que ser vigilantes em relação a esse problema”.

Tradutor: UOL

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