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Marcela Sanchez: Por que a Nicarágua não será a próxima Honduras

  • 29.jun.2009 - Jairo Cajina/Nicaragua Presidency/Reuters

    Os presidentes Hugo Chávez (esq.), da Venezulela, e Daniel Ortega, da Nicarágua, se abraçam durante encontro em Manágua, em junho de 2009

    Os presidentes Hugo Chávez (esq.), da Venezulela, e Daniel Ortega, da Nicarágua, se abraçam durante encontro em Manágua, em junho de 2009

Com menos de dois anos na presidência de Honduras, Manuel Zelaya tentou estender seu mandato além do período permitido. Zelaya –acólito do venezuelano Hugo Chávez– e seus seguidores acreditavam que poderiam burlar as elites arraigadas e aproveitar a suposta popularidade do governante entre as classes pobres e marginalizadas para reformar a constituição por meio de um referendo. O plebiscito, entretanto, foi impedido por um tribunal hondurenho. Quando Zelaya tentou continuar apesar da decisão judicial, seu próprio partido se uniu aos militares contra ele. O governante foi preso e forçado a abandonar o país. Agora, também com menos de 24 meses no poder, o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, está querendo estender seu mandato por meios extralegais, muito semelhantes aos usados por Zelaya. Muitos dentro e fora da Nicarágua desconfiam de suas intenções e temem que Ortega conduzirá o país para um regime autoritário. Embora a tentativa do presidente hondurenho de se apropriar do poder e sua estreita relação com o chavismo da Venezuela tenham inspirado um golpe neste país da América Central, é muito pouco provável que a Nicarágua siga o mesmo caminho. Isso se deve, em parte, ao fato de que Ortega é incomparavelmente mais astuto do que Zelaya. Embora já não tenha a popularidade que teve no passado, venceu a presidência em 2006 depois de uma série de manobras duvidosas, que lhe permitiram declarar a vitória com apenas 38% dos votos. No ano passado, sabendo que já não podia depender do apoio popular para continuar seu mandato, Ortega conseguiu que o Supremo Tribunal, dominado pelos sandinistas, retirasse a proibição constitucional que impedia a reeleição presidencial. Como forma de agradecimento, em janeiro, ele aprovou um decreto que estendeu o mandato de vários dos magistrados. Pela mesma regra, o nicaraguense autorizou a permanência em seus cargos dos membros do tribunal eleitoral que supervisionará a eleição presidencial de 2011. Vale lembrar que esse tribunal não investigou as acusações de fraude nas eleições municipais de 2008, nas quais os sandinistas se declararam amplamente vitoriosos. Ortega também conta com capangas para silenciar o descontentamento. Quando os legisladores da oposição tentaram reverter seu decreto no mês passado, manifestantes pró-governo lançaram pedras e explosivos contra o edifício onde os congressistas estavam reunidos. A presidência fez pouco para deter seus partidários.

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