EUA concordam em acelerar ajuda contra o narcotráfico no México

Gary Martin

Em Washington (EUA)

  • Doug Mills/The New York Times

    O presidente dos EUA, Barack Obama, recebe o presidente do México, Felipe Calderón, na Casa Branca, sede do governo norte-americano

    O presidente dos EUA, Barack Obama, recebe o presidente do México, Felipe Calderón, na Casa Branca, sede do governo norte-americano

A entrega de uma aeronave e helicópteros americanos às forças armadas mexicanas para o combate aos cartéis do narcotráfico está sendo acelerada, após as conversações entre os presidentes de ambos os países, disseram autoridades na segunda-feira. 

As conversações bilaterais da semana passada entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente do México, Felipe Calderón, também se concentraram na melhoria da infraestrutura na fronteira americana-mexicana, para fornecer tanto segurança quanto facilitar o comércio entre os dois países. 

Alan Bersin, o comissário de Alfândega e Proteção de Fronteira americano, disse que os Estados Unidos e o México estão no “maior período de colaboração da história de nossos países”. 

“Nós estamos em um daqueles momentos de virada da história”, disse Bersin, em comentários feitos no centro de estudos de inclinação liberal NDN e sua afiliada, o Instituto Nova Política. 

Calderón se encontrou com Obama durante uma visita de Estado de dois dias na semana passada, em Washington. Além de conversarem sobre políticas, Calderón e sua esposa, Margarita Zavala, foram homenageados com um jantar de Estado na Casa Branca. 

As conversas entre Obama e Calderón aceleraram a entrega de equipamento militar ao México para o combate aos cartéis, disse o embaixador mexicano, Arturo Sarukhan, falando no mesmo seminário. 

A entrega de helicópteros Black Hawk e uma aeronave de vigilância para a Marinha mexicana faz parte de um pacote de ajuda de US$ 1,3 bilhão aprovado pelo Congresso, como definido pela Iniciativa Mérida de três anos assinada por Calderón e pelo ex-presidente George W. Bush.

Segundo o pacto, os Estados Unidos concordaram em ajudar o México e os países centro-americanos no combate ao narcotráfico.Obama tem apoiado ativamente o pacote de ajuda e pediu ao Congresso pela aprovação de US$ 310 milhões em ajuda adicional ao México, em 2011.

Autoridades disseram que a entrega da aeronave e helicópteros atrasou devido às necessidades das forças armadas americanas no Afeganistão e no Iraque.

A entrega do equipamento restante às autoridades mexicanas poderá ocorrer no final do ano, disse Sarukhan, adiando em meses o recebimento da ajuda.

Os dois presidentes também discutiram formas de melhorar a fronteira de 3141 quilômetros, por meio de tecnologia e programas para melhoria da segurança, sem atrapalhar o comércio.

“Não se trata apenas de drogas e bandidos”, disse Sarukhan.

A Iniciativa para Fronteira Inteligente permite aos importadores e despachantes aduaneiros pedir às agências americanas para pré-inspecionarem os bens sendo transportados pela fronteira. A iniciativa permite que os agentes de fronteira se concentrem nos caminhões e cargas que não foram pré-inspecionados.

Bersin também disse que ambos os países estão comprometidos em buscar importantes melhorias na fronteira para acomodar o crescente comércio entre os dois países.

Apesar dos acordos sobre segurança e comércio, as conversas presidenciais fracassaram em romper um impasse em torno da proibição da travessia da fronteira por caminhões de transporte, imposta aos caminhoneiros mexicanos pelos Estados Unidos, apesar do Acordo de Livre Comércio Norte-Americano obrigar os Estados Unidos a permitirem que caminhões de transporte do México viajem dentro dos Estados Unidos. Os legisladores americanos e os sindicatos levantaram preocupações de segurança que impedem que o programa entre em vigor.

“Esta continua sendo uma grande preocupação para ambos os governos”, disse Bersin.

O apelo de Calderón para que os Estados Unidos restabeleça uma proibição aos rifles de assalto também foi recebido com dúvida pelo governo Obama.

Bersin disse que os Estados Unidos têm uma grande parcela de responsabilidade pela violência em andamento no México causada pelos cartéis das drogas, mas a proibição de armas de assalto “não é uma lei viável, porque não está no cálculo político”.

Sarukhan disse que o governo mexicano não pressionará os Estados Unidos a eliminar os direitos de porte de arma concedidos pela Segunda Emenda.

Ele disse que o México deseja que seu vizinho fiscalize o cumprimento das leis atuais de armas, para reduzir o envio de armas aos cartéis e ao crime organizado ao sul da fronteira.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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