Estados costeiros dizem que precisam de mais recursos para combater vazamentos

Chelsea Hackney
Do Houston Chronicle

Em Washington (EUA)

Representantes dos governos estaduais disseram ao Congresso na quinta-feira (24) que os planos de contingência dos Estados costeiros –e os recursos para executá-los– são insuficientes para responder a vazamentos de petróleo como o desastre causado pela explosão de 20 de abril em um poço da BP no Golfo do México.

Matthew Menashes, diretor executivo da National Estuarine Research Reserve Association, que supervisiona os 27 estuários protegidos ou corpos de água parcialmente fechados ao longo da costa, disse: “Ninguém estava preparado para um incidente desta magnitude”.

Ele e outras testemunhas disseram ao subcomitê da Câmara para oceanos e vida selvagem que uma falta de comunicação entre autoridades regionais e federais, a escassez de fundos para pesquisa, uma falta de pessoal “pré-treinado” e instalações ultrapassadas, inadequadas, se uniram para atrasar a resposta ao vazamento no Golfo.

Após qualquer vazamento de petróleo, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) –a agência responsável por orientar a Guarda Costeira americana e outras organizações durante os procedimentos de limpeza– pede um Levantamento de Danos a Recursos Naturais (NRDA, na sigla em inglês) para as organizações locais que supervisionam os recursos ameaçados.

Menashes disse que a NOAA não conta com pessoal para lidar com um vazamento desse tamanho, de forma que ela depende dos administradores das reservas locais para realização desses levantamentos.

Neste caso, entretanto, ele disse que muitos dos administradores “ficaram temporariamente tolhidos” após a explosão, porque desconheciam o processo do NRDA, que envolve a coleta de dados sobre o petróleo, assim como sobre as correntes marítimas e as condições anteriores dos recursos naturais, como as áreas alagadiças.

Ele acrescentou: “Na época, nosso pessoal simplesmente não tinha kits para coleta de amostras, não tinha treinamento e estava esperando que o petróleo fosse chegar à costa em questão de horas”.

Manly Barton, um membro do conselho de supervisores de Jackson County, Mississippi, disse que suas instalações locais de pesquisa de vazamento foram projetadas há 20 anos utilizando um modelo diferente –e agora obsoleto– de resposta a vazamento. Diante do recente vazamento, ele disse que essas instalações “não possuem capacidade suficiente ou infraestrutura para abrigar o pessoal necessário durante um evento de longo prazo, de grande escala”.

Barton também disse que Jackson County e outras áreas no Estado não possuem os milhões de dólares necessários para a construção de novas instalações, nem está em posição, após o furacão Katrina, de tomar empréstimos.

Imagens amadoras mostra a explosão da plataforma da British Petroleum nos EUA

O dr. Dennis Takahashi-Kelso, vice-presidente executivo do grupo de defesa ambiental The Ocean Conservancy, disse que conhecimento local e pré-treinamento precisam estar implantados antes que um desastre como este ocorra.

“Quando há um vazamento, não há tempo para inventar algo assim. É preciso estar pronto para entrar em ação”, ele disse, acrescentando que pesquisa científica sólida e tecnologia atualizada são essenciais para os preparativos para uma emergência.

“Sem os dados científicos e bons modelos, você simplesmente estará no local errado na hora errada.”

 

* Com agências internacionais

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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