Prisões indicam que espionagem contra os EUA continua ativa

Bruce Finley

The Denver Post

  • AP

    Jornalistas dos EUA identificaram Anna Chapman, que aparece nessa foto retirada do Facebook como uma das 10 pessoas presas pelo governo norte-americano sob acusação de fazerem parte de uma rede de espiões russos que atuavam nos EUA

    Jornalistas dos EUA identificaram Anna Chapman, que aparece nessa foto retirada do Facebook como uma das 10 pessoas presas pelo governo norte-americano sob acusação de fazerem parte de uma rede de espiões russos que atuavam nos EUA

Espiões russos infiltrados se passando por americanos suburbanos, dinheiro trocando de mãos secretamente, informação supostamente secreta sendo transmitida por meio de programas de encriptação –uma elaborada repetição de intriga da Guerra Fria que deixa alguns especialistas confusos.

Mas o caso do FBI contra 11 pessoas acusadas de conspirar para espionar para a Rússia também gera preocupações entre veteranos de contrainteligência a respeito das novas formas com que os adversários –incluindo terroristas– podem estar buscando vantagens em informações.

A espionagem para potências estrangeiras nos Estados Unidos “ainda está ativa. Muitos, muitos países ainda a realizam”, disse David Szady, o ex-alto caçador de espiões do FBI e diretor assistente de contrainteligência, que se aposentou em 2006 e trabalha para uma empresa de segurança global. “A ameaça agora provavelmente é mais séria do que nunca.”

As atuais redes de espionagem emergentes cada vez mais exploram cientistas, estudantes e pessoas de dentro de empresas que –se cultivadas– podem revelar segredos que ajudam os adversários, disse Szady.

No caso atual, os responsáveis russos claramente investiram tempo, dinheiro e esforço para realização de uma operação secreta que provavelmente vai além dos 11 agentes presos, ele disse.

Os presos, que já nos anos 90 criaram fachadas como acadêmicos, executivos e pais, “obviamente possuíam metas diferentes do que apenas” informação aberta sobre a política externa americana que supostamente buscavam, ele disse.

A tática de infiltrar espiões tem uma longa história. Mas a longo prazo, operações secretas como as denunciadas são consideradas raras e arriscadas, porque dependem de agentes cultivados meticulosamente por anos, que podem não funcionar.

A Rússia realizar isso em uma aparente busca por informação aberta, e não segredos confidenciais, parece loucura para alguns ex-espiões.

“Parece coisa de comédia”, disse Fred Hitz, um ex-inspetor geral da CIA e agente clandestino que trabalhou contra agentes soviéticos na África durante a Guerra Fria e que atualmente leciona na Universidade da Virgínia. “Não me parece um jogo à altura da aposta.”

As relações entre os Estados Unidos e a Rússia estão melhorando, com as conversações oficiais tratando até mesmo de política nuclear. A Rússia deseja ingressar na Organização Mundial do Comércio. As autoridades americanas buscam cooperação para lidar com o Irã e contra o terrorismo.

“Em um mundo ideal, isso provavelmente não aconteceria. Mas no mundo real, provavelmente é a forma como as coisas são”, disse Alexandra Vacroux, diretora do Centro Davis para Estudos Russos e Eurasiáticos da Universidade de Harvard.

Uma possibilidade considerada pelos especialistas é que essa operação possa ser uma distração.

“Lembre-se, a Rússia está sendo comandada por um agente de inteligência profissional”, disse Allen Lynch, um professor de política da Universidade da Virgínia, que acabou de concluir um livro sobre o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e política. “Teria sido isso planejado para ocupar os recursos do FBI enquanto comandavam agentes em outros projetos?”

É mais provável, ele disse, que essa rede de espionagem apenas reflita “um resquício burocrático da Guerra Fria”.

A infiltração de agentes ironicamente esbarra em uma persistente força americana, disse Lynch. “Rastrear espiões russos é algo que fazemos bem.”

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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