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General diz que prazo para deixar o Afeganistão pode ajudar o Taleban

Elisabeth Bumiler

  • Yuri Cortez/AFP

    Comandante americano diz que prazo estabelecido por Barack Obama para início da retirada das tropas americanas do Afeganistão pode ajudar inimigo

    Comandante americano diz que prazo estabelecido por Barack Obama para início da retirada das tropas americanas do Afeganistão pode ajudar inimigo

O comandante da Marinha norte-americana disse na terça-feira que o prazo estabelecido pelo presidente Barack Obama, de julho de 2011, para início da retirada das tropas americanas do Afeganistão, “provavelmente ajudará nosso inimigo”. Esse foi o comentário público mais duro de um alto comandante militar a respeito do prazo dado pela Casa Branca para o início do fim da guerra. O comandante, o general James T. Conway, também disse que “se acompanharmos atentamente, e é claro que todos nós o fazemos, nós veremos que o presidente estava falando para vários públicos ao mesmo tempo quando fez seus comentários sobre julho de 2011”. O general aparentemente quis dizer que o prazo de Obama foi estabelecido tanto para o público político doméstico quanto para os afegãos. Mas o general, que se aposentará em poucos meses, disse achar que o prazo poderia não dar conforto aos insurgentes, que poderiam descobrir que apenas um pequeno número das forças americanas deixaria o Afeganistão em julho próximo, uma possibilidade cada vez mais nutrida por funcionários do Pentágono e altos comandantes. Ele previu que os combatentes do Taleban, para os quais seus comandantes disseram várias vezes que os americanos partiriam em massa, ficariam desmoralizados ao perceberem a permanência dos Estados Unidos. “O que ele dirá aos seus soldados”, ele disse a respeito de um comandante Taleban, quando, “no outono, nós ainda estivermos os atacando como sempre? Eu acho que poderia ser bom para nós nesse contexto, em termos da psique do inimigo e do que ele tem postulado durante grande parte do ano”. Conway, que falou aos repórteres em uma coletiva no Pentágono, também deixou claro, como no passado, que continua pessoalmente contrário à lei “não pergunte, não diga” que exige que gays e lésbicas nas forças armadas mantenham sua orientação sexual em segredo ou deixem as forças armadas. Obama e altos líderes do Pentágono, incluindo o almirante Mike Mullen, presidente do Estado-Maior das Forças Armadas, disseram que lei deve ser mudada para permitir que gays e lésbicas sirvam abertamente nas forças armadas. O Senado deverá considerar a legislação no próximo mês. “Nós cumpriremos a lei, independente do que ela prescreva”, disse Conway, acrescentando que na marinha os funcionários “não podem ser vistos como fazendo corpo mole ou algum tipo de adiamento da implantação”. Com base em sua informação a respeito dos funcionários, ele disse, “eu posso dizer que a maioria não vai querer ficar alojado com uma pessoa que é abertamente homossexual”. Mas como alguns marines não fazem objeção, ele disse, talvez fazer com que esses marines dividam voluntariamente alojamentos com os membros assumidamente gays “possa ser a melhor forma de começar, sem violar a preocupação moral de ninguém ou a percepção por parte de seus companheiros”. Ao ser perguntado a respeito do que quis dizer com preocupação moral, Conway disse: “Nós temos algumas pessoas que são bastante religiosas”. Ele acrescentou: “Eu não posso dar a vocês um percentual, mas acho que em alguns casos nós teremos pessoas que dirão que o homossexualismo é errado e que elas simplesmente não querem dividir um alojamento com uma pessoa dessa convicção, porque iria contra suas crenças religiosas”. Grupos de direitos dos gays rebatem que os membros do serviço ativo, que são décadas mais jovens do que muitos altos comandantes, não se importam passionalmente de um jeito ou de outro a respeito do fim da proibição ou em servir com homens e mulheres assumidamente gays. Conway, repetindo outros altos comandantes americanos, disse que “levará alguns anos” até que os marines possam transferir suas operações no Afeganistão inteiramente às forças afegãs. Cerca de 20 mil marines estão baseados na província sulista de Helmand, o celeiro do Afeganistão e o coração do Taleban, onde continuam lutando contra os insurgentes em Marjah, local da maior ofensiva marine no início do ano. “Eles atiram contra nós, disparam alguns morteiros ocasionais e atiram contra nossos helicópteros, mas eles principalmente intimidam as pessoas, para manter uma presença lá e impedir que Marjah seja uma vitória estratégica para os marines no sul de Helmand”, ele disse. Todavia, Conway disse que no geral em Helmand, “nós temos o momento, nós temos a iniciativa”. Apesar do público americano estar cansado da guerra, ele disse, “nosso inimigo também está ficando cansado”.  

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