Estratégias para fazer o seu dólar render mais em viagens à América do Sul

Susan Stellin

  • Natacha Pisarenko/AP

    Trânsito em Buenos Aires, na Argentina; cidade é uma das mais procuradas por turistas estrangeiros

    Trânsito em Buenos Aires, na Argentina; cidade é uma das mais procuradas por turistas estrangeiros

Na primeira vez em que eu viajei à América do Sul, em 1992, a minha mãe me disse, “Nós tivemos que tirar do lugar o aparador do escritório para enxergarmos onde você estava na parte de baixo do mapa!”. Eu estava em Ushuaia, na extremidade sul da Argentina – um país que não faz exatamente parte da lista de prioridades de visitas dos viajantes.

Mas agora os agentes de viagem lhe dirão que a Argentina é “quente”, quando norte-americanos seguem para Buenos Aires devido ao estilo europeu desta cidade, misturado às bistecas, ao tango e ao vinho locais.

Embora a Argentina e outros países sul-americanos sejam considerados pechinchas – pelo menos quando comparados à Europa –, essa percepção comum pode ser equivocada, em parte porque a passagem aérea para que se chegue até lá custa mais de US$ 1.000 (R$ 1.708), dependendo de para onde e quando você voará.

Ainda assim, coisas como refeições, táxis e café tendem a ser relativamente baratas assim que você chega, e locais que não são tão cosmopolitas quanto Buenos Aires podem proporcionar ao turista preços ainda melhores. Eis aqui como obter mais vantagens com o seu dinheiro, tanto no ar quanto na terra.

Não siga as multidões

Eu morei dois anos em Buenos Aires e recomendaria sem dúvida alguma uma visita à cidade, mas existem locais mais baratos a se considerar caso você não disponha de muito dinheiro.

“O Peru, o Equador e a Bolívia são muito mais baratos do que a Argentina, o Brasil ou mesmo a Venezuela”, diz Roberto Reid, o editor para a América dos guias de viagem Lonely Planet. Ele recomendou Cuenca, no Equador, como uma opção interessante para quem estiver interessado em programas em língua espanhola, muitos dos quais custam menos de US$ 500 (R$ 854) por semana.

“Você fica com uma família, faz todas as refeições e tem algo para fazer todos os dias”, explicou ele. Essa é uma experiência de viagem maravilhosa. Ela é barata e você aprende alguma coisa”.

A quantidade de dinheiro que você espera gastar depende também do local de determinado país para onde você decidir ir. Grandes cidades como o Rio de Janeiro tendem a ser mais caras do que as cidades menores, como Recife, no litoral do nordeste do Brasil. E o preço dos transportes pode fazer com que o custo das viagens a locais como a Amazônia seja elevado. Mesmo assim, existem maneiras de economizar caso você tenha vontade de conhecer um local remoto.

Viaje com um grupo de pessoas

A firma Southwind Adventures (southwindadventures.com), que é especializada em reservas de viagens de aventuras à América do Sul, oferece uma viagem de oito dias para Lima e até a Amazônia, para Puerto Maldonado, no Peru, por US$ 2.195 (R$ 3.749), sem incluir o transporte aéreo – em se tratando de um grupo de quatro a seis pessoas viajando juntas.

“O segredo é ter disposição para viajar com um grupo de pessoas”, diz Tom Damon, o presidente da Southwind. Quanto mais gente houver no grupo, mais você economizará, já que estará dividindo os custos de coisas como um passeio de barco na selva. Se você não desejar convocar os seus próprios amigos ou parentes, é possível integrar-se a um grupo que viaje nas datas estabelecidas pela companhia de viagens.

Outra maneira de economizar em viagens de aventuras é fazer reserva com mais de quatro meses de antecedência para obter um desconto – que pode ser de até 10%, diz Damon. Ou você pode ainda modificar o seu itinerário, de forma a passar menos tempo em locais como Machu Picchu, onde a hospedagem pode ser cara, e ficar por um período maior em lugares como o Vale Sagrado dos Incas, no Peru.

Até mesmo em se tratando das Ilhas Galápagos, há navios a preços acessíveis. Robert Becker, um viajante de aventuras e especialista em mergulho da Protravel International (protravelinc.com), diz que reservou lugares para clientes no Floreana, um pequeno iate que custa menos de US$ 2.500 (R$ 4.270) por pessoa para uma viagem de oito dias, sem incluir a passagem aérea.

Alugue um apartamento

Um dos motivos pelos quais as cidades provocam um grande choque é que os hotéis tendem a custar mais do que os viajantes esperam – uma média de US$ 134 (R$ 229) por noite em Buenos Aires, segundo a Smith Travel Research Global, uma empresa de pesquisa do setor de hospitalidade, e US$ 155 (R$ 265) no Rio de Janeiro.

Seth Kugel, que escreve para a coluna Frugal Traveler do “New York Times”, recomenda que, ao ligar para um hotel para fazer reservas, o turista peça um desconto, ou negocie pessoalmente quando chegar.

Uma outra maneira de economizar é alugar um apartamento, mas é recomendável que o viajante se concentre em sites recomendados por pessoas de confiança, já que a Internet transformou-se em um terreno fértil para esquemas fraudulentos de aluguéis para turistas.

Um amigo que já morou em Buenos Aires alugou um apartamento no site BuenosAiresHabitat.com quando retornou à cidade para uma visita no ano passado. Ele pagou cerca de US$ 1.000 (R$ 1.708) por uma visita de três semanas.

Um colega que escreve artigos sobre viagens recorreu ao site ApartmentsBA.com, que é administrado por um norte-americano, Michael Koh.
Embora o preço médio de um apartamento de um quarto publicado no site fosse de US$ 125 (R$ 214 ) a US$ 150 (R$ 256) por noite, estavam incluídos na despesa o uso da Internet e ligações locais – e a taxa de 21% que normalmente seria acrescentada à conta do hotel.

Buenos Aires parece ser o lugar onde aluguéis de apartamentos desse tipo são mais comuns, embora Koh também recomende o site Apartamentsrio.com para os viajantes que vão para o Rio de Janeiro. E Kugel diz que já usou o rentflat.com.br para alugar apartamentos no Rio, e que teve boas experiências por preços muito bons.

Uma escala gratuita (ou barata)

Se você está pretendendo visitar mais de uma cidade, talvez seja possível obter um preço melhor junto a uma companhia como a Exito Travel, que é especializada na reserva de passagens para a América do Sul com múltiplas escalas.

“Qualquer pessoa que for para um único local é capaz de fazer uma pesquisa a fim de obter a passagem mais barata”, explica Todd Jones, o presidente da Exito Travel. “O nosso foco principal é ajudar aquele viajante que deseja mais do que voar para uma única cidade e depois disso retornar”.

Por exemplo, para uma viajem de Miami a Lima, Jones sugere uma escala gratuita em Cartagena, na Colômbia, com base em uma passagem de ida e volta pela Avianca pelo preço de US$ 560 (R$ 956), incluindo taxas. Para um voo de Nova York a Buenos Aires, ele oferece uma passagem de US$ 1.074 (R$ 1.834) pela LAN Airlines, com uma escala gratuita em Lima.

Uma outra estratégia para economizar dinheiro é reservar uma passagem “open jaw”, de maneira que você possa voar para uma cidade como Lima, seguir adiante em um voo para Cuzco (o ponto de desembarque para as visitas a Machu Picchu), e a seguir retornar de Cuzco para casa. Dessa forma, você pode evitar comprar uma passagem doméstica cara, ou aquilo que pode ser uma desconfortável viagem de ônibus de Lima até Cuzco.

“É assustador passar de ônibus, subindo e descendo, por aqueles despenhadeiros nas montanhas”, diz Jones.

Pechinche em busca de economia

Eu não pechinchei muito na minha última viagem à América do Sul – e os suéteres de lã que eu trouxe do Chile “provocam coceiras” segundo aqueles que os receberam de presente.

Mas aqueles que pechincharam com inteligência dizem ter obtido preços ótimos ao comprarem produtos finos de couro na Argentina, cobertores na Bolívia, joias de prata no Chile e trajes de praia no Brasil, e até mesmo coisas como os seus produtos farmacêuticos favoritos podem custar uma ninharia em lugares como Buenos Aires.

Além disso, há aquelas descobertas tentadoras, mas difíceis de transportar, das quais você poderá se lembrar anos após tê-las deixado para trás – como todo o mobiliário que Reid viu quando trabalhava como guia do Lonely Planet na Colômbia.

“Eles contam com vários lojas de mobília clássica excelente, e o preço é incrivelmente baixo”, diz ele. “Mas provavelmente existem coisas mais fáceis de se fazer e comprar nessas viagens do que despachar mobília para casa”.
 

Tradutor: UOL

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