Mundo precisa ficar atento às catástrofes naturais

Bill McGuire*
Em Londres

Traçar uma linha entre ficção científica e fato científico, ou entre assustar as pessoas e informar, pode ser notoriamente difícil, e nunca tanto quanto no momento em que se lida com aqueles eventos cataclísmicos raros, mas inevitáveis, capazes de despedaçar nosso mundo confortável.

O horror do fim de ano de 2004, quando mais de um terço de milhão de vidas se perdeu no espaço de poucas horas, forneceu um vislumbre da realidade. Poucos meses depois, o drama de televisão da BBC "Supervolcano" nos deu uma amostra do que poderemos enfrentar no futuro. As reações aos dois eventos, um factual, outro fictício, foram contraditórias.

Por um lado, o maremoto asiático foi lamentado como impossível de ser previsto e de se preparar para ele, um acontecimento inesperado. Por outro lado, a BBC foi acusada por alguns de promover o medo ao acentuar as terríveis conseqüências de uma futura super-erupção vulcânica no parque nacional de Yellowstone, em Wyoming.

Mas não surpreende o fato de sermos pegos cochilando por eventos geofísicos extremos quando as tentativas de educar e informar sobre a ameaça que representam atraem tamanha hostilidade.

Ignorando-os ou não, fenômenos geofísicos bem mais letais e destrutivos que o maremoto asiático estão a caminho. Super-erupções vulcânicas, impactos de asteróide ou cometa e maremotos grandes o bastante para tornar pequeno o maremoto asiático já deixaram sua marca na superfície do nosso planeta durante seus 4,6 bilhões de anos de história, e eles não vão deixar de acontecer apenas porque entramos em cena.

Além disso, eventos perigosos associados à mudança climática provocada pelos seres humanos podem piorar ainda mais as coisas. Eles incluem uma desaceleração ou paralisação da Corrente do Golfo e correntes oceânicas associadas, levando a invernos mais rigorosos na Europa e no leste da América do Norte; e um rápido aumento no nível dos oceanos em resposta ao derretimento catastrófico de um ou ambos lençóis de gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida.

O legado do maremoto asiático não é de todo ruim. Ele está contribuindo para a implementação de um sistema de alerta, não apenas no Oceano Índico, mas também na bacia do Atlântico e Caribe, conseqüentemente aumentando drasticamente os prováveis índices de sobrevivência no futuro. Igualmente importante, a catástrofe chamou a atenção para outros perigos geofísicos capazes de ter um severo impacto regional ou global.

Apesar de algum ceticismo, inicialmente por parte da imprensa, eventos geofísicos globais (GGEs) --como a erupção do Yellowstone na BBC- têm feito com sucesso a transição de ficção científica para fato científico. Falando de forma ampla, eles agora são reconhecidos pelo que são: eventos naturais extremos com probabilidade de ocorrência abaixo de 1% em qualquer ano, mas que se aproxima de 100% a longo prazo.

Ao forçar indivíduos, a mídia, os governos, agências internacionais e administradores de desastres a reconhecer que o advento de um desastre natural capaz de afetar todo o planeta é apenas questão de tempo, o maremoto asiático tem ajudado a aumentar a consciência da ameaça de um GGE.

Mas este é apenas o começo. Nós precisamos saber muito mais sobre a natureza das ameaças e com que freqüência podemos esperar que ocorrerão. Mais importante, nós precisamos saber se podemos agir para prevenir ou evitar futuras catástrofes globais, ou, pelo menos, atenuar ou administrar as piores conseqüências.

Com pensamentos e emoções agitados pelo maremoto asiático ainda frescos na memória de muitos, talvez um local apropriado para começar qualquer estudo do portfólio GGE seja um exame minucioso da ameaça de um megamaremoto.

O maremoto do fim do ano não foi um megamaremoto, mas as estatísticas ainda assim são atordoantes: 305.276 mortos ou desaparecidos, 500 mil feridos, 410 mil prédios destruídos e perto de 8 milhões de pessoas deslocadas, empobrecidas e/ou desempregadas. Como podem meras ondas ter um impacto tão catastrófico?

A explicação está no comportamento singular das "tsunamis". A maioria é gerada pela elevação quase instantânea de uma imensa área do leito marítimo em resposta a um terremoto.

O movimento dá um tranco no oceano acima, o fazendo oscilar e enviar ondas a partir do ponto de deslocamento. Diferente de ondas provocadas pelo vento, as tsunamis envolvem uma coluna inteira de água da superfície até o leito do oceano, e são capazes de viajar a velocidades de 800 a 900 km por hora em águas profundas --quase tão rapidamente quanto um jato jumbo.

Seus comprimentos de onda são medidos em centenas de quilômetros (em comparação a poucas dezenas de metros em ondas de tempestade que quebram na costa britânica). Isto significa que uma tsunami inunda como uma parede de água, em vez de uma maré gigante do Rio Severn, que continua avançando por vários minutos antes de demorar um tempo igual para recuar.

Tsunamis provocadas por terremoto podem ter mais de 40 metros de altura, e estimavas na província de Aceh na Indonésia, que foi o local mais duramente atingido pelo maremoto de dezembro, sugerem que a onda pode ter sido superior a 30 metros.

Mas megatsunamis poderão ser dez vezes maiores do que esta quando atingirem a terra. Em vez de serem formadas por terremotos, elas podem resultar do impacto de um cometa ou asteróide no oceano ou, mais provavelmente, de um deslizamento de terra submarino gigantesco ou pelo colapso de um ilha vulcânica.

Há cerca de 7 mil anos, ondas inundaram partes da Escócia, Islândia e Groenlândia, após o colapso na base do Atlântico Norte de uma massa de sedimentos da plataforma continental norueguesa, maior do que a Ilha de Wight.

Voltando ainda mais no tempo, depósitos deixados por uma tsunami são encontrados a 400 metros acima do nível do mar nas laterais do vulcão Kohala do Havaí, evidência de um enorme deslizamento de terra do vizinho Mauna Loa.

Parece que tais colapsos gigantes ocorrem em uma bacia oceânica ou outra a cada 10 mil anos, ou possivelmente menos, e talvez não tenhamos que esperar muito, geologicamente falando, pelo próximo. Durante uma erupção em 1949, o lado oeste do vulcão Cumbre Vieja na ilha canária de La Palma se separou do restante do vulcão e caiu quatro metros na direção do mar.

Esta massa de rocha, quase um terço do deslizamento de terra norueguês, continua posicionada como uma espada de Dâmocles sobre o Atlântico Norte, e espera-se que em algum momento no futuro --talvez no próximo ano, talvez daqui vários milhares de anos-- ela mergulhe no oceano.

O pior cenário prevê tsunamis de mais de 100 metros devastando as Ilhas Canárias e ondas de 20 metros ou mais de altura atingindo o Caribe e a costa leste da América do Norte entre 6 a 12 horas depois.

Mesmo o litoral sul da Grã-Bretanha poderia enfrentar um maremoto de escala semelhante ao do Oceano Índico no final de 2004. Sem evacuação prévia, o número resultante de mortes poderia ser medido em milhões, com imensos danos físicos às cidades costeiras dos Estados Unidos, afetando severamente a economia global.

Mas se as conseqüências econômicas seriam sentidas em todo o mundo, o colapso do vulcão Cumbre Vieja não afetaria fisicamente todo o planeta. Mas o mesmo não poderia ser dito das enormes explosões vulcânicas das chamadas supererupções, que pontuaram a história da Terra a cada 50 mil anos aproximadamente.

A explosão de 1883 do vulcão Krakatoa da Indonésia é provavelmente a erupção mais conhecida de todas, graças em parte ao recente relato de Simon Winchester. Mas comparado a uma supererupção, este evento, que matou mais de 36 mil pessoas, é pouco mais do que fogos de artifício.

A última supererupção separou a crosta na Ilha Norte da Nova Zelândia há cerca de 26 mil anos, expelindo 1.000 quilômetros cúbicos de pó e detritos --mais de 50 vezes o que foi expelido por Krakatoa. Uma das maiores erupções explosivas na história da Terra, em Toba, Sumatra, 50 milênios antes da Ilha Norte, expeliu perto de 3 mil quilômetros cúbicos de detritos --o suficiente para enterrar a Grã-Bretanha em quatro metros de cinzas.

Tais erupções colossais são regionalmente devastadoras, com fluxo piroclástico de magma e gás suficiente para cobrir o solo e pilhas com metros de espessura de cinzas cobrindo centenas de milhares de quilômetros quadrados. A última supererupção em Yellowstone, por volta de 640 mil anos atrás, enterrou metade dos Estados Unidos.

Mesmo a 1.500 quilômetros de distância, as cinzas chegavam a um terço de metro de profundidade e foi encontrada por geólogos em lugares tão distantes quanto Los Angeles, Califórnia, e El Paso, Texas. Mas não são os detritos ou cinzas que qualificam uma supererupção como um GGE; é a imensa nuvem de gás que libera.

Gases ricos em enxofre são gerados em todas as erupções vulcânicas. Na maior, enormes volumes de gás se combinam com vapor de água no alto da atmosfera para formar minúsculas gotículas --ou aerossóis-- de ácido sulfúrico. Os ventos da estratosfera transportam os aerossóis por todo o planeta, formando um véu que reflete e absorve a radiação solar.

O resultado é um rápido e drástico resfriamento da troposfera (a área da atmosfera que vai do solo até 10 km de altitude) --um chamado inverno vulcânico. Após Toba, as temperaturas caíram rapidamente para próximo ou abaixo de zero por todo o planeta, e permaneceram assim por talvez cinco ou seis anos.

As condições para nossos ancestrais devem ter sido estarrecedoras, tanto que alguns antropólogos vincularam o evento a um colapso da população humana, que pode ter reduzido nossa espécie a uns poucos milhares de indivíduos.

Supererupções vulcânicas não são os únicos eventos geofísicos capazes de provocar quedas drásticas nas temperaturas globais. Ao lançar enormes quantidades de pó fino na estratosfera, colisões com grandes corpos do espaço podem resultar no mesmo efeito, desta vez levando a um chamado inverno cósmico, em vez de vulcânico.

A ameaça de impacto de cometas e asteróides é reconhecida há alguns anos, e antigos planos para ampliar nosso conhecimento foram acelerados em 1994 após as observações da colisão entre Júpiter e 21 fragmentos do cometa Shoemaker-Levy.

Imagens espetaculares de marcas de impacto maiores do que a Terra no envelope gasoso de Júpiter voltaram as mentes para o efeito que tal evento teria sobre nosso próprio planeta, e repentinamente verba foi disponibilizada para os pesquisadores do céu identificarem objetos que possam algum dia ameaçar nosso mundo.

Durante o curso de sua passagem anual ao redor do Sol, a Terra tem muitos encontros próximos com asteróides, pedaços de rocha que variam em tamanho de poucas dezenas de metros até vários quilômetros. Mas as colisões são raras. O último impacto confirmado ocorreu em Tunguska, Sibéria, em 1908. quando um asteróide de 40 a 50 metros de diâmetro se despedaçou e explodiu 10 quilômetros acima de Taiga.

Apesar de mal chegar a ter a metade de um campo de futebol, o asteróide causou uma explosão que devastou mais de 2 mil quilômetros quadrados de floresta. Se tal objeto atingisse o centro de Londres em vez de áreas inóspitas siberianas, ele teria destruído tudo dentro da M25 (uma via que circunda Londres).

Colisões com objetos deste tamanho provavelmente ocorrem em um intervalo de alguns séculos, e apesar de causarem devastação local, o planeta como um todo não é afetado. Mas quanto maior o tamanho, maiores são os efeitos. Um objeto com 1 km, por exemplo, destruiria uma área do tamanho da Inglaterra, ou geraria uma megatsunami caso atingisse o oceano.

Um objeto de 2 a 3 km, o júri ainda não decidiu qual o diâmetro crítico, encheria a atmosfera com pó suficiente para causar uma queda brutal nas temperaturas globais e provocar um inverno cósmico que poderia durar vários anos.

Um bilhão de pessoas morreriam em conseqüência da quebra global na agricultura antes que o planeta começasse a esquentar novamente. Mas algumas boas notícias surgiram nos últimos anos: os intervalos entre de colisões com asteróides de 1 km foram ampliados de 100 mil anos para 600 mil anos, enquanto asteróides de 2 km devem atingir a Terra apenas em intervalos de poucos milhões de anos.

Um dos GGEs mais iminentes também é um dos menos abordados: o próximo grande terremoto a atingir o coração de Tóquio. Lar de mais de 30 milhões --um quarto da população do Japão-- e sede de dois terços dos gigantes da indústria do país, espera-se que um grande terremoto venha a causar um grande caos em algum momento ao longo do próximo século.

Apesar dos efeitos físicos ficarem confinados à região de Tóquio-Yokohama, o custo da reconstrução deixaria a economia global de joelhos. A última vez em que a capital japonesa foi atingida por um grande terremoto foi em 1923, quando o colapso de prédios e os incêndios pós-terremoto resultaram em 140 mil mortos e reduziram a cidade a escombros.

Da próxima vez, devido às normas adotados para edifícios mais elevados, a previsão é de um número menor de mortos --por volta de 60 mil. Mas as estimativas do custo econômico variam de US$ 3,3 a US$ 4,4 trilhões, 44 vezes mais do que o custo do terremoto de Kobe de 1995 --a catástrofe natural mais cara que o mundo já experimentou. Tal perda poderia causar um colapso econômico mundial comparável ao crash de Wall Street.

Mas é a aceleração das mudanças climáticas o mais provável provocador do próximo GGE. No topo da lista está uma desaceleração ou interrupção da Corrente do Golfo e das correntes associadas que melhoram o clima da Europa e impedem que os invernos britânicos sejam tão frios quanto os de Labrador.

Há poucos anos, modelos de mudança climática atribuíam uma pequena probabilidade de tal evento ocorrer em questão de poucos séculos. Mas observações recentes indicam que o padrão de circulação no Atlântico Norte já está mudando, enquanto novos modelos climáticos prevêem uma boa chance de um enfraquecimento da Corrente do Golfo antes de 2100. Um modelo prevê uma chance de 45% de enfraquecimento resultante de uma elevação da temperatura em 3 graus Celsius, enquanto outro prevê que isto poderá ocorrer com uma elevação de apenas 2 graus.

Como novas pesquisas sugerem que o aumento das temperaturas globais até o final do século poderá ser substancialmente maior do que 2 ou 3 graus, as chances parecem altas de que perderemos a influência aquecedora da Corrente do Golfo antes do fim da chegada do novo século.

Como um aquecimento global levaria a um resfriamento regional?

O mecanismo por trás é simples. A corrente do Golfo e correntes associadas carregam águas quentes e salgadas dos trópicos para o norte, até as margens da Grã-Bretanha e da Europa, onde elas mantêm as temperaturas vários graus mais quentes do que seriam caso contrário.

À medida que as águas quentes atingem os mares árticos, elas esfriam, e como são mais salgadas do que o oceano ao redor -e portanto mais densas- elas afundam e retornam aos trópicos ao longo da base do oceano. Mas a aceleração do degelo do Ártico, os níveis elevados de precipitação e um aumento do afluxo dos rios siberianos ao Oceano Ártico já estão levando a uma diluição das águas salgadas tropicais.

Se isto continuar, elas eventualmente terão sua densidade reduzida a ponto de não mais descerem. O fluxo de retorno da água para os trópicos será interrompido assim como a circulação. Um recente estudo do escritório meteorológico britânico mostrou que sem o efeito aquecedor da Corrente do Golfo, todo o Hemisfério Norte resfriará.

Em seis anos, os invernos retornarão àqueles da "pequena era glacial" do final da Idade Média, com o gelo do mar bloqueando o canal da Inglaterra e o Mar do Norte e com as temperaturas caindo para até 20 graus negativos.

Além disso, como as correntes do Atlântico Norte são um elemento de um sistema global de circulação oceânica conhecido como cinturão oceânico, os efeitos poderão se estender mais além, levando a, por exemplo, ao fim da monção asiática e à ocorrência de grandes secas.

Até o momento a situação está ruim. Não há nada que possamos fazer para evitar tais catástrofes globais, ou pelo menos para atenuar seus piores efeitos?

Em relação a qualquer maior enfraquecimento da Corrente do Golfo, prevenção não é mais uma opção no momento, mesmo se reduzirmos as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

Se acontecer, nós teremos que nos adaptar da melhor forma possível, modificando nossa energia, transporte, agricultura e políticas de saúde para lidar com invernos mais rigorosos e estações de plantio mais curtas.

Surpreendentemente, combater a ameaça de um impacto de asteróide pode provar ser mais fácil, e com um alerta antecipado de uma década ou duas, nós já dispomos de tecnologia para dar a um asteróide batizado com nosso nome o pequeno empurrão necessário para tornar uma possível colisão em apenas uma quase colisão.

Antes da colisão do Shoemaker-Levy com Júpiter em 1994, o número de cientistas envolvidos na localização e rastreamento de objetos com risco de colisão com a Terra era descrito como "menor do que o número de funcionários de um restaurante McDonald's".

Mas reforçado por um aumento das verbas, principalmente da Nasa, muitos investigadores do céu já identificaram mais de 3 mil dos chamados asteróides próximos da Terra (NEAs), incluindo mais de 750 com diâmetros de mais de 1 km.

Até 2008, a Nasa espera que cerca de 90% de todos os NEAs com mais de 1 km de diâmetro tenham sido identificados e suas futuras órbitas projetadas. Um grupo estabelecido pelo astronauta Rusty Schweickart da Apollo 9 está planejando testar um sistema para afastar de curso asteróides ameaçadores, e espera demonstrar sua capacidade nos próximos 15 anos.

Lidar com supererupções vulcânicas e megamaremotos do tamanho do oceano é mais problemático. Apesar das sugestões ao contrário feitas por amadores entusiasmados, nós não podemos escavar em um vulcão pronto para uma supererupção para permitir a "redução da pressão".

As energias armazenadas em seu interior são simplesmente grandes demais. Nem podemos remover aos poucos o flanco instável do vulcão de La Palma para impedir seu colapso no Atlântico Norte. Eu já calculei, em resposta a tal sugestão, que presumindo que um caminhão aberto pudesse carregar 10 metros cúbicos de rocha por vez, seriam necessárias {15 a 50} bilhões de jornadas para remover a massa instável.

Mesmo com um caminhão carregado partindo a cada minuto a cada dia, seriam necessários {10 milhões ou 35} milhões anos, mesmo deixando de considerar o fato de que um bom percentual do deslizamento ocorreria debaixo d'água.

Administrar a próxima grande explosão vulcânica ou megamaremoto oceânico claramente exige algum alerta prévio. Apesar de haver cerca de 3 mil vulcões ativos ou potencialmente ativos, nós apenas monitoramos cerca de 100.

O flanco instável do vulcão Cumbra Vieje não possui monitoramento algum. Se pretendemos lidar com os piores excessos de um inverno vulcânico, nós precisaremos de anos para nos preparar: o armazenamento de alimentos e a criação de estruturas para a manutenção da ordem social durante o período de interrupção.

Nós não poderemos impedir os danos maciços nas comunidades costeiras causados por um futuro colapso do Cumbre Vieja, mas o monitoramento do deslizamento poderá fornecer o alerta vital necessário para a evacuação em massa.

Em termos mais amplos, nós precisamos reconhecer que catástrofes globais certamente ocorrerão em nosso futuro. No mínimo precisamos estar cientes da natureza das ameaças e de suas ramificações potenciais, e precisamos planejar a forma, tanto como Estados individuais quanto como uma comunidade global, que lidaremos com isto.

Nós precisamos estudar formas de tornar a economia global mais resistente ao caos financeiro que ocorreria em caso de um terremoto em Tóquio, e precisamos desenvolver a estrutura para que os países desenvolvidos possam ajudar os países de menor renda a lidar com o pior em caso de qualquer futura catástrofe global.

O maremoto asiático nos forneceu uma amostra do que poderemos enfrentar quando ocorrer o próximo GGE. Também forneceu uma janela de oportunidade para que governos nacionais e agências internacionais pensem a respeito de como lidarão com algo maior.

Mas a memória é curta. Outras prioridades já estão se acumulando e a janela já está começando a fechar. Nós devemos explorá-la ao máximo antes que seja tarde demais.

*Bill McGuire é professor de riscos geofísicos da University College London e um membro do grupo de trabalho de riscos naturais do governo. Seu livro "Surviving Armageddon: Solutions for a Threatened Planet" (Sobrevivendo ao Armageddon: Soluções para um Planeta Ameaçado) será publicado pela OUP em junho. Tsunami mostrou que cataclismas não pertencem à ficção científica George El Khouri Andolfato

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