UOL Notícias Internacional
 

12/04/2007 - 00h30

Por que as florestas importam

Prospect
Trevor Fenning e Kevan Gartland

As maiores florestas do mundo dão uma contribuição significativa para manter os níveis de dióxido de carbono (CO2) em limites aceitáveis. Elas contêm mais carbono, na forma de sua biomassa viva, solos e brejos associados, do que todas as reservas de combustível fóssil do mundo. De fato, é difícil ver como o problema de mudança climática pode ser resolvido sem abordar a administração das florestas do mundo, mas elas são virtualmente ignoradas em termos de política.

Em geral, assumimos que os países que consomem as maiores quantidades de combustíveis fósseis dão a maior contribuição ao aquecimento global. Mas o que realmente importa é a emissão líquida de carbono de um país - suas emissões totais, independentemente da origem, menos o carbono que é fixado de volta à Terra, principalmente pelas plantas. Entre 7 e 12% das emissões atribuídas ao consumo de combustíveis fósseis pela UE são permanentemente seqüestrados de volta por suas florestas.

Por outro lado, apesar de a Indonésia ser responsável por apenas cerca de 87 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono anualmente -1% das emissões globais- acredita-se que um excesso de 2 bilhões de toneladas métricas por ano devem-se ao desmatamento e incêndios, ocasionalmente até mais. Isso é provavelmente maior que as emissões líquidas dos EUA.

A área coberta por florestas no mundo tem estado bastante estável nos últimos 50 anos, mas houve substancial variação entre regiões. A França aumentou sua área florestada de 14% na década de 1830 para quase 30% hoje, e outras partes da Europa e dos EUA apresentam tendência similar - as florestas nessas regiões agem como verdadeiros ralos de carbono.

Em contraste, em grandes trechos dos trópicos, as florestas estão em rápido declínio, com perdas de 1 a 3% ao ano, com a Indonésia na liderança. As emissões de carbono resultantes da danificação dessas florestas e de outras formas de distúrbios ambientais excedem o carbono que está sendo fixado de volta pela recuperação de florestas em outras partes e são responsáveis por um terço do aumento dos níveis atmosféricos de CO2.

O problema não é o uso da madeira em si, mas a origem dela. Uma forma de reduzir a pressão sobre florestas naturais é plantar árvores de rápido crescimento em terras destinadas a isso, como fazemos para a agricultura. Tais plantações de florestas aumentaram para mais de 200 milhões de hectares nos últimos anos, mas a maior parte é usada para produzir materiais de "valor agregado" como papel, em vez de fornecer a madeira para construção e para lenha que os países em desenvolvimento precisam.

Muitas empresas florestais estão mudando suas operações para o cinturão subtropical, onde as árvores podem crescer muito rápido. O Sul do Brasil, Uruguai, Chile, África do Sul e Nova Zelândia estão vivenciando índices especialmente altos de investimento comercial em plantação de florestas, e a Índia e a China estão financiando seus próprios esquemas. Eucalipto, álamo e pinho são as espécies favorecidas, mas se esses sucessos puderem ser replicados com madeiras adequadas para construção e lenha -atividades responsáveis por 85% da demanda por madeira do mundo- então até as plantações existentes poderão facilmente fornecer as necessidades de madeira do mundo indefinidamente.

Entretanto, o crescimento lento das árvores adequadas para construção ou queima é um sério obstáculo para quem quer produzi-las. Os governos e corporações precisam colocar a pesquisa em andamento. O desenvolvimento de plantações de florestas de alta intensidade e da pesquisa biotecnológica associada não deve ser visto como incompatíveis com a proteção ambiental, mas como parte crucial dela.

O relatório Stern recentemente publicado sugeriu que a idéia de pagar aos seis países em desenvolvimento com os piores índices de desmatamento para proteger suas florestas custaria até US$ 11 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) por ano. No entanto, nem isso impediria a destruição, se as pessoas morando nos locais não tiverem outra alternativa senão cortar as árvores para suas necessidades de cozinha e aquecimento. Deste ângulo, o desenvolvimento de biotecnologia florestal não só é essencial à proteção ambiental, mas também representa bom valor pelo dinheiro, se comparado com muitas alternativas sendo consideradas.

Um plano global para deter ou até reverter o distúrbio de grande escala das florestas naturais e de outras áreas selvagens claramente é necessário. Se puder ser alcançado, então grande parte do aumento dos níveis atmosféricos de CO2 será fixado novamente, na medida em que o volume de biomassa viva recuperar-se e a matéria orgânica em decomposição contribuir para solos mais profundos. Quanto maior a área de floresta natural e outros locais selvagens separados para isso, maior será o benefício.

Se não conseguirmos fazer isso de forma suficientemente rápida, corremos o risco de o feedback natural começar a magnificar a mudança climática induzida pelo homem. Por exemplo, as florestas e seus solos são tremendos reservatórios de carbono, e a mudança climática está rapidamente expondo muitos deles a condições de crescimento inadequadas. Os estresses da mudança climática levam as florestas a se tornarem grandes emissoras de CO2 e outros gases de efeito estufa, em vez de agirem como ralos, como fazem agora.

De maior preocupação são as florestas boreais e seus charcos associados do Canadá, Alasca, Escandinávia e Rússia, onde as maiores mudanças de temperatura são esperadas. Eles podem contribuir para o "ponto sem volta", pelo qual um ciclo auto-sustentado de aquecimento global será iniciado, com conseqüências imprevisíveis.

Os políticos podem fazer muito para lidar com esses problemas, mas o relógio do carbono já está rodando.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host