Por que o feminismo favorece os homens

Jim Pollard

  • 08.03.2009 - Joca Duarte/Folha Imagem

    Passeata no Dia Internacional da Mulher, em São Paulo (SP), pede que o aborto deixe de ser crime

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As feministas não estão felizes.

Na França, a filósofa Elisabeth Badinter torceu os narizes de alguns leitores ao argumentar no novo livro “Le Conflit: La Femme et la Mere” (“O Conflito: A Mulher e a Mãe”) que as mulheres estão sendo escravizadas pelo ideal da mulher que faz tudo pelos seus filhos. Na Inglaterra, Natasha Walter, que defendeu o igualitarismo do “The New Feminism” [“O Novo Feminismo”] em 1998, expressou um lamento em seu novo livro, “Living Dolls” [algo como “Bonecas Vivas”]. “Já acreditei que precisávamos apenas estabelecer as condições para a igualdade para que os remanescentes do antigo sexismo desaparecessem de nossa cultura. Estou pronta para admitir que eu estava errada”, escreveu.

O que está acontecendo? Parte disso é uma questão geracional. Sugerir aos pré-adolescentes de hoje que homens e mulheres não são totalmente iguais causa incredulidade. Para eles, no século 21, isso é óbvio. Mas acho que há outra coisa acontecendo também. O feminismo aumentou massivamente a variedade de experiências de vida disponíveis para uma metade da população – mas, infelizmente, foi para a metade errada.

Quando eu era estudante nos anos 80, o feminismo era o “ismo” da vez. Os grupos de mulheres destrinchavam a injustiça enquanto os grupos de homens ponderavam a ética da masturbação em voz baixa e culpada. O feminismo mudou a forma como nos relacionávamos uns com os outros – o que era pessoal tornou-se político – e assumimos que o mundo seguiria o exemplo. Isso não aconteceu.

Mas ele fez maravilhas pelos homens. Não é só o sexo que é mais aberto, mais frequente e mais variado – uma vez que nenhuma mulher moderna quer ser rotulada de “reprimida”. Dividir a conta significa não só que os homens solteiros voltam para casa com a carteira mais cheia depois de um encontro, mas também que os casados não são mais os únicos provedores do lar.

Mulheres enfrentam desafios em profissões "masculinas"

É verdade que o feminismo proporcionou empregos melhores a uma minúscula minoria de mulheres com boa escolaridade. Mas o que mais além disso? Acordos de divórcio abastados? Só nos poucos casos que chegaram aos tabloides. Em 2009, o Instituto para Pesquisa Social e Econômica descobriu que, enquanto a renda de um homem aumenta cerca de um terço depois de um divórcio, a renda da mulher cai pelo menos 20% - e permanece baixa durante anos, mesmo que ela não tenha filhos. Pior que isso, menos de um terço das mães divorciadas recebe alguma ajuda monetária do pai de seus filhos.

Essa injustiça prova que Walter e outros estão corretos? Curiosamente, o livro de Walter não menciona o divórcio. Em vez disso, ela perde tempo arrumando briga com biólogos evolucionistas. Você provar à exaustão que as meninas gostam de cor-de-rosa por um motivo social, e não por uma predisposição, mas é mais fácil argumentar com uma Testemunha de Jeová do que com um biólogo evolucionista.

Sim, as mulheres de hoje têm igualdade de oportunidades. As meninas vão melhor na escola e representam 55% dos ingressantes nas universidades. Jovens mulheres têm mais probabilidade de encontrar bons empregos. Mas analisando diversos resultados – divórcio, renda, economias ou o número de mulheres que são diretoras nas empresas – ainda existem diferenças gigantescas. O livro de Walter cita, com uma tristeza compreensível, uma pesquisa que sugere que 60% das adolescentes que vivem em Manchester, na Inglaterra, considerariam a carreira de modelo. Mas se as perspectivas para uma boa carreira tradicional são tão ruins, será que este número surpreende?

Karl Marx inadvertidamente deu mais força o capitalismo; suas críticas permitiram que os capitalistas reformassem as maiores injustiças do sistema para sua própria vantagem. Parece que as feministas ajudaram o patriarcalismo de forma semelhante. As relações entre homens e mulheres podem ter ficado menos rígidas, mas a economia por trás delas continuou praticamente a mesma. Não é disso que as feministas deveriam estar falando?

(Jim Pollard é escritor e editor do site malehealth.co.uk.)

Tradutor: Eloise De Vylder

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