Departamento de Justiça dos EUA considera processar Julian Assange

Adam Goldman

Em Washington (EUA)

  • Peter Nicholls/Reuters

    2.fev.2016 - Julian Assange faz pronunciamento na sacada da Embaixada do Equador no centro de Londres

    2.fev.2016 - Julian Assange faz pronunciamento na sacada da Embaixada do Equador no centro de Londres

O Departamento de Justiça está considerando novamente processar Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, por seu papel na divulgação de informação altamente confidencial que o governo dos Estados Unidos alega ter prejudicado a segurança nacional e as relações diplomáticas, disse um funcionário do departamento.

O debate entre os promotores, que o funcionário descreveu como intenso, está sendo alimentado pelo secretário de Justiça, Jeff Sessions, que disse em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (20) que prender Assange era uma prioridade para o Departamento de Justiça.

O funcionário, falando sob a condição de anonimato devido aos detalhes das discussões permanecerem secretos, disse que altos funcionários do Departamento de Justiça estão pressionando os promotores no Distrito do Leste da Virgínia a prepararem uma série de possíveis acusações contra Assange.

Mas o funcionário disse que os promotores permanecem céticos de que possam processá-lo pelas acusações mais sérias, como espionagem, devido aos documentos que Assange revelou anos atrás com a ajuda de uma analista de inteligência do Exército, Chelsea Manning. Manning foi condenada e enviada para a prisão, mas o presidente Barack Obama comutou a sentença dela em janeiro.

Uma acusação menor poderia ser a de roubo de documentos do governo, mas o funcionário disse que os promotores desejam, idealmente, apresentar queixas mais sérias contra Assange, que está refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 2012, para evitar a extradição para a Suécia por acusações de estupro.

Uma porta voz do Departamento de Justiça se recusou a comentar na quinta-feira. A discussão sobre as ações contra Assange foi inicialmente noticiada pelo jornal "The Washington Post".

Assange disse repetidas vezes que é um jornalista cujo trabalho não difere das grandes organizações de notícias. Essa alegação poderia complicar o processo e colocar o Departamento de Justiça em atrito com a mídia de notícias, que também busca obter e publicar segredos do governo.

Qualquer indiciamento também acentuaria o fato embaraçoso de o presidente Donald Trump ter elogiado o WikiLeaks durante a campanha presidencial de 2016, por ter publicado e-mails de democratas proeminentes, que foram hackeados pela inteligência russa. E mesmo se o Departamento de Justiça decidir processar Assange, prendê-lo e trazê-lo para os Estados Unidos para ser julgado será difícil.

No mês passado, o WikiLeaks divulgou um lote de documentos altamente confidenciais da CIA (Agência Central de Inteligência) descrevendo as sofisticadas ferramentas de software e técnicas para acessar eletrônicos, como computadores e smartphones. A divulgação desses documentos e de outros teriam enfurecido as autoridades da CIA e gerado pressão adicional para o Departamento de Justiça processar Assange.

Sessions não é a primeira autoridade do governo Trump a investir publicamente contra Assange nos últimos dias, sinalizando que a Casa Branca pretende assumir uma linha dura contra vazadores. Na semana passada, o diretor da CIA, Mike Pompeo, disse em um discurso que "o WikiLeaks anda como um serviço de inteligência hostil e fala como um serviço de inteligência hostil". Mas, assim como o presidente que o nomeou, Pompeo aplaudiu as revelações do WikiLeaks quando beneficiaram Trump durante a campanha.

As autoridades disseram que o FBI (Birô Federal de Investigação, a polícia federal americana) apoia processar Assange. Vários anos atrás, a agência enviou uma série de documentos ao Departamento de Justiça apontando as acusações que os investigadores alegavam ter evidências para apoiar. Na época, agentes de contrainteligência do FBI acreditavam que processar Assange o dissuadiria a postar novos lotes de documentos americanos.

O Departamento de Justiça, na época sob comando de nomeados pelo presidente Obama, se recusou a acatar o pedido.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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