Eleição presidencial da França de domingo: por que é importante?

Aurelien Breeden

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    20.abr.2017 - Principais candidatos à Presidência da França, da esquerda para a direita: François Fillon, Benoit Hamon, Marine Le Pen, Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon

    20.abr.2017 - Principais candidatos à Presidência da França, da esquerda para a direita: François Fillon, Benoit Hamon, Marine Le Pen, Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon

Os eleitores franceses irão às urnas no domingo para o primeiro turno da eleição presidencial. No rastro de disrupções eleitorais por todo o mundo, incluindo a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, a eleição é uma dentre várias na Europa que estão sendo acompanhadas atentamente pelo mundo.

O que a França está decidindo?

O presidente conta com amplos poderes, apesar de o primeiro-ministro, como chefe do governo, também exercer um papel importante no sistema constitucional, assim como o Parlamento. Os presidentes são eleitos para um mandato de cinco anos, por no máximo dos mandatos consecutivos. O atual presidente, François Hollande, um socialista, não conseguiu reduzir o desemprego e ainda teve que lidar com uma série de ataques terroristas mortais.

As exigências são altas para que o próximo presidente mantenha o país seguro, recupere a economia e administre as metas às vezes conflitantes de melhorar o mercado de trabalho e manter a rede do seguro social. O papel da França na União Europeia também está sendo questionado.

As eleições para a Assembleia Nacional, a casa mais baixa e mais poderosa do Parlamento da França, ocorrerão em junho, e quem quer que chegue à presidência vai querer assegurar uma maioria legislativa favorável.

Quando e como a votação ocorrerá?

Assim como muitas eleições na França, esta conta com dois turnos. O primeiro turno, no domingo, inclui 11 candidatos. Se nenhum obtiver a maioria, os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno em 7 de maio. (Ninguém jamais venceu direto no primeiro turno desde que a votação popular direita para a presidência teve início nos anos 60.)

A eleição ocorrerá por toda a França e seus territórios no exterior. São 45,7 milhões de eleitores registrados. A grande maioria dos votos se dá por cédula em papel, contadas manualmente: não há votação eletrônica e muito poucas máquinas de votação. Os gastos de campanha são limitados e é obrigatória exposição igual na mídia.

Quem são os candidatos?

Apenas alguns poucos candidatos são considerados concorrentes sérios:

–François Fillon, um conservador do Partido Republicano de centro-direita.

–Benoît Hamon, do Partido Socialista de esquerda, caiu para um único dígito nas pesquisas de intenção de voto.

–Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional de extrema direita.

–Emmanuel Macron, um centrista independente.

–Jean-Luc Mélenchon, um candidato de extrema esquerda que criou o movimento França Insubmissa.

Dentre os candidatos, Le Pen é quem tem atraído mais atenção dos jornalistas, por causa de sua posição linha dura a respeito da imigração, seu alerta sombrio de que uma França em declínio está perdendo sua identidade e o retrospecto de seu partido com judeus e muçulmanos, entre outras comunidades.

Integridade pessoal e corrupção política se tornaram questões importantes: Fillon está envolvido em um escândalo de desvio de dinheiro e Le Pen é questionada pelo uso de sua posição como membro do Parlamento Europeu. Essas controvérsias dão a candidatos menos conhecidos a oportunidade de atacar e zombar de seus pares durante os debates ao vivo.

Macron e Le Pen estão ligeiramente à frente nas pesquisas de intenção de votos, mas os quatro candidatos à frente estão em uma disputa cabeça a cabeça nas mais recentes pesquisas, criando incerteza sobre quem chegará ao segundo turno. Até um terço dos possíveis eleitores, segundo as mais recentes pesquisas, ainda está indeciso.

Por que a França importa?

Um país de 67 milhões de habitantes, a França é a sexta maior economia do mundo, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e uma potência nuclear. Ela é uma das aliadas mais antigas dos Estados Unidos, tendo ajudado a garantir a independência americana do Reino Unido. É o país mais visitado do mundo. Desde a Revolução Francesa, a nação é vista com frequência com um farol de ideais democráticos.

A política externa francesa poderia mudar de modo significativo caso um dos candidatos que defendem laços mais amistosos com a Rússia ou o enfraquecimento da União Europeia seja eleito.

Como os eventos internacionais influenciaram a eleição?

–A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia (Brexit) incitou a discussão de uma medida semelhante por parte da França, às vezes chamada de "Frexit". Dois dos principais candidatos, Mélenchon e Le Pen, desejam, por razões muito diferentes, renegociar o papel da França no bloco. Caso as negociações fracassem, ambos disseram que realizariam referendos sobre a saída do bloco ou da zona da moeda comum, o euro.

–A eleição do presidente Donald Trump deu impulso à candidatura de Le Pen. Ela sugeriu que algo semelhante era possível na França e a Frente Nacional espera pegar uma onda semelhante de descontentamento com a imigração e a globalização. Mas algumas das ações de Trump, como o lançamento de ataques aéreos na Síria, fizeram com que Le Pen se distanciasse dele.

–Dúvidas também foram levantadas sobre se a Rússia está tentando influenciar os resultados.

Quando saberemos os resultados?

A mídia de notícias francesa não pode publicar os resultados antes do fechamento das últimas urnas às 20h. Devido a quatro candidatos estarem tão próximos nas pesquisas, os vencedores poderão ser conhecidos apenas bem mais tarde. Os resultados oficiais estarão disponíveis no site do Ministério do Interior francês.

O que acontecerá a seguir?

Um debate televisionado entre os dois finalistas está marcado para 3 de maio, quatro dias antes do segundo turno em 7 de maio. O vencedor do segundo turno será empossado em 14 de maio.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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