Fora das quadras, Agassi se dedica à caridade

Doug Smith

Nova York -­ Em frente ao Arthur Ashe Stadium há uma estátua sobre uma base de pedra, feita com a intenção de encarnar o espírito dos ex-campeões do Aberto de tênis dos EUA.

Uma mensagem gravada na pedra abaixo da estátua diz: "Com aquilo que ganhamos, sobrevivemos; porém, com o que doamos, fazemos uma vida".

No estádio, Andre Agassi, um homem que segue a filosofia caridosa do falecido Ashe, bem como o seu monograma, usa o seu talento e energia para ganhar a vida. Agassi, o número dois no ranking, se esforçou para derrotar o chileno Nicolas Massu por 6/7 (4/7), 6/4, 6/2, 7/6 (7/1) na última quinta-feira, na segunda rodada do Aberto dos EUA. Ele joga neste sábado contra Ramon Delgado, na terceira rodada.

"Há algum tempo ele vem lutando com contusões, de forma que é bom vê-lo jogando bem", disse Agassi a respeito de Delgado. "Ele é similar a Massu no sentido de que o seu serviço é ágil e intenso, o seu saque é potente e as devoluções fortíssimas".

Horas antes da sua vitória, uma escola bem equipada de West Las Vegas abria as suas portas para 150 crianças carentes. A missão é fornecê-las as ferramentas de que elas necessitam para terem uma vida melhor.

"A abertura da escola era um projeto antigo", conta Agassi. "Ver as crianças indo à escola é algo de sensacional. Mas se há algo realmente interessante é o fato de que, enquanto a escola é inaugurada, eu estou aqui, dando duro no Aberto dos EUA. O tênis me deu a oportunidade de fazer muita coisa".

"Não há maior provação do que não contar com oportunidades na vida. O empenho que vai ser exigido dessas crianças permitirá que elas aprendam a planejar e a tomar conta do seu futuro, e também que exerçam uma influência positiva sobre outras crianças. E isso me deixa inspirado".

Segundo Agassi, um dos seus objetivos é reduzir a taxa de evasão escolar de Las Vegas, dando às crianças carentes da cidade uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho munidas de um diploma universitário.

"A educação é a condição básica para o sucesso. A realização do potencial de cada um pode depender apenas das oportunidades com as quais os indivíduos contam", afirma Agassi. "A minha abordagem é pensar que posso fazer as coisas acontecerem".

Perry Rogers, amigo de infância de Agassi e presidente da Agassi Enterprises, disse que a primeira reação à inauguração da escola, na quinta-feira, foi extremamente favorável.

"Um dos membros da nossa organização me ligou e disse que não dava para acreditar no número de pais que apareceram, na empolgação manifestada pelas crianças e como os professores estavam ansiosos para trabalhar", conta Rogers.

Agassi, cujo pai, Mike, sustentou a família com o salário de fiscal de cassino, cresceu em um bairro de classe média, mas não na área economicamente desfavorecida onde fica escola. "O pai dele trabalhava muito e era bastante disciplinado", conta Rogers. "Foi apenas o amor pela cidade que fez com que Andre tomasse essa iniciativa. Ele percebeu que poderia fazer muitas mudanças caso concentrasse os seus esforços e recursos aqui".

O baile de gala beneficente anual de Agassi, que acontece em setembro, no MGM Grand, em Las Vegas, deve arrecadar mais de US$ 5 milhões (cerca de R$ 12,7 milhões) para a sua fundação. A Escola Andre Agassi, que custou US$ 4,1 milhões (cerca de R$ 10,41 milhões) é apenas um dos vários
projetos beneficentes de Agassi. A sua generosidade e preocupação para com o próximo já fez com que
recebesse vários tributos, incluindo o USA Weekend's Most Caring Athlete Award, um prêmio para os atletas engajados em trabalhos de caridade.

Através da sua fundação de caridade, Agassi construiu um clube para meninos e meninas carentes com 2.300 metros quadrados de área em 1997. Recentemente, mais de 350 menores, com idades entre cinco e dezoito anos, passaram o dia no clube, que tem ar condicionado, jogando basquete e outros jogos, lendo livros e aprendendo a navegar na Internet.

"Quando visito o clube adoro ver o sorriso das crianças", diz Agassi. "Você deveria ter visto a
área antes de termos construído o clube. As janelas estavam fechadas com tábuas de madeira e as
instalações estavam totalmente abandonadas. Era um quadro realmente desolador. Hoje em dia, a situação é
outra, já que todo mundo toma conta do complexo, pois ele é parte da comunidade".

Durante a sua carreira de 15 anos, Agassi demonstrou algumas vezes possuir um lado meio delinquente que ele com certeza não aprovaria nas crianças que frequentam a sua escola ou o seu clube. Ele foi expulso de torneios por duas vezes, por ter utilizado palavras de baixo calão e foi ainda bastante cáustico com a mídia após ter sofrido algumas derrotas estrondosas. No entanto, os seus defeitos são mais do que compensados pelas contribuições que dá aos necessitados. A escola que tem o seu nome é o mais recente exemplo do seu engajamento na campanha de caridade.

"A escola não é um reflexo do seu sucesso como tenista. Ela é uma imagem da bondade genuína que há no seu coração. Ao dar aos jovens a chance para realizarem os seus sonhos, ele aumenta a possibilidade de que essas crianças algum dia venham a fazer o mesmo por outros", diz Gil Reyes, o seu técnico e confidente.

Tradução: Danilo Fonseca

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