Migração interna é pequena nos EUA, diz pesquisa

Martin Kasindorf e Paul Overberg

Contrariando a impressão de que os Estados Unidos seriam uma sociedade itinerante e sem raízes fixas, novos dados do censo revelam que a maior parte dos norte-americanos costuma se estabelecer em sua área geográfica de origem.

Sem contar com os imigrantes, muita gente não mora muito longe do local em que nasceu, segundo estatísticas recém-divulgadas.

Em uma pesquisa feita pelo governo federal em 700 mil domicílios, que suplementa o Censo 2000, 67% dos norte-americanos natos afirmaram que vivem no estado em que nasceram.

Essa percentagem se mantém praticamente inalterada desde 1990.

E talvez a maior surpresa tenha sido a Califórnia. De acordo com o senso comum, esse é o estado para o qual muita gente se muda, procurando surfe e sol. No entanto, segundo o censo, a Califórnia teve o maior crescimento no número de indivíduos nativos que permanecem no seu local de origem.

Nos anos 90, a Califórnia passou do 35º para o 22º lugar no ranking de população nativa. Nada menos do que 68,3% dos moradores da Califórnia nasceram no estado.

"Essa situação chega a ser quase contraditória, se imaginarmos a Califórnia como sendo um estado em constante mudança", afirma William Frey, demógrafo do Milken Institute, em Santa Monica, e da Universidade de Michigan. Segundo o analista, dois fatores são responsáveis por essa tendência:

- As estatísticas refletem mudança social e não estagnação. Os imigrantes do exterior que vieram para a Califórnia nos anos 80 e 90 contribuíram para um alto índice de natalidade. "Esses latinos e asiáticos estão tendo os seus filhos aqui", afirma Dowell Myers, professor de planejamento de políticas públicas da Universidade do Sul da Califórnia.

- A longa recessão californiana inibiu a migração oriunda de outros estados. Durante os prósperos anos noventa, "todos os estados norte-americanos tinham economias em boa forma, de maneira que não havia incentivos para que ninguém viesse para cá", explica Myers.

Nova York lidera a lista da percentagem de moradores nascidos no próprio estado. Embora possua um alto índice de emigração, poucos norte-americanos se mudaram para lá, fazendo com que os nova-iorquinos natos respondam por 82,4% da população.

Nevada está na lanterninha da lista, com 28,2%.

A Carolina do Norte, Carolina do Sul, Wisconsin, Arkansas e Kentucky tiveram um grande aumento no índice de moradores provenientes de outros Estados.

Segundo os analistas, o desenvolvimento no setor de alta tecnologia foi responsável por grande parte da mudança ocorrida na Carolina do Norte.

Da mesma forma, o impulso no setor de biotecnologia, centrado na Universidade de Wisconsin, atraiu "vários trabalhadores qualificados de ambas as costas do país" para Madison, uma cidade famosa pelo seu elevado nível de vida, explica Harvey Jacobs, professor de planejamento regional e urbano da universidade.

A mistura populacional em Arkansas se alterou quando famílias latinas da Califórnia, do Texas e de Illinois vieram para o Estado para trabalhar nos frigoríficos de frango, de acordo com Sarah Breshears, demógrafa da Universidade de Arkansas-Little Rock.

E assim como na Carolina do Sul, a maior atração oferecida aos forasteiros que se mudaram para o Kentucky foram as novas montadoras de veículos automotivos, de acordo com o demógrafo Michael Price.


Tradução: Danilo Fonseca

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