Governo dos EUA definirá futuro da Microsoft

BYRON ACOHIDO

Seattle - Como o governo norte-americano poderia punir a Microsoft por manter ilegalmente o seu monopólio sobre sistemas operacionais de microcomputadores?

Agora, a resposta a essa questão pode ser fornecida mais rapidamente, já que o Departamento de Justiça delineou o seu processo antitruste contra a gigantesca empresa de softwares. Pode se chegar a uma solução através de acordo ou de determinação judicial. Mas, qualquer que seja o caso, essa solução pode demorar apenas meses, ao invés de anos. É quase que certo que tal solução vá atrapalhar os planos da Microsoft para dominar o comércio na Internet, segundo os analistas do setor.

"Essa é uma abordagem mais cirúrgica do Departamento de Justiça, que agora afirma querer uma solução rápida", afirma Bob Steinberg, presidente da xSides, que está desenvolvendo um sistema operacional concorrente. O tribunal poderia:

- Proibir a Microsoft de utilizar cláusulas nos contratos ou ameaças veladas para limitar a oferta de produtos rivais por parte dos fabricantes de microcomputadores. "A medida do sucesso dessa solução vai ser a capacidade dos fabricantes de microcomputadores em ganhar controle sob o processo de venda independente dos seus produtos", afirma Chris Le Tock, analista da Guernsey Research.

- Determinar a abertura de partes do código operacional do Windows aos competidores, de forma que esses pudessem fazer os seus softwares e programas de serviço para os cerca de 92% de microcomputadores que utilizam o sistema operacional da Microsoft.

- Tomar outras iniciativas no sentido de limitar a capacidade da Microsoft em fazer com que os seus produtos funcionem melhor do que os concorrentes, ao trabalharem com o sistema operacional Windows.

Vários dos 18 juízes estaduais que participam do caso no Departamento de Justiça acreditam que a Microsoft continuou a utilizar táticas ilegais para possibilitar a leitura do seu novo sistema operacional, o Windows XP. A Microsoft desagradou muita gente ao empacotar conjuntamente um serviço de mensagens, um reprodutor de mídia, um serviço de autenticação de identidade em XP e ao planejar a criação de uma nova rede de serviços da Web, a chamada HailStorm.

Tudo isso é parte da estratégia de atuação da Microsoft na Internet para se tornar o principal fornecedor de softwares utilizados para o comércio na Web, bem como o provedor dos mais populares serviços do ciberespaço, tais como aquele de mensagem e de notificação instantânea.

Atualmente os reguladores parecem desejar estabelecer rapidamente alguns limites para a estratégia da companhia, que planeja dominar a Internet da mesma forma que dominou os microcomputadores.

"Essa indústria evolui de uma forma incrivelmente rápida, e nós esperamos fazer com que o processo judicial acompanhe essa evolução de forma igualmente ágil e efetiva, a fim de proteger os consumidores, a inovação e a concorrência leal", afirma o juiz do Estado de Iowa, Tom Miller.

Embora o governo tenha indicado que não vai tentar impor obstáculos ao lançamento do XP no mês que vem, um encerramento rápido do julgamento no início do ano que vem poderia significar mudanças para o novo sistema operacional. A Suprema Corte poderia determinar que a Microsoft realizasse essas mudanças de maneira retroativa, através de downloads pela Internet, segundo Rob Enderle, analista do Giga Information Group. "Isso faz parte de um ataque ao sistema operacional XP, e eles estão concentrados em agir rapidamente", afirma Enderle.

Devido às complexidades do caso e das crescentes pressões sobre o Windows XP, na quinta-feira havia pouca gente feliz nas instalações da Microsoft, em Redmond, no Estado de Washington. Os investidores tampouco estavam celebrando. As ações da Microsoft tiveram uma queda de 3%, fechando em US$ 56,02 (R$ 144,75).

Tradução: Danilo Fonseca

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