Análise: Algo fundamental mudou na política dos EUA

Chuck Raasch

Washington, EUA - Os líderes políticos dos Estados Unidos lutavam na quarta-feira (12) para retomar uma posição que pode ter sido perdida para sempre.

Os ataques suicidas da terça-feira que atingiram Washington e Nova York aumentaram as preocupações com a segurança nacional, colocaram o país no limiar de uma guerra e, pelo menos por ora, desviaram a atenção pública que estava voltada para os problemas que afligem a economia norte-americana.

Alguns líderes políticos avisaram que a retaliação pode não vir tão rapidamente quanto gostaria a opinião pública. Outros temem que esta semana possa ter marcado aquilo que seria o início de uma feroz escalada terrorista no país.

Temos agora um novo contexto, que diz respeito a questões de vida ou morte. As discussões da semana passada, que se concentravam nos problemas relativos à previdência social e à escassez de recursos para o "social security", deram lugar, momentaneamente, às declarações do presidente Bush, que deseja investir "aquilo que for necessário" neste momento para responder aos atentados e punir os responsáveis.

Tanto Bush quanto o Congresso estão tentando demonstrar a sua determinação em fazer com que o país retorne ao normal. Mas esse retorno à normalidade deve ser acompanhado de uma nova lista de prioridades.

"As questões relativas à proteção dos norte-americanos e à segurança nacional encabeçam o topo da lista", diz Terry Holt, assessor do líder da maioria da Câmara, Dick Arney, deputado federal republicano do Texas.

"É claro que o presidente se preocupa a todo momento com a economia. Mas, em um momento como este, a sua principal preocupação é com o incidente", afirma o secretário de Imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer.

Ainda que os líderes políticos da nação tentem assegurar à população que tanto o governo como a economia não vão recuar ante a situação, eles não deixam de reconhecer que haverá mudanças irreversíveis, desencadeadas por uma das maiores carnificinas ocorridas em solo norte-americano.

"Hoje, estamos vivendo em um novo mundo", disse o deputado Richard Gephardt, democrata de Montana, após ter recebido, juntamente com outros membros da Câmara, informações de teor sigiloso sobre questões de segurança nacional. "Os Estados Unidos da América nunca mais serão o mesmo país". Sob a liderança de Bush, a retórica bélica tomou conta de Washington.

"O povo norte-americano precisa saber que estamos enfrentando um inimigo diferente de todos os outros que já combatemos", disse Bush resumidamente, após uma reunião com assessores de segurança nacional. "Esse inimigo se esconde nas sombras e não se importa com a vida humana. É um inimigo que procura se ocultar, mas eles não vão conseguir se esconder para sempre".

O senador John Kerry, democrata de Massachusetts, advertiu que desafios mais duros ainda podem vir pela frente. "É importante que a nossa retórica seja acompanhada pela ação", disse o senador. "O que aconteceu na terça-feira foi algo de terrível e horrendo, mas temos que nos preparar e nos fortalecer para enfrentarmos o pior", disse ele.

O caminho de volta não será fácil. Uma sensação de segurança reforçada envolve as instâncias de governo. Os turistas são impedidos de entrar no Capitólio, onde impera um clima de nervosismo. Somente membros do Congresso, assessores, visitantes a trabalho e membros da mídia estão tendo acesso à sede do poder legislativo norte-americano. Dessa forma, quando os senadores se mobilizaram para criticar o terrorismo e clamar por uma retaliação, as galerias estavam virtualmente vazias.

Funcionários do Capitólio falaram de cenas assombrosas e surrealistas do dia anterior, quando o prédio foi evacuado devido ao temor de um ataque. Uma dessas cenas foi o estado dos corredores e escadarias, que ficaram repletos de sapatos perdidos pelas mulheres que fugiam em pânico da sede do Congresso da nação mais poderosa do planeta.

Tradução: Danilo Fonseca

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