Ataques abalaram os nervos de passageiros de avião, diz pesquisa

Laura Bly

É tão previsível quanto os avisos durante o vôo para fechar a mesinha e apertar o cinto de segurança: os grandes acidentes de aviação causam um surto de ansiedade entre os estimados 17% de americanos que se descrevem como medrosos de avião.

Mas tanto os passageiros temerosos quanto os especialistas em medo de voar dizem que o seqüestro dos aviões na terça-feira (11/09) e os posteriores ataques terroristas a Nova York e Washington poderão causar uma relutância mais profunda e duradoura a embarcar em vôos comerciais.

Segundo uma pesquisa da Harris Interactive entre mais de 4.600 adultos realizada na terça-feira à noite e quarta-feira de manhã, 64% dos entrevistados disseram que sentiriam medo de voar nos próximos dias; 37% disseram que provavelmente evitariam voar nos próximos meses.

Em outra pesquisa entre viajantes executivos feita pela Business Travel Coalition na terça-feira, 165 de 187 empresas -88%- disseram que esperam que seus funcionários voluntariamente reduzam as viagens nas próximas semanas. Os viajantes executivos são os passageiros mais lucrativos das companhias aéreas, contribuindo com 40% a 60% do faturamento do setor.

E numa nova pesquisa encomendada pela firma de marketing Yesawich, Pepperdine & Brown, sediada em Orlando, embora apenas quatro em cada dez viajantes de turismo disseram que os ataques terroristas desta semana provavelmente influirão em suas futuras viagens, 68% dos turistas disseram que quando possível vão dirigir seus carros em vez de voar.

Pânico

Mesmo alguns funcionários de companhias aéreas estão incomumente nervosos, disse David Stempler, diretor da Associação de Viajantes Aéreos. "Ouvi falar que muitos pilotos de avião estão preocupados em voltar aos aviões, porque agora qualquer maluco sabe que consegue passar pela segurança e derrubar a porta da cabine", diz Stempler. "Existe uma verdadeira preocupação entre as tripulações de aviões. Um piloto queria trabalhar armado."

Quanto aos viajantes, eles "já têm essa ansiedade, e agora também estão com medo dos demais passageiros", diz Stempler.

"Eu adoro voar, mas agora não sei se quero entrar num avião", diz John DiScala, que viaja 150 mil milhas por ano e dirige um site na web para viajantes freqüentes, www.johnnyjet.com.

O que torna os desastres desta semana diferentes de outros acidentes importantes, diz o psicólogo R. Reid Wilson, da Chapel Hill, Carolina do Norte, é que "não apenas eles aconteceram em nosso território, como também afetam nossas psiques em muitas dimensões".

"Nós damos duro para reduzir o medo das pessoas, mas não consigo mais tranqüilizar meus pacientes", diz Wilson. "E estamos apenas começando a sentir as conseqüências."

"Se você examinar a coisa de modo totalmente racional, estamos muito melhor em termos de segurança real", disse Tom Bunn, um piloto comercial aposentado de Westport, Connecticut, que hoje dá seminários sobre medo de voar. "Mas agora essa consciência de nossa vulnerabilidade foi claramente demonstrada. De repente parece que voar é muito arriscado."

Além disso, diz Bunn, as terríveis imagens como de cinema, dos aviões mergulhando nos prédios mais altos de Nova York, ficarão marcadas na consciência do público por muito mais tempo do que acidentes anteriores, como a colisão em pleno ar sobre San Diego e a queda de um DC-10 em Chicago.

As cenas do World Trade Center, repetidas com freqüência na televisão e nas telas de computador, provam para muitos que "voar equivale à destruição do que acreditávamos fosse indestrutível". Mas, segundo Bunn, "enquanto não podemos controlar ou escapar do terrorismo, também não podemos evitar o terrorismo não voando. Afinal é isso que eles estão tentando dizer: 'Você pode correr, mas não pode se esconder'".

(Colaborou Kitty Bean Yancey)

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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