Terrorismo cria momento único e histórico para Bush e os EUA

Richard Benedetto

Washington, EUA -- Este é o momento de definição para o presidente George W. Bush.

Não importa o que aconteça com a economia nos meses que vêm pela frente, ou a opinião do eleitorado sobre o seu programa de redução dos impostos, os seus planos de reforma educacional, seu orçamento, seu estilo de comunicação ou quaisquer dos vários outros tópicos que foram objeto de acalorada discussão nas últimas semanas, o que os livros de história vão registrar para sempre é se Bush teve sucesso ou fracassou na administração dessa ameaça terroristas que tomou a nação como refém.

"Esta é realmente uma daquelas crises de definição da história norte-americana que se apresentam para poucos presidentes", afirma Stephen Hess, pesquisador do Brookings Institution que estuda a Presidência dos Estados Unidos, e que já trabalhou para quatro presidentes.

De fato, Abraham Lincoln teve a guerra civil, Thomas Wilson a Primeira Guerra Mundial, Herbert Hoover a Grande Depressão, Franklin Roosevelt a Segunda Grande Guerra, John Kennedy a crise de mísseis em Cuba e Lyndon Johnson a guerra do Vietnã.

Agora, Bush tem a sua luta contra o terrorismo, que ele qualificou apropriadamente como "a primeira guerra do século 21". Não se iludam, a crise com a qual tanto Bush como a nação se defrontam é diferente de qualquer outra. Nenhum presidente enfrentou ataques de elementos estrangeiros em solo norte-americano desde James Madison, na guerra de 1812.

Os norte-americanos nunca antes se sentiram pessoalmente inseguros na própria casa. Nunca antes um inimigo foi tão esquivo. Nunca as opções para uma retaliação foram tão complexas. E nunca, desde Pearl Harbor, a população norte-americana esteve tão furiosa.

E a responsabilidade para nos conduzir por esse caminho incerto caiu sobre os ombros de Bush.

Até agora, assim como aconteceu a vários presidentes que se defrontaram com uma crise nacional, ele está experimentando aquele fenômeno conhecido como "união-em-torno-da-bandeira".

As pesquisas demonstram que o seu índice de aprovação saltou de pouco mais que 50%, na fase imediatamente anterior aos ataques, para mais de 80% após os atentados. Segundo os resultados de uma pesquisa de opinião da ABC News/Washington Post, divulgados na última sexta-feira, o índice de aprovação de Bush está em 86%, o maior já alcançado por qualquer presidente desde que o seu pai chegou aos 89%, após vencer a Guerra do Golfo, há mais de dez anos.

Antes disso, os últimos presidentes a obter índices de aprovação acima de 80% foram Harry Truman, ao final da Segunda Grande Guerra, e Franklin Roosevelt, no início daquele conflito, o que indica a intensidade da reação dos norte-americanos aos atentados da semana passada.

(Franklin Delano Roosevelt foi o primeiro presidente cujos índices de aprovação foram medidos por pesquisas de opinião)

Desde o dia do ataque, a política partidária foi colocada de lado. Democratas e republicanos no Congresso têm demonstrado impressionante unidade entre si, além de estarem apoiando o presidente. Bush e o Congresso estão trabalhando em uma resolução que autorize o presidente a agir militarmente, e a previsão é de que a medida seja aprovada por unanimidade.

"Hoje não existe partidarismo; somente patriotismo", afirmou no dia 11 de setembro o diretor do Comitê Nacional Democrático, Terry McAulifffe.

"Os norte-americanos estão unidos em torno da determinação de nos movermos em conjunto", acrescentou Jim Gilmore, governador republicano da Virgínia.

A situação é bem diferente dos desentendimentos interpartidários que marcaram a preparação para a Guerra do Golfo, uma década atrás. Na época, a maior parte dos republicanos apoiou a invasão norte-americana do Kuait, enquanto que a maioria dos democratas optou por impor sanções mais rígidas ao Iraque. No final, o Senado aprovou a ação militar por 52 votos a 47 e a Câmara por 250 votos a 183, refletindo as linhas partidárias. A votação autorizou o pai do atual presidente, George H. W. Bush, a lançar uma ação ofensiva contra o Iraque.

Portanto, Bush dá início à sua temerária tarefa tendo um país unido atrás de si. Se essa união vai perdurar é algo que ninguém pode garantir. Quer se goste ou não de Bush, ele é o presidente. E, a sua vitória ou derrota, registrada pela história, será também a nossa.

Tradução: Danilo Fonseca

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