Arsenal nuclear paquistanês preocupa EUA

Larry Wheeler

Washington, EUA -- É extremamente improvável que os Estados Unidos utilizem um artefato nuclear como resposta militar aos ataques terroristas ao World Trade Center e ao Pentágono, segundo o depoimento de especialistas em assuntos militares e em inteligência.

Para alguns, o que é mais preocupante é o status do pequeno, mas perigoso, arsenal nuclear paquistanês.

"O maior pesadelo que podemos imaginar seria as armas nucleares do Paquistão caírem nas mãos de uma célula muçulmana radical", afirma Bruce Blair, presidente do Centro de Informações de Defesa. "Se isso acontecesse, o fato teria um profundo efeito sobre a nossa capacidade de realizar uma campanha militar, já que haveria uma extraordinária ameaça às forças terrestres norte-americanas".

O Paquistão surpreendeu o mundo em 1998 ao explodir um artefato nuclear durante a corrida armamentista travada com a Índia, o seu maior inimigo. Acredita-se que o Paquistão possua pelo menos 20 ogivas nucleares, além da capacidade de lançá-las com mísseis de alcance limitado.

O arsenal nuclear do Paquistão é realmente uma preocupação mas, segundo o deputado republicano Porter Gross, da Flórida, diretor do Comitê de Inteligência da Câmara, o regime militar paquistanês é perfeitamente capaz de manter essas armas em segurança.

"Não creio que esse seja um fator preocupante", diz Gross, que se encontrou com os líderes paquistaneses durante uma viagem que fez à região em agosto. "As forças armadas paquistanesas vão manter a lei e a ordem, zelando pela segurança nacional".

Segundo os especialistas, os Estados Unidos têm muitos motivos para não recorrerem a uma retaliação nuclear.

"É difícil de pensar em quaisquer circunstâncias, além daquelas em que a sobrevivência nacional estivesse em risco, em que os Estados Unidos utilizassem as suas armas nucleares", diz Lee Feinstein, pesquisador da instituição Carnegie Endowment for International Peace, e ex-membro da administração Clinton, que participou da resposta norte-americana à surpreendente explosão da bomba atômica paquistanesa em 1998.

Desde que os Estados Unidos explodiram duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo um fim à Segunda Guerra Mundial, nenhuma arma nuclear voltou a ser utilizada em um conflito armado.

Segundo Matthew Martin, especialista em armamentos do Centro Henry L. Stimson, a retaliação com aquela que é a mais poderosa das armas abriria para sempre um precedente para que as outras potências nucleares fizessem uso desses artefatos. Além disso, a opinião mundial, que atualmente é simpática aos Estados Unidos, provavelmente se voltaria contra a superpotência, caso os norte-americanos detonassem a sua arma mais letal.

"O preço pago pelos Estados Unidos junto à opinião internacional seria provavelmente maior do que qualquer benefício advindo da utilização do arsenal atômico do país", diz o especialista.

Sob uma perspectiva militar, o uso de uma arma nuclear seria uma forma ineficaz de retaliação.

Segundo Blair, o Afeganistão não possui alvos resistentes e de alto valor qualitativo para serem atingidos. A explosão de uma bomba atômica nas montanhas, na esperança de aniquilar Osama bin Laden e os seus seguidores, seria provavelmente uma estratégia destinada ao fracasso, e, além disso, uma chuva de partículas radioativas poderia se espalhar pelo vizinho Paquistão, ameaçando diminuir ainda mais o apoio internacional aos Estados Unidos.

O secretário de Defesa Donald Rumsfeld se recusou a descartar o uso de armas nucleares, ao ser perguntado duas vezes sobre isso, em uma entrevista ao programa "This Week", da rede de televisão norte-americana ABC.

"Temos que sentir muito orgulho da prova de humanidade que temos demonstrado por não termos utilizado essas armas em um período de 55 anos", diz Rumsfeld. "E temos que encontrar o maior número de formas possíveis para lidarmos com a grave questão do terrorismo".

Tradução: Danilo Fonseca

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