Estudantes muçulmanos abandonam universidades dos EUA

Mary Beth Marklein

Sentindo a pressão oriunda da terra natal, vários estudantes do Oriente Médio interrompeu os estudos em faculdades e universidades norte-americanas.

- Pelo menos 27 dos 2,8 mil estudantes estrangeiros da Universidade do Arizona deixaram os Estados Unidos, segundo funcionários da instituição. Um deles é do Paquistão; os outros dos Emirados Árabes Unidos.

- Na American University, em Washington, pelo menos 32 alunos de países do Oriente Médio trancaram a matrícula. A universidade possui mais de dois mil estudantes estrangeiros de 160 países.

- Segundo a direção da Universidade do Colorado, em Denver, cerca de 26 dos seus 250 alunos de países do Oriente Médio estão deixando o campus. A maioria desistiu dos cursos, mas alguns vão tentar completar o programa acadêmico através da Internet.

Na maioria dos casos, os funcionários dizem esperar que os alunos retornem no próximo semestre.

"A maior parte dos estudantes não está abandonando o programa por medo. Eles estão apenas respeitando a aflição dos pais, que estão do outro lado do mundo e assustados com o que possa acontecer aos seus filhos", diz Ahmed Habil, presidente da Associação de Estudantes Muçulmanos da Universidade do Colorado, em Denver.

Larry Bell, diretor do centro de educação internacional da universidade, concorda: "Quase todos os que estão desistindo o fazem devido à pressão dos pais".

Alguns estudantes financiados por bolsas concedidas pelos seus governos estão deixando os cursos por exigência das organizações que custeiam seus estudos, de acordo com Todd Sedmak, porta-voz da American University.

A Universidade de Nova York, que possui a maior população de estudantes estrangeiros entre as faculdades e universidades norte-americanas, e que fechou alguns dos seus dormitórios após os ataques ao World Trade Center, se recusou a divulgar comentários sobre o assunto.

No entanto, a maioria dos campus anunciou que teve poucas ou nenhuma desistência por parte de estudantes estrangeiros.

Na Boston Northeastern University, que perdeu um aluno em um dos aviões seqüestrados, os funcionários afirmaram que dois ou três dos 2,5 mil estudantes estrangeiros indicaram que não vão se matricular para o semestre. Somente três dos 3,2 mil estudantes estrangeiros da Universidade de Indiana abandonaram os seus programas acadêmicos até o momento. E na Universidade do Colorado, em Boulder, a estudante do segundo ano, Amina Nawaz, presidente da associação de estudantes muçulmanos, só conhece um, dos cerca de 100 alunos de graduação muçulmanos, que deixou o programa.

"Alguns outros alunos estavam pensando em deixar a universidade, mas agora eles se acalmaram", diz ela.

Administradores de universidades de toda a nação dizem que intensificaram os trabalhos de proteção a estudantes vulneráveis. Mesmo assim, em meio às investigações federais e às promessas feitas pela administração Bush no sentido de adotar medidas de segurança mais restritas, vários líderes de educação superior prevêem que os estudantes estrangeiros acabem sendo mais vigiados.

Michael Palm, diretor de marketing do ESL Language Centers, uma escola de línguas com sede em Princeton, Nova Jersey, afirma que investigadores procuraram nos registros da empresa informações sobre um estudante estrangeiro que teria o mesmo nome que um dos suspeitos de ter seqüestrado o vôo 77 da American Airlines, que foi arremessado contra o Pentágono. O aluno, cujo nome é Hani Hanjour, se matriculou para um curso em novembro do ano passado, mas nunca apareceu.

Agora, alguns educadores que lidam com estudantes estrangeiros estão deixando de se opor a um sistema computadorizado, desenvolvido pelo Serviço de Imigração e Naturalização, para rastrear estudantes estrangeiros de forma mais eficiente. O sistema, que deve entrar em operação em todo o país em 2003, foi criado devido à preocupação que se seguiu ao atentado à bomba feito em 1993 ao World Trade Center. Na ocasião, os investigadores descobriram que um dos terroristas entrou no país com um visto para estudar na Wichita State University, no Kansas.

Embora os defensores dos programas de intercâmbio estudantil reclamem de que o Serviço de Imigração e Naturalização planeja enviar uma mensagem de hostilidade e erguer uma barreira irracional contra os estudantes estrangeiros que têm intenções honestas, muitos reconhecem que os eventos de 11 de setembro mudaram toda a situação.

"O período para a discussão desse assunto se esgotou e, agora, é chegada a hora de se elaborar uma resposta ponderada ao terrorismo", afirma uma declaração da Nafsa, a Associação de Educadores Internacionais.

Tradução: Danilo Fonseca

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