História mostra dimensão dos ataques terroristas aos EUA

John Omicinski

Washington, EUA -- A magnitude da "Terça-Feira Sangrenta", dia em que Nova York e Washington foram vítimas do ataque, pode ser avaliada claramente através das lentes da história.

Se o número de vítimas fatais chegar a pelo menos 6.823, como é provável que aconteça, isso significará que a quantidade de mortos em solo norte-americano na manhã de 11 de setembro terá sido maior do que o número de fuzileiros navais que perderam a vida na terrível batalha para tomar a ilha de Iwo Jima dos japoneses, em 1945.

Só que a batalha de Iwo Jima durou cinco semanas, e não alguns minutos.

Na "Terça-Feira Sangrenta" mais vidas foram perdidas do que o número somado de baixas da invasão das praias da Normandia no Dia-D (3.082 mortos), em 1944, e do sorrateiro ataque japonês a Pearl Harbor (2.288 baixas), em 1941.

O número de mortos da "Terça-Feira Sangrenta" se compara ao da Batalha de Okinawa, aquela onde houve mais baixas em uma única ofensiva da Guerra do Pacífico. Naquela ocasião, o exército e o corpo de fuzileiros navais perderam 7.229 homens. Só a Batalha de Bulge (20 mil mortos), na Europa, que durou um mês, fez mais vítimas em uma única ação ocorrida na Segunda Guerra Mundial.

Em geral, essas batalhas acabaram sendo vencidas pela vontade das forças norte-americanas, e não pela tecnologia. As forças terrestres no Pacífico se transformaram em uma verdadeira casta guerreira, capaz de fazer frente, da melhor forma possível, a um inimigo japonês selvagem, impiedoso e, muitas vezes, suicida.

A questão que se apresenta agora é saber se os norte-americanos possuem a determinação para vencer uma longa, difícil, sangrenta e cara guerra contra terroristas árabes que também são impiedosos e suicidas.

Embora muitos norte-americanos se recusem a aceitar o fato, desta vez nós começamos como os perdedores.

Os nossos tanques, mísseis e equipamentos de alta-tecnologia podem não significar nada em uma luta contra homens e mulheres malignos, que utilizam apenas navalhas de cortar papelão para nos destruir. Além do mais, os nossos combatentes e a nossa causa não impõem muito respeito a essa gente.

Para piorar a situação, parece que se tornou chique ser anti-americano. Muitos adolescentes simplesmente não se levantam de suas cadeiras para fazer o Juramento de Lealdade.

O Vietnã nos ensinou que não somos bons em guerras longas e custosas. A confusão e a desilusão são muitas vezes disseminadas entre o povo e os soldados norte-americanos, conforme pudemos observar na triste desmoralização que se abateu sobre os nossos cidadãos nos dias que se seguiram a 11 de setembro.

Conforme disse Tony Kern, ex-diretor da Academia da Força Aérea e historiador militar em um e-mail para os seus amigos e ex-estudantes, "será a vontade do povo norte-americano que vai decidir esta guerra, e não a 101ª Divisão Aerotransportada. Se vencermos, será porque temos aquilo que é necessário para perseverar, mesmo sofrendo alguns golpes a mais, e também porque aprendemos com os nossos erros, improvisamos e nos adaptamos. Se pudermos fazer isso, cedo ou tarde vamos prevalecer".

Kern prevê que há pela frente uma batalha de atrito, na medida em que os terroristas devem agir como o general norte-vietnamita Vo Nguyen Giap, que nunca venceu uma batalha tática contra as forças norte-americanas, mas que minou a moral da população dos Estados Unidos.

Novamente haverá os "quinta-colunas", pessoas que possuem passaportes norte-americanos, mas que fugirão da dor e do sacrifício, ou aquelas que simplesmente não são exatamente fãs do seu país. Várias delas serão advindas da envelhecida geração pacifista da época do Vietnã.

Esses indivíduos serão facilmente identificados pelos seus discursos e atitudes. Os campus universitários estão cheios dessas pessoas. Em Berkeley, na Califórnia, os bombeiros da universidade tiveram que retirar as bandeiras dos seus equipamentos para não enfurecerem os estudantes.

Não foi um bom sinal o fato de cidadãos norte-americanos que pertencem à "quinta-coluna" do medo terem conseguido uma vitória estratégica ao fazer com que o Pentágono mudasse o nome da guerra, que originalmente se chamava Operação Justiça Infinita. Até mesmo os recuos simbólicos são importantes neste tipo de guerra.

Os primeiros sinais enviados pelos corretores de Wall Street também indicam que, nesta nova era, o patriotismo termina onde começa o dólar.

Devido à rápida disseminação do anti-americanismo desde o fim da Guerra Fria, não contaremos com muitos aliados de verdade nesta luta. Bernard Wasserstein, professor de história da Universidade de Glasgow, compara esse fato ao anti-semitismo dos anos 30.

"Quando estão no exterior, os norte-americanos recebem o seguinte conselho de muita gente: 'Perguntem a si próprios porque vocês são tão odiados'". Ele lembra que os judeus ouviram essa mesma retórica antes da Segunda Guerra Mundial.

Até mesmo nos Estados Unidos, uma quinta coluna formada pelos politicamente corretos está proibindo o uso de broches com a bandeira norte-americana nos locais de trabalho, o que dá uma idéia da batalha que há pela frente. Entre as empresas que adotaram tal política está ninguém menos do que a ABC News.

"Essa guerra vai ser ganha pelos cidadãos norte-americanos, e não pelos diplomatas, pelos políticos ou pelos soldados", escreve Kern. "Esses terroristas árabes não vão desaparecer facilmente na noite. Eles não nos temem. Nós também não devemos temê-los".

Será que eles poderiam derrubar o poderoso Estados Unidos da América, transformando-o em um país isolacionista impotente? A resposta é sim, caso os norte-americanos optarem por não meter a mão na massa. O futuro dirá qual será a opção do povo dos Estados Unidos.

Tradução: Danilo Fonseca

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