Despesas astronômicas fazem parte da guerra contra o terrorismo

John Omicinski

Washington, EUA -- A mudança de uma guerra fria global para uma guerra global contra o terrorismo com certeza será muito cara.

Além do mais, essa mudança fez com que o orçamento federal, que se concentrava em investimentos domésticos, fosse subitamente redirecionado para gastos militares. Escolas, programas de bem-estar social, estradas e seguridade social vão ter que esperar na fila até que a guerra contra o terrorismo diminua de intensidade.

Sob um ponto de vista orçamentário, o Departamento de Defesa está sendo privilegiado, recebendo verbas abundantes que devem continuar fluindo nessa direção conforme o departamento se encarregue das seguintes prioridades:

- Uma guerra multiregional contra os terroristas e contra regimes que abrigam terroristas.

- Assistência humanitária para um número que pode chegar a milhões de refugiados.

- Novas exigências para a defesa do território norte-americano.

- Um novo programa para se patrulhar os céus dos Estados Unidos e os aeroportos a fim de evitar a ação dos seqüestradores.

- Formação de uma força policial para guardar os vôos comerciais domésticos.

- A convocação de 27.025 - e talvez até 50 mil - membros da Guarda Nacional e da Reserva das Forças Armadas.

- Reparação de um número extra de aeronaves, navios e submarinos que já estavam apresentando problemas de manutenção.

- Reconstrução da sede do Pentágono, que foi muito danificada.

- Qualquer outra tarefa que o Congresso atribuir ao departamento.

Na segunda-feira, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld deu uma boa idéia da amplitude dessas ações, afirmando que a guerra contra o terrorismo "será travada de forma bem semelhante à Guerra Fria". Mas ele disse não possuir uma estimativa dos custos finais.

O Departamento de Defesa possui US$ 363 bilhões (R$ 1,005 trilhão) para o orçamento de 2001-2002, referente ao ano fiscal que começou em 1º de outubro, um enorme aumento com relação a um ano atrás. Essa cifra inclui uma injeção de US$ 20 bilhões (R$ 55,4 bilhões) concedidos pelo Congresso logo após os ataques suicidas de 11 de setembro. Ao todo, houve um aumento de 21% em menos de um ano.

O cenário relativo aos gastos com defesa se alterou tão rapidamente que, após ter ameaçado negar o pedido de US$ 8,3 bilhões (R$ 23 bilhões) feito por Bush para o seu programa de defesa anti-míssil, o Congresso acabou concedendo quase toda a verba ao presidente (foram aprovados US$ 400 milhões a menos do que foi solicitado).

"Ficou bem claro que a situação mudou; que o Congresso mudou", afirmou o controlador do Departamento de Defesa, Dov Zakheim, em uma recente reunião, durante um café da manhã com jornalistas da área de defesa. "Já faz algum tempo que não ouço a expressão 'cofres trancados'. Com toda a certeza, esse não vai ser um exercício marcado por uma choradeira pelas verbas do orçamento".

Já há previsões segundo as quais o Departamento de Defesa vai solicitar algo entre US$ 20 bilhões (R$ 55,4 bilhões) US$ 40 bilhões (R$ 110,8 bilhões) a mais para suplementar os gastos militares de 2002, mesmo antes de apresentar uma proposta de orçamento para 2003 ao Congresso, no início do ano que vem.

Ou seja, o presidente Bush e o Pentágono poderão contar com bem mais de US$ 400 bilhões (R$ 1,2 trilhão) em fundos militares por volta do final de 2002, um acréscimo de US$ 100 bilhões (R$ 277 bilhões) - cerca de um terço - sobre os gastos de 2001. Logo após os ataques de 11 de setembro, o Pentágono passou a avisar as grandes empresas do setor de armamentos - como, por exemplo, a Boeing, a Lockheed Martin, a General Dynamics, a Northrop Grumman, a Raytheon, a Honeywell, a ITT e a Rockwell Collins - para que se preparassem para atender a encomendas urgentes de munição de precisão e de peças sobressalentes.

Isso se constitui em uma mudança drástica com relação a cinco semanas atrás, quando as autoridades do Departamento de Defesa se perguntavam como manteriam as indústrias de armamentos ocupadas em um ambiente de paz, que favorecia as escolas e a seguridade social.

Realmente, no momento, o único obstáculo entre o Departamento de Defesa e um cheque em branco parece ser a Secretaria de Gerenciamento e Orçamento. Segundo Zakheim, a secretaria está liberando as verbas conforme elas se façam necessárias, ao invés de disponibilizar largas somas sem destinação específica.

Tradução: Danilo Fonseca

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