Tire suas dúvidas sobre a varíola, uma possível arma bioterrorista

Elizabeth Neus

Washington, EUA -- Enquanto a capital da nação e três outras cidades enfrentam um ataque real feito com o antraz, a população se preocupa com uma outra ameaça bioterrorista: a varíola.

Pergunta: Quais são as diferenças entre o antraz e a varíola?

Resposta: O antraz não é transmissível de um indivíduo a outro, mas a varíola sim. O antraz é tratável com antibióticos, se descoberto no início da doença. Já a varíola, um vírus para o qual não há um tratamento estabelecido, tem de seguir o seu curso. A maior parte dos especialistas acredita que seria mais fácil para um terrorista obter o antraz do que a varíola.

Pergunta: Com que facilidade pode-se obter o vírus da varíola?

Resposta: É uma boa pergunta. Supostamente, somente os Estados Unidos e a Rússia mantêm estoques do vírus, mas há muito tempo existem boatos de que alguns outros países podem não ter destruído as suas reservas do vírus, ou de que tenham obtido novas reservas de forma clandestina. Segundo os especialistas em bioterrorismo, se houver um surto de varíola, pode-se assumir que um país, e não um indivíduo, seja o responsável pelo ataque.

Pergunta: É fácil contrair a varíola?

Resposta: Muito fácil, e é isso que assusta tanto os especialistas. A varíola é passada de pessoa a pessoa, como a gripe. Ela pode também se disseminar através de lençóis ou roupas contaminadas. O índice de mortalidade da doença é de 30%, e os sobreviventes podem ficar desfigurados pelas cicatrizes.

Pergunta: Quais são os sintomas da varíola?

Resposta: Os sintomas podem demorar entre 12 e 14 semanas para se manifestar. Eles incluem febre, dor muscular, dor de cabeça e nas costas. Depois as pústulas características aparecem, começando na face e nos braços, e se espalhando pelo tronco e pelas pernas.

Pergunta: Existe uma vacina para a doença?

Resposta: Sim, mas a produção para uso civil foi encerrada em 1982, e alguns especialistas dizem que os estoques remanescentes são de qualidade duvidosa. Atualmente, só existem 15 milhões de doses disponíveis, embora os cientistas federais estejam trabalhando para tentar diluí-las, de forma a aumentar o número de vacinas sem perder a sua eficiência. Estudos preliminares indicam que é possível fazer cinco doses de cada uma pré-existente, mantendo um índice de 95% de eficácia da vacina. O governo dos Estados Unidos mantém um contrato com a empresa Acambis para fazer mais 300 milhões de doses da vacina contra a varíola, que devem estar prontas no ano que vem. Mas mesmo neste momento em que os pedidos por vacinas contra a varíola inundam os consultórios médicos, o secretário de Saúde, Tommy Thompson, afirma: "No momento não acreditamos que a vacinação seja a medida correta... Podemos reservar algumas doses para vacinação voluntária, caso isso seja apropriado". A vacina pode causar efeitos colaterais, tais como lesões na pele, inflamação cerebral e até mesmo a morte. O risco da vacinação é sério.

Pergunta: A varíola não foi erradicada?

Resposta: Sim, em 1977. O último caso nos Estados Unidos foi em 1949, e o programa de imunização da população civil terminou em 1972 (os militares continuaram a ser vacinados por alguns anos mais). É por isso que a doença é tão perigosa. Hoje em dia há poucos médicos que viram ou trataram um caso de varíola. A maior parte dos especialistas acredita que a imunidade conferida pela velha vacina já expirou.

Pergunta: O que faz com que uma doença seja uma arma melhor do que outra?

Resposta: A varíola seria transmitida de um indivíduo a outro e causaria mais estragos, mas há também a possibilidade de que os terroristas contraíssem a doença. Já o antraz é uma substância muito estável que pode sobreviver à exposição à luz solar e a temperaturas de até 160º C. Por isso, seria muito mais fácil para um terrorista leigo manusear o antraz sem ser infectado.

Pergunta: Que outras doenças são consideradas como ameaças?

Resposta: Recentemente, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças divulgou um comunicado aos médicos sobre os sintomas de outras doenças consideradas como sendo possíveis ameaças bioterroristas. Segundo as autoridades, não há uma ameaça imediata com relação a essas doenças, mas eles querem aproveitar o desejo atual de todos em saber mais sobre essas enfermidades. As outras doenças são a peste, o botulismo, a tularemia e as febres hemorrágicas, tais como a Ebola.

Pergunta: E quais são os sintomas dessas doenças?

Resposta: A peste pneumônica começa com febre, uma tosse produtiva que pode ter secreção sangrenta e dor no peito. O botulismo aparece com sintomas faciais estranhos - sobrancelhas caídas, incapacidade de cerrar as mandíbulas, e problemas para engolir e falar - visão embaçada ou dupla, fraqueza física e dificuldade de respirar, como resultado da paralisia. A tularemia começa com sintomas súbitos e intensos, que incluem febre e que progridem para uma pneumonia. A febre hemorrágica tem início com uma febre alta e abrupta, dores musculares, dor de cabeça e, cerca de cinco dias depois, ferimentos no torso que podem começar a sangrar.

Tradução: Danilo Fonseca

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