Inverno pode ajudar forças americanas a localizar tropas do Taleban

Dave Moniz

Washington, EUA -­ Segundo o senso comum, o rigoroso inverno do Afeganistão vai prejudicar as operações militares norte-americanas. Mas, para o Pentágono, o inverno representa uma oportunidade.

As forças dos Estados Unidos pretendem utilizar uma gama de sensores térmicos de alta tecnologia para localizar e expelir as tropas do Taleban dos seus esconderijos durante o frio do inverno.

"Segundo a minha avaliação, teremos oportunidade para usar vários instrumentos que dispomos", afirma Bill Nash, general da reserva do Exército, que foi comandante de tropas na Bósnia. Segundo Nash, uma das vantagens para os norte-americanos é a capacidade de localizar fontes de calor em terra.

Os militares planejam utilizar dispositivos com sensores térmicos instalados em jatos de caça e em helicópteros, a fim de detectar o calor de veículos militares e até mesmo de grupos de soldados escondidos em cavernas. Segundo oficiais das Forças Armadas norte-americanas, sob as condições propícias, as tecnologias de detecção de calor são mais eficazes nos climas frios.

Há dois anos, a Força Aérea deu início à utilização de um sofisticado programa de computador, conhecido como Programa Meteorológico de Aquisição de Alvo, que utiliza modelos climáticos e outras variáveis para detectar diferenças de temperatura. Um general da Força Aérea diz que o software pode ser usado com maior eficiência em tempo frio, devido ao contraste entre os objetos emissores de calor e o ar à sua volta.

O Exército utiliza sensores térmicos em tanques para selecionar os seus alvos. Segundo Nash, esse é o motivo pelo qual as tripulações de tanques muitas vezes acertam mais alvos durante os treinamentos noturnos. No ar frio da noite, o motor quente de um tanque adversário vai aparecer mais claramente em um sensor térmico do que o faria durante o dia.

De acordo com um oficial militar de alta patente, especialista em sensores térmicos, as forças norte-americanas necessitam combinar as fontes de inteligência terrestre, fotografias de satélite e tecnologias aéreas de detecção térmica para localizar os bunkers e cavernas do Taleban. Segundo ele o processo é difícil mas factível.

O Pentágono preparou uma detalhada análise das temperaturas de inverno no Afeganistão, que variam bastante entre as baixas altitudes da região sudoeste, caracterizada por desertos, e as montanhas do nordeste, que chegam a mais de sete mil metros de altitude.

Segundo um oficial militar familiarizado com os planos de utilização dos sensores térmicos, o Departamento de Defesa está contando com o fato de que Osama Bin Laden e os líderes do Taleban "vão ter de contar com alguma fonte de calor", onde quer que se escondam.

Para Dave Rockwell, analista militar do Teal Group, em Fairfax, Virgínia, não se sabe se o Taleban tentou modificar cavernas, túneis ou outras instalações subterrâneas, a fim de mascarar a emissão de calor. "Não sabemos qual é o seu grau de sofisticação em técnicas de camuflagem de assinatura térmica", diz ele.

Segundo Rockwell, dependendo da profundidade dos esconderijos, os sensores só poderão ser capazes de captar o calor que escapa pela entrada das cavernas. Mesmo assim, isso pode ser o suficiente para a localização e a destruição de alguns alvos.

Rockwell afirma que o Pentágono vai necessitar de inteligência precisa no solo, de maneira que, quando eles detectarem calor nas cavernas, "possam saber que não se trata de apenas um pastor e o seu bando de ovelhas, se abrigando do frio".

As Forças Armadas dos Estados Unidos utilizaram a detecção térmica durante a Guerra do Golfo, em 1991. Utilizando sensores noturnos, os caças da Força Aérea foram capazes de localizar e destruir milhares de tanques iraquianos e veículos blindados, devido ao calor emitido por seus motores.

Tradução: Danilo Fonseca

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