Controle de vistos pode reduzir número de estudantes estrangeiros nos EUA

Mary Beth Marklein

Os educadores internacionais, que se deparam com o quinto acréscimo anual seguido no número de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, estão preocupados com a possibilidade de que o controle federal rígido do sistema de vistos possa reverter essa tendência. O número de estudantes estrangeiros atingiu um recorde de 547.867 no ano letivo de 2000/2001, o que representa um aumento de 21% em relação a cinco anos atrás, segundo um novo relatório divulgado pelo Instituto de Educação Internacional (IEE), um grupo com sede em Nova York que monitora as matrículas de estudantes internacionais.

Esses números não refletem ainda qualquer impacto dos acontecimentos de 11 de setembro. As autoridades ligadas à educação superior dizem que apoiam o recente apelo do presidente Bush por uma "revisão rigorosa" do sistema de vistos estudantis como parte do seu plano para reformular as políticas de imigração, de forma a tornar mais difícil para os terroristas a entrada e a permanência nos Estados Unidos. Mas essas autoridades também recomendaram cautela com relação às restrições impostas aos estudantes estrangeiros.

"Vivemos em uma época em que o nosso mundo precisa de mais, e não de menos, intercâmbio internacional", afirma o presidente do IEE, Allan Goodman.

Uma proposta do Senado, por exemplo, impediria a concessão de vistos para turistas de seis países ­ Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão e Síria ­ considerados pelo Departamento de Estado como patrocinadores de terroristas. Nos últimos dez anos, mais de 16 mil estudantes vieram desses países para os Estados Unidos. A presidente da Brown University, Ruth Simmons, ao falar a jornalistas na semana passada em Washington, advertiu sobre as conseqüências de longo prazo do fechamento de fronteiras.

"Por determinado período poderemos estar a salvo do terrorismo estrangeiro", disse ela. "Mas com toda a certeza mergulharíamos em um isolacionismo que impossibilitaria que nos preparássemos para os próximos desafios e, além disso, isso representaria a destruição do coração e da alma da nossa democracia".

Devido ao fato de 75% dos estudantes estrangeiros não receberem ajuda financeira norte-americana, eles se constituem em uma importante fonte de renda para as universidades. O IEE estima que as matrículas de estudantes estrangeiros contribuam com US$ 11 bilhões (R$ 27,94 bilhões) anualmente para a economia dos Estados Unidos. Dados do Departamento de Comércio descrevem a educação superior nos Estados Unidos como o quinto maior setor de serviços exportados do país.

Embora alguns estudantes estrangeiros tenham abandonado os seus programas de estudos nos Estados Unidos desde o ataque, o IEE define o impacto dessas desistências como sendo mínimo. Uma pesquisa realizada em conjunto com o relatório revelou que somente 1% dos 545 profissionais de educação internacional relataram mais de 10% de desistências de estudantes estrangeiros dos seus programas de estudos nos Estados Unidos após os ataques. Mais de dois terços (69%) não relataram qualquer mudança, e cerca de um terço (28%) presenciaram desistências da ordem de menos de 10%.

As inscrições para o SAT, o exame para admissão nas universidades dos Estados Unidos, e um indicador da intenção de matrícula em uma instituição de ensino superior norte-americana, estavam 15% maiores do que no ano passado, segundo Brian o'Reilly, do College Board, que administra o teste.

Enquanto isso, um estudo independente do IEE demonstra que o número de norte-americanos estudando no exterior em 1999/2000, o último ano para o qual existem estatísticas disponíveis, deu um salto de 11%, atingindo o recorde de 143.590. E a pesquisa com os educadores internacionais sugere que os estudantes norte-americanos mantêm os seus planos de estudar no exterior, apesar dos ataques de 11 de setembro.

Dos 456 entrevistados, 29% presenciaram o aumento do interesse nos programas de estudo no exterior, e 38% relataram não ter notado um declínio visível nesse interesse. Além disso, 19% relataram um pequeno declínio nos pedidos de informações sobre os programas, 9% presenciaram algum declínio e somente 2% disseram que mais de 30% dos estudantes cancelaram os seus planos.

Tradução: Danilo Fonseca

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