Morte de Bin Laden deve provocar forte alta das ações em Wall Street

Adam Shell

Nova York, EUA -­ "Pegaram Bin Laden!". Em 11 de outubro último essa notícia se espalhou como um incêndio por Wall Street. Os corretores de ações, ainda tomados pelo pesar devido aos ataques terroristas de 11 de setembro, comemoraram comprando ações.

O índice industrial Dow Jones disparou, subindo 170 pontos. Mas, no final do dia, foi descoberto que tudo não passava de um boato; uma fantasia não concretizada.

No entanto, a reação de júbilo, sem dúvida alimentada por fatores psicológicos complexos ­ o desejo de vingança, um senso de justiça, memórias dolorosas daqueles que morreram, a necessidade de enterrar de uma vez por todas o episódio ­ deu margem a uma questão interessante: como vão reagir as Bolsas de Valores quando Bin Laden, o principal suspeito de ser o chefe da organização que desencadeou os ataques contra os Estados Unidos, for capturado ou morto?

"As emoções estão à flor da pele em Wall Street", afirma Jeffrey Warantz, estrategista da Salomon Smith Barney. "Por mais que desejemos agir como profissionais calmos e contidos, a realidade é que existe entre nós muita animosidade e ódio. Portanto, se acontecer de lermos uma notícia nos jornais garantindo que as forças de Operações Especiais dos Estados Unidos estão sentadas ao lado do corpo de Bin Laden, muita gente vai se empolgar".

E, segundo os especialistas, essa felicidade pode se traduzir em uma disparada no preço das ações ­ pelo menos durante um dia.

"A destruição de Bin Laden seria um motivo para abrir garrafas de champanhe na Bolsa de Valores de Nova York", afirma o corretor Michael Holland.

Há quem preveja que o índice Dow Jones poderia subir até 250 pontos. Outros acham que os ganhos seriam mais discretos, já que as ações já se valorizaram substancialmente nas últimas nove semanas, em antecipação ao fim da linha para Bin Laden. "Várias das vitórias no Afeganistão já foram contabilizadas pelo mercado", diz Scott Black, presidente da Delphi Management.

Desde que o bombardeio começou no Afeganistão, no início de outubro, as ações subiram à cada notícia positiva relativa à campanha militar. Quando as forças norte-americanas fizeram a sua primeira incursão terrestre, em 22 de outubro, por exemplo, o Dow Jones subiu 173 pontos. O Dow Jones também registrou ganhos substanciais após a queda de Cabul e o anúncio da morte de um importante assessor militar de Bin Laden.

O presidente Bush foi manchete dos jornais em setembro, ao dizer que queria que Bin Laden fosse trazido à justiça "vivo ou morto". Na quarta-feira, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse no programa televisivo norte-americano "60 Minutes" que preferia que o saudita fosse executado pelas tropas norte-americanas.

Mas qual o cenário que causaria a maior elevação nos valores das ações?

Segundo o senso comum, a morte de Bin Laden provavelmente resultaria em uma elevação maior dos preços do Dow Jones do que a sua captura, segundo se constatou em uma pesquisa informal com dezenas de corretores, gerentes e estrategistas de investimentos de Wall Street.

Mas mesmo a previsão mais ousada ­ um salto de 250 pontos, ou cerca de 2,5% - ainda é modesta quando comparada ao maior ganho do Dow Jones, ocorrido no dia 16 de março de 2000, quando as ações subiram 499 pontos, devido à elevação dos valores dos títulos dos bancos e do comércio. Mas trata-se de um aumento gigantesco quando comparado com os ganhos minúsculos registrados nos dias da morte de vilões de dimensão planetária, como Adolf Hitler e Benito Mussolini. Em 30 de abril de 1945, quando Hitler, líder da Alemanha Nazista, se suicidou, o Dow Jones subiu menos de um ponto, ou cerca de 0,4%, chegando a 165,44. Dois dias depois, quando Mussolini, o italiano fascista foi morto, o Dow Jones também teve alta inferior a um ponto.

O índice de valorização do Dow Jones dependeria das circunstâncias da captura ou da morte de Bin Laden. Há três cenários principais:

- O saudita seria morto, havendo a prova concreta do fato. O Dow Jones poderia subir em até 250 pontos. "Isso significaria o fim do caso", diz Joe Kalinowski, estrategista da Thomson Financial/First Call. "Se matarmos o número um, isso mostraria a todos que ninguém é capaz de escapar da justiça dos Estados Unidos, não importa o local em que se esconda".

- Ele é "dado como morto", sem, entretanto serem apresentadas provas de que isso tenha realmente acontecido. Se for divulgada a notícia de que Bin Laden tenha sido morto, por exemplo, em um bombardeio a uma caverna, e o seu corpo nunca for encontrado, os ganhos do Dow Jones provavelmente ficariam limitados a cerca de 100 pontos. "Haveria a lenda urbana de que ele ainda estaria vivo", afirma Joe Battpaglia, chefe de investimentos da Gruntal & Co. As teorias conspiratórias brotariam como cogumelos, diz Andy Brooks, corretor chefe da T. Rowe Price. "Ainda tem gente que acredita que John Kennedy está vivo", afirma.

- Bin Laden é capturado vivo. Provavelmente o cenário menos favorável, com a exceção da sua fuga. O Dow Jones poderia ganhar entre 50 e 100 pontos, já que isso significaria que o saudita seria julgado. "Não gostaríamos de enfrentar todas as incertezas de um julgamento", diz Jim Paulsen, estrategista do Wells Capital Management.

Não importa o quanto o Dow Jones suba quando a notícia esperada chegar, nem todas as preocupações dos investidores desapareceriam. "Se houver um sucessor de Bin Laden disposto a levar adiante a tocha do terror, tal fato seria extremamente negativo para o mercado", afirma Warantz.

Tradução: Danilo Fonseca

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