Mulher da Flórida processa Bin Laden por morte de filho em atentado

John McCarthy

Uma ação judicial movida por uma mulher há mais de um ano de repente se tornou notícia em todo o mundo. O motivo para tanta popularidade é bastante simples: ela está processando Osama bin Laden.

Fran Heiser, de Palm Coast, na Florida, está processando Bin Laden, o governo iraniano e outros por danos morais e pela morte de seu único filho, Michael Heiser. Heiser era um sargento da Força Aérea na Base Aeronáutica de Patrick, e foi morto por uma bomba terrorista em Khobar Towers, na Arábia Saudita, em 1996.

Outras pessoas que entraram com ações na Justiça incluem as famílias de mais dois militares da Base de Patrick que morreram na explosão. Dezenove pessoas morreram no atentado na Base Aérea de King Abdul Aziz, próxima a Dhahran, na Arábia Saudita. Cinco dos mortos eram militares da Base Aérea de Patrick.

A ação não especifica uma quantia determinada em indenizações. "Qualquer valor determinado pelo juiz vai me satisfazer", afirma Heiser. Ela diz querer doar a indenização a uma fundação que terá o nome do filho. "Não se trata de dinheiro, e sim de princípios".

Heiser e outros parentes das vítimas do atentado estão movendo a ação com base em uma lei federal de 1996 que permite que as vítimas de ataques terroristas realizados no exterior processem países estrangeiros em tribunais norte-americanos, caso esses países sejam classificados como patrocinadores do terrorismo, como é o caso do Irã. Uma ordem executiva dada pelo presidente Clinton no ano passado permite que as partes atingidas recebam indenizações coletadas dos bens iranianos congelados pelos Estados Unidos em 1979.

Algumas das famílias das vítimas entraram em contato com advogados logo após o atentado, mas foram incapazes de encontrar profissionais capazes de lidar com o caso. Porém, eles acabaram conhecendo John McDermott, um advogado de Washington que representou Robin Higgins em um caso similar. O marido de Higgins, o coronel Rich Higgins, foi torturado e morto por terroristas no Líbano.

Higgins, que é subsecretária de Assuntos dos Veteranos de Guerra e tenente-coronel da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais, recebeu uma indenização de US$ 55 milhões (R$ 136,62 milhões).

McDermott aconselhou os parentes das vítimas a não divulgar nada sobre a ação judicial, que foi movida na Corte Distrital dos Estados Unidos em Washington. Mas um jornalista de TV, que descobriu o processo enquanto fazia uma pesquisa para uma outra matéria, publicou um artigo sobre o caso. Como resultado, agora Heiser tem de atender ligações telefônicas de jornalistas de todo o país.

Uma acusação formal feita em junho aponta os nomes de 14 homens, a maior parte deles saudita, mas não faz referências a Bin Laden. Mas o FBI apontou repetidamente Bin Laden como sendo o principal suspeito no caso. A acusação também diz que há evidência de que o governo iraniano ajudou a planejar e a financiar o atentado.

Segundo Heiser, McDermott estava "muito otimista" com relação ao caso. E ainda que ela possa receber milhões de dólares, Heiser disse que o dinheiro não foi o motivo pelo qual moveu a ação. "Entrei com a ação para fazer duas declarações. A primeira é que o terrorismo não será tolerado. A segunda é que alguém tem que pagar por esses atos".

Qualquer indenização recebida por Heiser deverá ser utilizada para auxiliar outras vítimas do terrorismo, através da Fundação Michael G. Heiser para a Lembrança de Todas as Vítimas do Terrorismo.

O capitão Timothy Haun, marido de Jenny Haun, moradora de Cocoa Beach, na Flórida, também morreu na explosão. Haun, que também abriu um processo na justiça, concorda que o dinheiro não é o que está em jogo. "O dinheiro não vai trazer o meu marido de volta", afirma a viúva.

Tradução: Danilo Fonseca

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