Pesquisas aponta apoio maciço de americanos à guerra

Richard Benedetto

Washington, EUA -- A população norte-americana continua a apoiar fortemente a difícil e prolongada guerra contra o terrorismo, e quer que a luta se estenda até o Iraque tão logo os objetivos sejam alcançados no Afeganistão, segundo uma pesquisa conjunta USA TODAY/CNN/Gallup.

Os recentes sucessos militares no Afeganistão contra as forças do Taleban fizeram com que aumentasse a satisfação pública com o progresso da guerra e que crescesse o apoio a um esforço de longo prazo para derrotar o terrorismo global, ao invés de apenas punir os envolvidos nos ataques de 11 de setembro.

Cerca de dois em cada três norte-americanos (62%) são a favor de uma guerra mais ampla e de maior duração. No mês passado, no início da campanha do Afeganistão, 49% eram a favor de tal abordagem ao conflito.

Além do mais, 74% são a favor de que se enviem novamente tropas ao Golfo Pérsico para derrubar Saddam Hussein, uma possibilidade que vem sendo considerada pela Casa Branca, caso o ditador iraquiano se recuse a permitir o retorno dos inspetores de armamentos da ONU.

Porém, embora a opinião pública norte-americana veja com bons olhos uma incursão ao Iraque, é extremamente incerto se outras nações árabes que, no momento, apoiam a guerra contra o terrorismo, permanecerão aliadas aos Estados Unidos em tal empreitada.

Ao todo, 87% da população aprova o trabalho que vem sendo feito pelo presidente Bush, um índice que é quase um recorde e que vem sendo mantido desde os ataques. Oitenta e sete por cento dos entrevistados também têm uma opinião favorável de Bush como pessoa.

Além disso, 92% aprovam a atual ação militar no Afeganistão e 93% estão satisfeitos com o progresso feito. Esse índice era de 79% no início do mês, quando a campanha de bombardeios parecia estar estagnada e as críticas só aumentavam.

"O apoio público vai continuar alto enquanto houver um sentimento de sucesso, ainda que ocorram baixas americanas substanciais", diz Steve Kull, um especialista em pesquisas de opinião da Universidade de Maryland. "O apoio diminui quando os esforços parecem ser inúteis, como ocorreu no Vietnã".

À medida que as tropas dos Estados Unidos se mobilizam para ataques terrestres no Afeganistão, 78% dos entrevistados afirmam que é provável que o líder terrorista, Osama bin Laden, seja capturado ou morto.

No entanto, se essa missão falhar, 55% dizem que a campanha do Afeganistão não poderá ser considerada um sucesso.

Ao todo, 80% dos entrevistados disseram não ter dúvidas sobre a culpa de Bin Laden quanto ao planejamento dos ataques terroristas de 11 de setembro em Nova York e Washington. E 54% disseram que prefeririam que o saudita fosse morto, ao invés de ser capturado com vida.

Enquanto a caçada a Bin Laden continua, o apoio da população à utilização de tropas terrestres dos Estados Unidos no Afeganistão chega a 91%, bem maior do que o apoio às mais recentes operações militares norte-americanas:

- 53% apoiaram o uso de tropas terrestres na Bósnia em 1998.

- 54% apoiaram a atuação de soldados do país no Haiti, em 1994.

Ao mesmo tempo, 78% são a favor de que as tropas dos Estados Unidos participem de uma força de paz internacional, caso isso seja necessário.

À medida que a ameaça do antraz diminui, cerca de 30% dos norte-americanos afirmam que ainda se preocupam com a possibilidade de que algum membro da família seja exposto ao esporo. Mas quase dois em cada três entrevistados dizem estar confiantes de que o governo seja capaz de prevenir novos casos de contaminação e de identificar e punir os culpados.

No entanto, a origem dos ataques com antraz ainda é um mistério para o público, da mesma forma que para as autoridades policiais. Quarenta por cento dos entrevistados acreditam que os ataques estariam sendo realizados por cidadãos norte-americanos, e 48% acham que os responsáveis são estrangeiros.

E, embora tenha havido um debate exaustivo nas última semanas sobre a possibilidade de que o governo Bush tenha passado dos limites ao restringir as liberdades civis para combater o terrorismo, poucos norte-americanos estão preocupados com isso: para 10% essas medidas foram longe demais, 26% acham que não foram suficientes, e 60% dizem que a resposta tem sido adequada.

"A população acredita que a resposta do governo é proporcional aos fatos, não sendo extremada", diz Karlyn Bowman, analista da empresa de pesquisas de opinião, Enterprise Institute.

As pesquisas foram realizadas em 26 e 27 de novembro, com 1.025 adultos, e a sua margem de erro é de mais ou menos três pontos percentuais.

Tradução: Danilo Fonseca

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