Conflito em Israel complica luta americana contra o terrorismo

John Omicinski

Washington, EUA -­ No momento em que uma série de bombardeios está reduzindo o Taleban a pó nas miseráveis cidades do Afeganistão, a ressurreição do sangrento conflito palestino-israelense representa algo como uma enorme chave inglesa jogada nas engrenagens da máquina de guerra que os Estados Unidos usam contra o terrorismo.

Uma guerra total entre Yasser Arafat e Ariel Sharon parece ser possível, para não dizer provável, e um triste e horrorizado presidente Bush pode ter de reavaliar as suas prioridades e o seu cronograma para a próxima etapa da sua própria guerra.

Após a série de atentados com homens-bomba palestinos ter deixado um saldo de 26 israelenses mortos e 200 feridos ­ vários deles crianças ­ uma nova zona de guerra no Oriente Médio torna as escolhas de Bush mais complicadas. Arafat parece ter perdido ou desistido do controle sobre os terroristas antiisraelenses.

Os palestinos também parecem que saíram perdendo após uma onda mundial de simpatia pela sua causa, advinda da nova atenção que se passou a dar ao Oriente Médio após 11 de setembro.

E talvez o mais surpreendente seja constatar que os novos massacres terroristas ocorreram a despeito da presença de um presidente norte-americano que está consciente das limitações de Arafat como líder, e que ainda apóia a criação de um Estado palestino. Para muitos palestinos, que são favoráveis a uma coexistência pacífica com Israel, esse sonho pode ter acabado com as explosões ocorridas no final de semana em Jerusalém e em Haifa.

Agora, a Casa Branca está claramente alinhada com Israel contra o Hamas, o Hezbollah ou qualquer outro grupo que possa ter incitado a mais recente onda de ataques suicidas.

"Bush acreditou por algum tempo que Yasser Arafat seria capaz de fazer muito mais do que fez, e agora a responsabilidade de demonstrar tal capacidade pesa muito mais sobre os ombros do líder palestino", disse na segunda-feira o secretário de Imprensa, Ari Fleischer.

Portanto, a semana começou com um quadro no qual Washington está estreitamente alinhado com Israel, como não se via há muitos anos, e, por outro lado, manifesta uma postura contra os palestinos.

"O que é novo e diferente é a severidade da violência que atingiu Israel no final de semana e o choque que representa para o mundo o assassinato de todos esses inocentes de Israel", disse Fleischer.

Mas outras coisas também assumiram um caráter "novo e diferente".

O governo paquistanês aproveitou o momento para anunciar a repressão aos terroristas islâmicos que atuam no país.

"Uma grande quantidade de pessoas, incluindo médicos e comerciantes, estava sendo morta", disse a ministra da Justiça, Shahida Jamil.

As mesquitas estavam sendo atacadas e, pela primeira vez, os cristãos do país passaram a ser alvos dos extremistas, disse a ministra.

Mas certas coisas não mudaram: o governo do Irã, que o Departamento de Estado dos Estados Unidos ainda rotula como o principal Estado patrocinador do terrorismo internacional, denunciou aquilo que chama de "terrorismo israelense", devido ao disparo de mísseis efetuado pelas forças armadas judaicas contra prédios da administração palestina.

Alguém que provavelmente está satisfeito, se é que não se trata de uma das principais forças por detrás da nova onda de atentados suicidas palestinos, é o líder iraquiano Saddam Hussein. Quaisquer planos de guerra contra o Iraque que pudessem estar nos livros secretos do Pentágono terão agora que ser reconsiderados e reescritos.

Alguns indivíduos, como o ex-líder da maioria democrata no Senado, George Mitchell, continuam na posição de eternos otimistas. "As chances de que haja paz não aumentarão caso Arafat seja eliminado", disse ele na segunda-feira, falando ao programa da CBS, "The Early Show".

"Creio que haveria conflitos internos, e o seu sucessor provavelmente sairia de uma das facções que estão criando problemas", disse Mitchell.

Mitchell afirmou que os últimos episódios de violência poderiam desencadear a retomada de passos sérios em direção à paz, porque "as coisas estão ficando tão ruins que ambos os lados reconhecem que suas vidas estão se tornando insuportáveis... Eu acredito que eles vão dar a volta por cima, porque a situação está muito difícil e as duas partes não podem continuar com esse conflito. A paz é a única alternativa".

Tradução: Danilo Fonseca

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