Críticos de cinema estão divididos sobre o melhor filme de 2001

Claudia Puig

Uma análise detalhada de um casal de meia-idade que lida com uma perda devastadora, uma estória surrealista que confunde a platéia e um musical diferente e estonteante ambientado no início do século. Essas são as três principais escolhas do ano feitas pelas associações de críticos de cinema.

Essa seleção é composta por "In the Bedroom", escolhido pela Los Angeles Film Critics Association, que anunciou o seu resultado no sábado; "Mulholland Drive", pelo New York Film Critics Circle, e "Moulin Rouge", pela National Board of Review. A decisão diferente de cada um desses grupos demonstra que há pouca unanimidade quanto ao melhor filme de 2001 - ao contrário do ano passado, quando todas as previsões se concentraram em "O Gladiador", que realmente acabou levando o Oscar de melhor filme.

"Houve muitos sucessos de bilheteria, mas foi um ano difícil em se tratando de escolher os candidatos de peso para o Oscar", afirma Paul Dergarabedian, presidente da Exhibitor Relations.

Os críticos tendem a preferir os filmes mais artísticos, ao invés dos sucessos populares. E, em anos anteriores, as escolhas feitas pelos críticos prenunciaram pelos menos alguns dos filmes indicados ao Oscar, embora raramente o vencedor da estatueta de melhor filme.

No ano passado, as associações de críticos escolheram "O Tigre e o Dragão" e "Traffic", e ambos foram indicados para o Oscar de melhor filme, embora, no final, "Gladiador" tenha sido o vencedor.

Em 1998, "O Resgate do Soldado Ryan" foi a escolha de algumas dessas associações. Ele foi indicado para concorrer ao melhor filme, mas perdeu para "Shakespeare Apaixonado". Em 1997, "Los Angeles, Cidade Proibida" foi escolhido por associações de críticos, tendo, no entanto, perdido para "Titanic".

"As escolhas dos críticos não são uma boa indicação de quem ganhará o prêmio de melhor filme", afirma Tom Borys, presidente da empresa de monitoramento da indústria cinematográfica, ACNielsen EDI.

Porém, desta vez, mais do que nos anos anteriores, os filmes selecionados por esses grupos talvez não cheguem a dar uma pista sobre os indicados à concorrer ao Oscar, em 12 de fevereiro. E muito menos sobre os filmes vencedores na cerimônia de 24 março.

"Posso imaginar facilmente que nenhum dos três vencedores escolhidos pelas grandes associações de críticos chegue sequer a ser indicado para disputar o Oscar", diz John Powers, crítico de cinema do programa "Fresh Air", da National Public Radio, e membro da associação de Los Angeles. "'Moulin Rouge' tem mais chance. 'Mulholland Drive' é o que tem menos probabilidade de ganhar. O diretor David Lynch é considerado muito esquisitão pela Academia. Já 'In the Bedroom' é o que tem o maior conjunto de qualidades gerais entre os três. Ele conta com as atuações básicas e é o menos complicado sob o ponto de vista estético. O filme lida realmente com realismo, enquanto os dois outros dizem respeito a mundos estilizados". Ele acrescenta que a Miramax, responsável por "In the Bedroom", já lançou uma quantidade suficiente de campanhas de sucesso para o Oscar de forma a saber como capitalizar os elogios da crítica.

"Eles vão agir de forma brilhante na hora de fazer uma ligação entre a estória e os eventos de 11 de setembro", diz Power. "Não há efeitos especiais. O roteiro fala de uma família que perde um ente querido e sobre gente inocente que se defronta com o mal".

Tradução: Danilo Fonseca

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