Despenca a venda de CDs beneficentes para as vítimas de 11 de setembro

Edna Gundersen

Será que os consumidores estão desprezando os CDs beneficentes? Várias das gravações dessa natureza lançadas desde 11 de setembro estão acumulando pó nas prateleiras, e os novos álbuns não estão conseguindo gerar interesse pela música cujo tema são os ataques terroristas.

O último desses álbuns, "America: A Tribute to Heroes", ficou esta semana em 17º lugar nas vendas, após ter vendido 126 mil cópias, o que não chega a ser um sucesso comercial, considerando-se que 59 milhões de telespectadores assistiram ao espetáculo repleto de astros da música, no dia 21 de setembro. Já "God Bless America", uma compilação feita às pressas de músicas gravadas anteriormente, ficou em primeiro lugar nas vendas, com 180 mil cópias. Mas isso foi oito semanas atrás, quando o patriotismo chegou às alturas na nação ainda extremamente abalada pelos atentados.

"The Concert for New York City", uma extravagância repleta de cantores famosos, similar ao "Tribute to Heroes", ficou em 27º lugar há duas semanas, com 77 mil cópias vendidas. Esta semana, ele caiu para o 39º lugar.

"Fiquei um pouco surpreso ao notar que o "Concert for New York City" não se saiu melhor, mas temos que considerar que o show só foi visto pelos assinantes de TV a cabo", afirma Geoff Mayfield, diretor do órgão de pesquisas de audiência Billboard. "A VH1 teve um excelente desempenho, mas não se trata de uma rede. E o álbum foi lançado durante uma semana economicamente ruim. Sempre há uma queda nas vendas logo após o Dia de Ação de Graças".

"Já 'God Bless America', que vendeu 804 mil cópias em oito semanas, sem dúvida foi beneficiado por ter sido lançado logo após os eventos de 11 de setembro", afirma Mayfield.

O preço também pode estar prejudicando as vendas. Tanto o "Tribute to Heroes" quanto o "Concert for New York City" são álbuns duplos, e devido ao fato de serem destinados ao auxílio das famílias das vítimas, geralmente não há descontos.

As vendas medíocres podem não estar ligadas a um esfriamento dos impulsos caritativos ou do fervor patriótico. Os amantes da música costumam prestar mais atenção ao conteúdo do que à causa.

"Se você quiser ajudar uma causa, arrume uma fundação", afirma Mayfield. "O consumidor não vai desembolsar US$ 20 (R$ 46,50) na compra de um álbum que não lhe agrada".

Os álbuns beneficentes relacionados a outras questões podem estar sendo prejudicados pela avalanche de lançamentos relativos ao 11 de setembro. Embora vários lançamentos de fim de ano estejam vendendo bem, o álbum beneficente mais famoso "A Very Special Christmas 5" ainda não deslanchou. Desde que a SoudScan começou a tabular as vendas em 1991, a série voltada para arrecadar verbas para as Paraolimpíadas já vendeu 5,3 milhões de cópias. A quinta edição está no 112º lugar nas vendas, a sua posição mais alta em quatro semanas, tendo vendido 69 mil cópias.

"Se as músicas forem tocadas pelas rádios, como aconteceu com o primeiro CD, as vendas vão aumentar", explica Mayfield. "Os consumidores provavelmente não sabem que o disco está à venda".

Quase 30 das 80 estações de rádio monitoradas pela Billboard passaram a tocar músicas de Natal durante o final de semana de Ação de Graças. Porém, os ouvintes poderiam ser mais velhos do que a audiência que é alvo de "A Very Special Christmas 5", que traz nomes como Macy Gray, Wyclef Jean, Dido e Eve 6.

O co-produtor Bobby Shriver atribui o mau começo à baixa consciência pública e à competição acirrada. "Este costumava ser um evento incomum, mas atualmente muitos artistas famosos gravam os seus próprios discos de Natal", diz Shriver, observando que as vendas de "A Very Special Christmas 5" tenderão a aumentar quando as cópias começarem a ser colocadas junto aos caixas das lojas. "Ao ver o CD, o consumidor o compra. Mas é um consumidor bem diferente daquele que corre às lojas para comprar especificamente o novo disco do U2 ou do 'N Sync".

Shriver insiste em dizer que os álbuns da série "A Very Special Christmas" têm qualidade artística para fazer frente à concorrência, não precisando depender da simpatia dos bons samaritanos. "Somos como o molho de saladas Paul Newman. Não dizemos algo como 'Compre o nosso produto, gostando ou não'. Somos especialistas em negócios do período de Natal".

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos