Chegada do euro pode reativar economias européias estagnadas

Elliot Blair Smith

Paris, França -- Quando o relógio marcar meia-noite no dia 31 de dezembro, o euro se tornará a moeda comum em 12 países que respondem juntos por 16% da economia mundial.

O euro já existe como "moeda virtual" desde janeiro de 1999, quando os países participantes atrelaram as suas moedas a uma taxa de conversão estabelecida pelo Banco Central Europeu.

As moedas do euro se materializaram pela primeira vez há duas semanas. As primeiras notas vão começar a abastecer os caixas eletrônicos em 1º de janeiro.

Espera-se que o euro equalize os preços aos consumidores em todos os países que adotarem a nova moeda, além de estimular os negócios entre esses países, fazendo com que fique mais fácil para os europeus comprar e vender bens e serviços. A expectativa é que a nova moeda rivalize com o dólar norte-americano e com o iene japonês nos mercados financeiros globais.

Dentre os 15 membros da União Européia, somente o Reino Unido, a Dinamarca e a Noruega permanecerão com as suas moedas nacionais. Mas, também nesses países, está aumentando a insistência pela adoção do euro. A cadeia de lojas britânica Harrods and Marks & Spencer, por exemplo, afirma que vai aceitar tanto o euro quanto a libra esterlina.

Os arquitetos do euro esperavam que a nova moeda ajudasse as empresas européias a fazer negócios transnacionais, simplificando tudo, desde as compras até o pagamento de salários, das operações no mercado financeiro até a aquisição de seguros.

A fim de criar o euro, os países que o adotaram tiveram que ajustar entre si os seus orçamentos e políticas fiscais. Eles tiveram que descartar os seus próprios bancos centrais e delegar o poder de tomar decisões relativas às taxas de juros e à oferta de dinheiro ao Banco Central Europeu, cuja sede fica em Berlim.

O euro poderia gerar um estímulo inesperado para as estagnadas economias européias. Sharda Dean, economista da Merrill Lynch, prevê que, somente o "colchão monetário" vá contribuir com cerca de metade do crescimento do ano que vem, previsto para chegar a 1,2%. Os consumidores europeus, vendo-se obrigados a trocar as suas moedas e notas por euros, podem preferir gastá-las, ao invés de se darem ao trabalho de realizar a operação de troca.

No momento, corretores de imóveis no Mediterrâneo e revendedores de automóveis já estão anunciando uma forte atividade, à medida que o dinheiro que pode ter sido obtido de forma ilegal, ou oculto dos coletores de impostos, está sendo utilizado na compra de bens.

Um outro benefício inesperado do euro é a pressão para baixo exercida sobre os preços. Os consumidores ficaram temerosos de que os empresários elevassem os preços, no calor da conversão para a nova moeda. Ao invés disso, vários empresários estão abaixando os seus preços, ou, no caso de algumas fábricas de doces francesas, aumentando o tamanho dos seus produtos.

"Ninguém quer afugentar os consumidores, aumentando os preços em 1º de janeiro, porque todo mundo perceberia tal armação", afirma Paul Mortimer Lee, chefe de operações econômicas globais da BNP Paribas, da França.

A moeda comum revela as grandes disparidades entre os preços através da Europa. O jornal britânico "Observer" compilou recentemente uma comparação reveladora: segundo a sua pesquisa, um Volkswagen Golf de motor 1.6 custa o equivalente a 22.685 euros em Londres. O mesmo carro custa apenas 16.610 euros em Paris. As calças jeans stonewashed da marca Gap custam 66 euros em Berlim e 61 euros em Dublin.

Os problemas com o euro parecem ser mais estéticos do que econômicos. O design da nova moeda, uma obra de artesanato de burocratas da Comissão Européia, exibe imagens genéricas de arcos, pontes e prédios inexistentes, que poderiam estar localizados em qualquer lugar da Europa. O único aspecto estético positivo na personalidade do euro é uma insígnia de bom gosto, que compete com o cifrão do dólar.

A chegada física do euro na forma de notas e moedas significa um adeus às moedas européias famosas, algumas das quais tem mil anos de existência.

Uma característica das velhas moedas são os retratos nacionais, tais como o de Sigmund Freud e Mozart, na Áustria, Cézanne e Debussy, na França, Atenas e Apolo, na Grécia, e James Joyce, na Irlanda, entre outros.

Tradução: Danilo Fonseca

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