Em Seattle, um museu da música busca reconhecimento em nível nacional e mundial

Ross Raihala

Robert Santelli espera que o mundo inteiro tome conhecimento do novo Centro de Experiência Musical de Seattle (Experience Music Project - EMP) e o visite. "Queremos que a nossa instituição seja mais reconhecida", diz Santelli. "O nosso desejo é que ela se torne conhecida primeiro em nível nacional - e não apenas pela população da região do Noroeste e da costa do Pacífico, mas também no resto do país e no mundo".

Inicialmente fundado por Paul Allen, mais conhecido por ter sido um dos fundadores da Microsoft, esse museu, assim como a sua coleção, que estão avaliados em US$ 240 milhões (cerca de R$ 564 milhões), estão no caminho certo. Nesse outono, o EMP forneceu a sua estrutura e ajudou a organizar a série Groundwork de shows beneficentes em prol das vítimas dos atentados de 11 de setembro, os quais tiveram sua lotação esgotada, além de se tornar o foco das atenções do país inteiro graças à participação de grupos como R.E.M., Alanis Morissette, Pearl Jam e Dave Matthews. A emissora VH1, que filmou o concerto, planeja apresentar os melhores momentos na sua programação.

Santelli, o diretor-presidente do EMP, foi um dos editores e colaboradores mais importantes na confecção do livro "American Roots Music" (Músicas de raízes americanas), que acompanha uma série homônima produzida pelo canal de TV PBS (a revista especializada "Publishers Weekly" considerou o livro "uma leitura essencial tanto para os principiantes como para os especialistas... Isso deveria se transformar num grande sucesso de vendas").

Agora, o EMP acaba de inaugurar uma nova série intitulada "Inovadores", promovendo diversos eventos destinados a celebrar a obra de Quincy Jones. "Um dos meus objetivos é criar uma certa aura para esse museu, de maneira que quando alguém diz 'Experience Music Project', isso evoque uma certa sensação e que certos pensamentos positivos surjam na mente das pessoas", diz Santelli. "Ainda não chegamos a esse nível. Principalmente fora da região do Noroeste americano, as pessoas ainda não estão familiarizadas com o nosso projeto".

Diferentemente do Rock and Roll Hall of Fame and Museum de Cleveland - onde Santelli trabalhou durante cinco anos - o EMP está empenhado em ser muito mais que um mero depósito de material musical. Segundo Santelli, o EMP é uma instituição de ponta que recorre à tecnologia com objetivo de "desempenhar um papel significativo dentro do vasto diálogo que constitui a música popular".

Quando o EMP abriu suas portas, em junho de 2000, os organizadores previram que a freqüência de visitantes no primeiro ano se manteria em torno de 800 mil e um milhão de pessoas. Passado o primeiro ano, em junho de 2001, o EMP anunciou que 830 mil fãs o haviam visitado. O museu comemorou o seu milionésimo visitante em setembro. Santelli indica que 40% dos visitantes vieram de Seattle, enquanto outros 40% vieram da região do Noroeste americano e o resto de outras partes do país.

Além de atrair fãs de regiões mais distantes e do exterior, um dos principais desafios do EMP será convencer aqueles que moram por perto a continuarem voltando. Nesse sentido, uma das apostas mais importantes dos organizadores é a exposição "Passagem do Noroeste", dedicada inteiramente à música da região.

O EMP também mantém uma série constante de concertos no local, além de patrocinar shows gratuitos e a série Groundwork. "Os concertos Groundwork provaram que podemos dar um salto muito além do próprio EMP e produzir concertos numa escala muito maior", diz Santelli. "Não foi fácil, mas uma vez que todos estiveram reunidos, os shows aconteceram sem nenhum problema".

Um outro projeto idealizado por Santelli consiste numa série de viagens organizadas para os membros do EMP, que inclui quatro excursões programadas para 2002, entre as quais uma turnê "cajun" da Louisiana e uma viagem pelo rock britânico com escalas em Londres e Liverpool. "Queremos levar as pessoas até os lugares onde a história da música está acontecendo e não mais onde ela é simplesmente celebrada", diz Santelli. "A nossa grande meta é fazer com que o EMP seja um centro capaz de documentar a grandeza da música e de manter as pessoas conectadas a ela".


Tradução: Jean-Yves de Neufville

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