Terrorismo, guerra e recessão não derrubam otimismo do americano, diz pesquisa

Richard Benedetto

Washington, EUA -- Quando 2001 estava chegando a um fim, a pesquisa de opinião da USA Today-CNN-Gallup perguntou aos americanos se estavam satisfeitos com o progresso das coisas no país.

Surpreendentemente, 70% responderam que sim.

Pense nisso. Menos de quatro meses depois do mais devastador ataque estrangeiro na história da nação, com a economia ainda em recessão, seria de se imaginar que a maior parte dos americanos estivesse de mau humor e que provavelmente não estaria muito otimista a respeito de nada.

Mesmo assim, sete em cada 10 pessoas expressaram visão positiva.

O que torna o resultado da pesquisa ainda mais notável é que o índice de satisfação de 70% é dos mais altos que o instituto Gallup registrou em quase 30 anos.

Além disso, normalmente o índice de satisfação é mais baixo em épocas de dificuldade econômica. Por exemplo, em junho de 1992, com a crise economica, somente 14% disseram que estavam satisfeitos com o progresso das coisas no país. Cinco meses depois, esse ambiente negativo ajudou a derrotar George Bush em sua segunda candidatura à presidência.

Desta vez, os americanos, apesar de preocupados com a economia e a ameaça de desemprego, não estão se deixando abater pela incerteza. Três em cada quatro disseram que acham que a economia estará melhor daqui a um ano.

Então, como podemos explicar essa inesperada expressão de otimismo que parece estar arrebatando a população? Alguns analistas sugerem que é uma espécie de farsa, como assobiar ao atravessar um cemitério: fingir não ter medo e esperar que isso afaste os maus espíritos.

Talvez haja um pouco disso. Outros analistas, entretanto, dizem que é mais um reflexo do espírito indomável e generoso do americano, que foi tão dramaticamente exposto depois de 11 de setembro.

Ao invés de fecharem as cortinas e esconderem-se debaixo da cama perante as ameaças de mais ataques terroristas e a triste compreensão que os EUA não são tão invulneráveis como a maioria pensava, os americanos foram às ruas e se reuniram com um propósito e resolução que não tinham sido vistos desde a Segunda Guerra Mundial.

O povo se uniu em torno do presidente e deu forte apoio ao uso de força militar para combater o terrorismo. Esse apoio somente cresceu com o tempo, com o sucesso da guerra no Afeganistão.

Hoje, as pesquisas revelam que a maioria dos americanos está disposta a estender a guerra a outros países, particularmente o Iraque, para erradicar a ameaça de terrorismo global.

Ao mesmo tempo, os americanos demonstraram compaixão, não só em suas generosas contribuições aos fundos de ajuda às milhares de famílias de vítimas de ataques, mas também enviando ajuda humanitária ao povo arrasado pela guerra no Afeganistão e em sua insistência que as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens.

As bandeiras que ainda vemos nas janelas das casas e carros são símbolos externos do espírito infatigável que surgiu entre a população e que agora vemos expressado nas pesquisas.

Será que 70% do povo americano está realmente satisfeito com a situação atual do país? Provavelmente não.

Ainda há ameaças de terrorismo. Osama Bin Laden ainda está solto. O desemprego está em 5,8%. Os EUA ainda estão em guerra. Mesmo assim, existe algo na mente americana que faz com que ela se recuse a se entregar ao desespero. Pode-se chamar inocência. Pode-se chamar de tolice. Pode-se chamar de assobiar ao atravessar o cemitério. O que quer que seja, é bonito. Com esse espírito, podemos ter certeza que isso também passará.

Tradução: Deborah Weinberg

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