Cientistas descobrem relação entre supernova e extinção de vida marinha na Terra

Dan Vergano

Washington, EUA -­ De acordo com astrônomos, a explosão de uma estrela próxima danificou a camada de ozônio da Terra, dizimando o plâncton e outras formas de vida marinha, cerca de dois milhões de anos atrás.

Desde 1999, os cientistas suspeitam que uma estrela em explosão, ou supernova, tenha depositado uma camada de ferro na crosta do fundo oceânico. No entanto, nenhum resíduo estelar pode ser encontrado nas vizinhanças do nosso planeta, de forma a indicar uma origem indubitável para esse fenômeno. Segundo o astrônomo Narciso Benitez, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, essas evidências são circunstanciais.

Registros fósseis indicam que uma extinção generalizada de organismos marinhos ocorreu por volta do período em que a camada de ferro foi depositada, sugerindo um ligação entre os eventos, afirma Benitez. Essas descobertas foram anunciadas na última terça-feira em uma conferência da American Astronomical Society.

As observações feitas pelo satélite Hipparcos, da Agência Espacial Européia, demonstram que nos últimos 11 milhões de anos, cerca de 20 estrelas pertencentes ao grupo estelar Escorpião-Centauro explodiram. Seis dessas supernovas criaram a "bolha local", formada de gases quentes relativamente tênues dentro da qual está o nosso sol, segundo cálculos de Jesus Maiz-Apellaniz, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, colaborador de Benitez no relatório sobre a extinção dos organismos marinhos. A bolha local tem um comprimento de 500 anos-luz (Um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros).

Ainda considerando-se que cerca de 35 estrelas no grupo vão explodir no decorrer dos próximos 30 milhões de anos, Maiz-Apellaniz diz que "não devemos nos preocupar com a ameaça representada por futuras supernovas em Escorpião-Centauro". Elas estão muito distantes da Terra para causar danos ao nosso planeta, diz ele. O próximo membro do grupo que deve explodir é a estrela Antares, que está a cerca de 500 anos-luz de nós. O campo magnético de nosso sol deve formar um escudo de proteção contra os efeitos de tal explosão, embora os futuros astrônomos devam se maravilhar com o show que será proporcionado pelo evento.

Ainda na terça-feira, pesquisabores do grupo de estudo do Nearby Supernova Factory Collaboration, um laboratório de Lawrence Berkeley (Califórnia) que rastreia supernovas vizinhas, divulgou detalhes sobre 52 novas explosões estelares, incluindo a chamada de "hipernova", uma explosão excepcionalmente brilhante, acompanhada de uma poderosa liberação de ondas de rádio.

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos